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segunda-feira, fevereiro 19, 2024

A estratégia de Mobilidade Global e sua importância para empresas e colaboradores

É crucial que as empresas comecem a compreender o valor que a Mobilidade Global pode agregar aos negócios e a seus colaboradores

Por Danyel Andre Margarido

Mobilidade Global vai muito além de um visto. Ou muito além de impostos. É uma área multidisciplinar, que fala várias línguas ao mesmo tempo – isso sem contar os idiomas dos países que estão envolvidos na mudança do profissional.

O Advisor de Global Mobility pode vir a ser confundido com uma babá, que cuida de todos os aspectos da vida do profissional em outro país – entretanto esta é uma visão muito rasa do que um Advisor faz.

Ainda existe uma visão datada do que um advisor de Mobilidade Global faz, afinal faz pouco tempo que este profissional era a “pessoa do RH que fala inglês”. Há mais sob sua responsabilidade do que antes existia – ou do que era visto.

Justamente a quebra deste preconceito ainda se faz necessária – não pelas inverdade, mas pelo desconhecimento do crescimento da área, de uma abrangência ainda maior, que pode ser pouco discutida, e que ainda está em evolução. Seja pelo já batido “novo normal” que nos foi forçado pela Pandemia, seja pelas demandas naturais do mercado. Isso alinhado à novas tecnologias, não tão novas e não tão tecnológicas, que banham a área com soluções e incertezas, mostram uma coisa: ainda não se sabe seu destino, mas tem-se a certeza da sua constante evolução.

Uníssono

A Mobilidade Global, nas empresas, desempenha um papel abrangente, abarcando diferentes setores e responsabilidades. Em um momento, pode estar envolvida com a equipe jurídica, discutindo questões relacionadas a direito imigratório, vistos, prazos e documentos. Em outro momento, colabora com a equipe de Facilities, tratando de assuntos como aluguéis, leis do inquilinato, transferências e segurança. Além disso, também tem uma presença importante no departamento de Recursos Humanos, abordando temas como talentos, gestão de pessoas, interculturalidade, gerenciamento de equipes remotas e planejamento de sucessão.

No entanto, é comum que a Mobilidade Global seja vista apenas como um acessório dentro das empresas, muitas vezes associada a custos elevados, uma vez que se concentra em atender a uma pequena parcela da população, geralmente composta pela alta gestão.

Por essa razão, é crucial compreender o valor que a Mobilidade Global pode agregar aos negócios, assim como as vantagens de contar com profissionais especializados nessa área. Uma expatriação bem-sucedida pode trazer benefícios significativos, apesar dos possíveis desafios e perdas envolvidos.

Justamente por ser uma área com muitas disciplinas envolvidas, com muitas chances de dar algo errado, e com muita pressões, vindas dos mais variados lugares, além dos custos que podem assustar, um conceito simples, o da Estratégia, pode auxiliar no desenho da jornada da expatriação, bem como na diminuição dos desvios causados por erros ou mesmo causados pelas intempéries da vida – quem nunca teve uma expatriação atrasada pois o consulado pediu um documento a mais do que havia pedido na primeira visita?

Por mais que estratégias dentro da área de Mobilidade Global já sejam conhecidas – e, por essa razão, devem sempre ser revisitadas sempre – também se faz necessário olhar para a entrega da área. Assim, tirar os olhos do expatriado somente, e ver, de maneira igualmente abrangente, a participação da área nas empresas.

Visão além do alcance

O exercício de olhar para além do cliente final de Mobilidade Global é um desafio. A começar da quebra do conceito de que o expatriado é o cliente final de uma expatriação. E, depois, entender que, não sendo o expatriado o cliente final, onde permanece a entrega da área de Global Mobility?

O cliente final, aquele que deve ser o centro das atenções do advisor de Mobilidade Global, não é o expatriado, este faz parte da entrega – parte a qual deve continuar sendo bem atendida – o cliente final é própria empresa onde a pessoa trabalha ou prestará o serviço a ser realizado, e, para tanto, o expatriado deve ser movimentado.

Por outro lado, somente se há visto, isso por muito tempo, a área de Mobilidade Global como a área que é formada por babá de expatriados. Há pouco está mudando a visão para uma área com mais estratégia, que pode aportar mais às discussões dentro das empresas.

É um movimento recente, este de trazer a Mobilidade Global das sombras para às discussões de estratégia, ainda é preciso apresentar para as demais áreas do RH as possibilidades estratégicas de GM – ou seja, ajudando a manter no mesmo campo de visão o expatriado (e sua família) e o negócio.

Algumas ferramentas que estão à disposição de Global Mobility podem ser compartilhadas com outras áreas, de modo a trazer valor nas entregas da área, bem como mostrar o impacto estratégico que a área possui. Entre essas ferramentas estão o acesso a Talentos globais, o Desenvolvimento de liderança global, a expansão de novos mercados, o fomento à criatividade e à inovação e o desenvolvimento da cultura organizacional.

O cinto de utilidades de Mobilidade Global

O seu fácil acesso a talentos globais, já que, por sua abrangência entre duas ou mais localidades, permite que a área de Mobilidade Global traga às organizações a possibilidade de que atraiam e retenham profissionais altamente qualificados de diversas partes do mundo. Ao enviar funcionários para trabalhar em filiais estrangeiras ou contratar profissionais estrangeiros, as empresas podem aproveitar conhecimentos especializados, perspectivas culturais diversas e habilidades únicas. Talentos Globais não são só executivos expatriados, mas pessoas advindas de diferentes culturas, diferentes cosmovisões – como, por exemplo, profissionais que vieram refugiados de outro país – que trazem em sua bagagem experiências diversas, podendo contribuir com o negócio local, possibilitando a operação da empresa em mercados igualmente diversos.

Um dos grandes desafios de RH, o desenvolvimento de pessoas, especialmente de líderes, pode ser auxiliado por Global Mobility. Uma expatriação, como os advisors de mobilidade global bem sabem, proporciona a oportunidade de desenvolvimento de pessoas e, também, de liderança no vivenciar e no superar de desafios em um ambiente inexplorado – o profissional que passa por uma expatriação ganha habilidades, como adaptabilidade, resiliência, habilidades interculturais e capacidade de lidar com a complexidade, essenciais para um cenário global cada vez mais conectado e denso. Adicionando a isso a gestão de pessoas de diferentes culturas, e gestão de pessoas de maneira remota e assíncrona, auxilia não só nas questões de interculturalidade, mas, também na resolução de próblemas complexos. Trazer pontos como esses em discussões sobre liderança e desenvolvimento dentro das empresas auxilia na criação de líderes alinhados à cultura da empresa, e em uma empresa com um pensamento global fortificado.

Justamente pelo cenário atual, global, ser mais conectado e denso, empresas precisam saber lidar com o novo, não tão novo, cenário presente. A mobilidade Global pode auxiliar justamente na expansão da presença em mercados estrangeiros, ou mesmo no compartilhamento de conhecimento técnico que possa trazer vantagem competitiva em uma região que pede por mais desenvolvimento – ou mesmo um novo olhar. Enviar pessoas para outro país auxilia na expansão do mercado da empresa, na manutenção da cultura da empresa em novos cenários e no conhecimento a ser compartilhado no retorno da pessoa em assignment.

A Mobilidade Global de Pessoas tem um efeito colateral pouco discutido: a criatividade. Em um mundo repleto de processos, a constante revisão destes, em busca de oportunidades de  melhora e, também, de novos resultados precisa de algo, precisa de criatividade. E ela também é encontrada em novos pontos de vista, novas abordagens, novas soluções. Ainda pessoas de diferentes backgrounds em um projeto em comum tendem a aprender umas com as outras, tendem a desenvolver umas nas outras habilidades de colaboração e busca de soluções novas. Isso ainda fortalece a cultura organizacional da empresa, uma vez que a interação diária entre profissionais de diferentes origens culturais incentiva a troca de experiências e o aprendizado mútuo, ajudando a eliminar barreiras culturais e a promover um ambiente colaborativo.

Uma cultura organizacional globalmente consciente e inclusiva melhora a satisfação dos funcionários, impactando positivamente no dia a dia dos funcionários da empresa – não só dos de origem estrangeira – fomentando a melhora do ambiente, aumentando a retenção de talentos e no crescimento da empresa.

Ferramentas como essas podem ajudar o advisor de Mobilidade Global a tirar esta área da visão de um mero acessório nas empresas, e trazê-la para as conversas de cunho estratégico sobre desenvolvimento, cultura, talentos dentro das empresas. Ainda trazendo impactos positivos no business. Com o cenário global mais denso, mais conectado, mais próximo, as empresas precisarão de parceiros estratégicos em seu meio para poder auxiliar na navegação no mar da incerteza, assim entendendo a estratégia por detrás da Mobilidade Global.

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2.000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.

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