A língua mais falada no mundo da Mobilidade Global

Além do idioma falado, uma outra língua, de caráter universal, é fundamental no processo de Mobilidade Global

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Além do idioma falado, uma outra língua, universal, é fundamental no processo de Mobilidade Global.
Além do idioma falado, uma outra língua, universal, é fundamental no processo de Mobilidade Global. (Foto: Mohamed Hassan /Pixabay)

Por Danyel André Margarido

É comum o Advisor de Mobilidade Global ser questionado sobre idiomas. 

“Quais os idiomas mais falados no mundo?”, “Quais línguas preciso saber para poder trabalhar em Global Mobility?”, “Qual o idioma é mais falado na Suíça?”, “Quando eu chegar lá, vou precisar saber o dialeto local?”, são alguns exemplos de questões recebidas.

Esse tipo de questionamento faz parte do dia a dia de Mobilidade Global. Um alerta, no entanto, é que muitas das vezes as questões relacionadas à comunicação são pensadas, normalmente, próximas à data de viagem. Algumas empresas, ainda, somente liberam cursos de língua para seus expatriados no momento em que chegam ao novo país.

Os impactos da língua reverberam sobre toda a adaptação do expatriado e de sua família. E prestar a atenção nisso pode facilitar toda a experiência de pessoas que estão adentrando em uma nova cultura.

Tendo isso em vista, por maiores que sejam os conhecimentos em línguas estrangeiras, ou mesmo, dialetos específicos, a língua mais falada na área de Mobilidade Global é uma, e somente uma: números.

Custos do processo

Isso se deve pois a movimentação de Mobilidade Global tem como base a circulação de mão de obra especializada e de tomadores de decisão. As pessoas que passam por esse processo possuem um caráter técnico elevado, sendo responsáveis por decisões de negócio dentro das empresas, ou mesmo, se são impedidos de vir, a paralisação de produções fabris.

Sendo assim, as decisões pertinentes à uma expatriação, além de “Quem é o expatriado?” e “Por que esse profissional será expatriado?”, passam também pela questão “Quanto custará o processo de expatriação?”. Além disso, a decisão de se tornar um expatriado deve ser feita pelo candidato levando em conta vários fatores, inclusive dos valores que este profissional receberá neste processo – tendo em vista a verdadeira mudança de vida.

É importante frisar que a compreensão de valores deve ser de todos os stakeholders envolvidos no processo de expatriação, justamente para que possíveis situações de surpresa em meio ao processo sejam evitadas. Ainda é importante lembrar que todos os valores envolvidos na movimentação fazem parte da estratégia tanto da empresa quanto do candidato. Há de se encontrar o famoso win-win (ganha-ganha), na medida do possível.

Sempre “win-win”?

Por poucas vezes o processo de expatriação será Win-Win para ambas as partes, do ponto de vista financeiro. 

Afinal, estamos falando de um processo que envolve custos salariais altos para empresa, alocações de custo entre países, impostos trabalhistas, mão de obra e parceiros. Essa conta é cara para a empresa assumir, e, portanto, devem ser bem pensados, e, como dito, alinhados.

Em outras palavras, a empresa, tanto no home country* quanto no host country** fazem sólidos investimentos para que o expatriado possa ser transferido em segurança com sua família para outro país. 

É necessário prestar atenção em outros pontos adjacentes, como, dependendo da legislação vigente e do tipo de política a ser aplicada, se o relacionamento financeiro do expatriado será de alguma forma mantido em seu Home Country – pois o repasse de valores entre filiais da empresa ainda ocorrerá.

Do outro lado, o expatriado precisa fazer as contas – literalmente. Se o salário proposto faz sentido para ele e sua família, se os allowances condizem com a política de expatriação, se ele entende bem os cálculos de folha – afinal sua folha de pagamento mudará. E o número de pagamentos no ano – o qual se altera entre países.

O que pode significar que, após o pagamento dos allowances de expatriado, o salário não se altere muito. O que pode causar certa tensão dependendo da forma que a proposta de expatriação foi comunicada, gerando a sensação de perda.

Falando a mesma língua

É importante frisar que o processo inteiro de expatriação é win-win, toda a experiência, todas as oportunidades, todos os frutos colhidos, e todas as situações muitas vezes não calculadas, mas, ainda assim, positivas, fazem parte da expatriação, e, como um pacote, fazem com que a empresa e o expatriado aproveitem o melhor dos do processo como um todo.

Entretanto, quando se fala de valores, é importante comunicar stakeholders e expatriados de forma clara – falando a mesma língua – pois muita coisa será alterada entre um país e outro.

Sendo assim, da mesma forma que uma língua, os valores de uma expatriação precisam ser claros e de fácil compreensão à todos os envolvidos no tema, sejam empresas, sejam expatriados, sejam co-expatriados. Todos os stakeholders precisam falar a mesma língua.

Se não, um tradutor – normalmente o advisor de Mobilidade Global – deve ser envolvido.

* Home Country: O país de onde o expatriado sai para a expatriação; ** Host Country: O país que recebe o expatriado.


Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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