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  1. Patrícia Deviciente
    28 maio, 2015 @ 01:48

    Agradeço o espaço oferecido pelo MigraMundo.
    O mote da minha postagem foi a tristeza de ver posturas xenófobas de alguns contatos e sobretudo dos usuários que comentam nas páginas da imprensa oficial e também das mídias alternativas deixando palavras horrorosas para essa nova onda imigratória no Brasil.
    Sou descendente de italiano, neta para bem dizer. Meu avô chegou ao Brasil em 1952, isso significa que não veio na esteira dos grandes movimentos migratórios dos séculos XVIII e XIX, mas o contexto social e politico na Itália continuavam desfavoráveis e sua família inteira vieram “fazer a América” também.

    A grande questão que está em jogo agora não é o fato desses imigrantes serem também pobres, de baixa escolaridade, não possuírem mão-de-obra especializada, etc, até porque as pessoas falam sem terem dados concretos que comprovem suas rasas argumentações. A questão é que falam pautando-se apenas no preconceito, no pensamento hegemônico e sobretudo no racismo que tentam velar, mas que nessa hora fica escancarado.
    O branco pobre é bem-vindo, mas o negro pobre merece a miséria como legado? Isso é terrível! É desumano e repudio esse tipo de comportamento/pensamento.
    Se temos o mínimo de empatia que seja nos identificamos no sofrimento do outro. Como alguém pode ver a dor e o desespero nos olhos do outro e lhe negar ajuda? Isso é monstruoso. É desumano!
    Não tenho orgulho da minha ascendência italiana. O que me faz uma pessoa que tem ou não valor não é minha tradição familiar. Não sou melhor nem pior do que ninguém porque meu avô chegou pulguento e piolhento na Hospedaria dos Imigrantes. O que determina o nosso valor e nosso papel no mundo é justamente o modo como tratamos todos que nos cercam e até aqueles que não temos contato direto.
    Eu me solidarizo enquanto cidadã brasileira. Estendo as mãos aos haitianos, bolivianos, senegaleses, paraguaios, sírios… não tenho medo desses novos moradores, pois não os vejo como inimigos, como ameaça. Eu os encaro como parceiros, como mais uma peça a mais na força motora de buscar transformar esse país em um lugar melhor para se viver. Um lugar melhor para todos.
    Precisamos democratizar pelo menos o direito ao sonho, pois já há muitos espaços privados dentro da sociedade ocidental capitalista.
    Admiro a postura do governo brasileiro de manter as fronteiras abertas e oferecer ajuda humanitária. O Itamaraty me representa!

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