Antiga hospedaria dos imigrantes de SP vira “museu vivo” e emociona visitantes

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Ao som da Maria-Fumaça que serviu de meio de transporte para tantos imigrantes ao longo da história, o Museu da Imigração de São Paulo foi reaberto oficialmente neste sábado (31) após quatro anos fechado para reformas.

Instalado na antiga Hospedaria do Brás (que também abriga o Arsenal da Esperança), o Museu adotou novo nome  – era chamado de Memorial do Imigrante antes da reforma – e uma nova proposta: ajudar a trazer para a atualidade a questão da imigração – jogando por terra a ideia de que ela é algo restrito à história – e aproximar o público em geral do tema.

Após quatro anos em reforma, Museu da Imigração é reaberto ao público. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Após quatro anos em reforma, Museu da Imigração é reaberto ao público.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Para marcar a data, além da solenidade de abertura que contou com a presença do governador do Estado, Geraldo Alckmin, foi montada uma programação especial (acesse aqui) que incluiu apresentações musicais e de dança de comunidades migrantes de São Paulo.  E também contou com a abertura da exposição permanente “Migrar: Experiências, Memórias e Identidades”, que carrega elementos de mostras itinerantes anteriores do Museu e tem como objetivo fazer com que o visitante se sinta no lugar daqueles que chegaram – e continuam a chegar – a São Paulo, fazendo essa conexão entre o passado e o presente.

Nos próximos dois meses, o museu terá entrada gratuita. Após esse período, o ingresso custará R$ 6 – veja mais informações no serviço ao final desta reportagem.

Exposição interativa e provocativa

De acordo com Marília Bonas, diretora do Museu da Imigração, o mote da mostra “Migrar: Experiências, Memórias e Identidades” é ser panorâmica, sem um compromisso pedagógico estrito de contar a história da imigração no Estado. “O foco é o homem, o desejo do homem, o direito de imigrar, a questão da diversidade, e isso tendo como território o Estado de São Paulo. O objetivo é aproximar essas experiências, fazer com que a pessoa se coloque no lugar do outro, seguindo o princípio da equidade – só é todo mundo igual porque somos todos diferentes”.

Para tocar o público e aproximá-lo da experiência de ser imigrante ontem e hoje, o museu apostou na tecnologia e na interatividade do conteúdo exposto, com imagens, áudios, objetos e instalações lúdicas e provocativas. Dentre elas, destaque para um painel com milhares de sobrenomes de imigrantes que passaram pela hospedaria (você provavelmente encontrará o seu por lá); e uma intervenção do artista plástico Nuno Ramos baseada na obra “É Isto um Homem?”, de Primo Levi, sobre a experiência do autor em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial – e de como pessoas de diferentes origens estavam unidas (mesmo que forçadamente) por conta do trabalho em um mesmo momento histórico.

Intervenção baseada na obra de Primo Levi é uma das atrações da exposição permanente. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Intervenção baseada na obra de Primo Levi é uma das atrações da exposição permanente.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

“É um museu muito mais interativo, que permite ter maior acesso às imagens e momentos resultantes dessa imigração”, disse Valéria Rossi, vice-presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat), em visita à mostra.

Público se emociona com “museu vivo”

Já nas primeiras horas de visitação era possível notar que a aproximação entre o conteúdo exposto e o público era bem sucedida. Muitos dos visitantes, inclusive, se referiam ao espaço como um “museu vivo” e se emocionavam com a exposição.

Museu aposta na interatividade para tocar o público e trazê-lo para o debate da imigração. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Museu aposta na interatividade para tocar o público e trazê-lo para o debate da imigração.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

“Achei sensacional, extravasou minha expectativa. A gente pode interagir e ouvir as histórias diretamente dos imigrantes, conhecer as condições nas quais eles vieram. Isso enriquece muito”, disse a empresária Gabriela Padilha, ainda emocionada com a exposição. O estudante Vinícius Parente de Andrade, filho de imigrantes portugueses, foi outro a ter de conter as lágrimas após visitar a mostra. “É muito tocante você poder, de certa forma, vivenciar o que seus avós passaram. As histórias que eles contaram se tornam mais palpáveis com essa exposição”.

A própria Valéria, do Condephaat, também se emocionou ao encontrar o sobrenome da família no grande painel instalado na mostra. “Meu bisavô veio em 1886 e ficou hospedado aqui. Senti uma grande emoção em poder visitar aqui e constatar todos esses momentos que fizeram parte da imigração no Brasil. E se trata de um museu vivo porque essa imigração no Brasil e em São Paulo é contínua. Acho que é um museu que vai ser muito visitado e está de parabéns”.

Mostra tem um painel com milhares de sobrenomes de imigrantes que passaram pela Hospedaria. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Mostra tem um painel com milhares de sobrenomes de imigrantes que passaram pela Hospedaria.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

A designer gráfica Beatriz Bonas cita a instalação na qual estão as cartas dos imigrantes como outro grande destaque da exposição, por “aproximar o visitante de uma época na qual não havia Instagram ou Facebook”. “As pessoas que estão andando por aqui também fazem parte desse museu, porque são descendentes daqueles que vieram para cá. E isso não tem fim, porque todo dia tem alguma coisa de imigração acontecendo em São Paulo ou no Brasil”, opinou.

O profissional de recursos humanos Norton Rizzato Lara, que já frequentava o antigo Memorial do Imigrante, tinha acabado de chegar ao novo museu com toda a família e aprovou a evolução do espaço. “Eu já gostava do antigo Memorial, mas achava ele um pouco pobre em termos de informação. Agora se vê toda uma nova museologia, mais interativa e atrativa até para as crianças”.

A exposição também foi aprovada por quem chegou do exterior para compor o país, como a colombiana naturalizada brasileira Maria Cristina Valdés. “Na verdade já conhecemos a história da imigração em São Paulo por sermos imigrantes, mas a exposição está muito bonita e ilustrativa do que aconteceu”.

Serviço:

Museu da Imigração do Estado de São Paulo
TerçasQuartasQuintas e Sábados das 09:00 às 17:00
Sextas das 09:00 às 21:00
Domingos das 10:00 às 17:00
Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca, São Paulo (SP)
próximo às estações Bresser (Metrô) e Brás (Metrô e CPTM)
(11) 2692-1866
http://museudaimigracao.org.br/

6 COMENTÁRIOS

  1. […] Utilizando acervo do próprio museu e do Arquivo Público do Estado de São Paulo, ela mostra retrata os trajetos de cerca de 2,5 milhões de imigrantes e migrantes que escolheram viver em São Paulo ao longo da história. O trabalho também ajudou na elaboração da atual exposição permanente do Museu da Imigração, chamada “Migrar: Experiências, Memórias e Identidades“. […]

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