Artesanato indígena venezuelano ganha exposição em São Paulo

Exposição “Ojidu- Árvore da Vida Warao”, no Museu A CASA, permite ao visitante ver de perto o trabalho artesanal de uma das maiores etnias indígenas venezuelanas

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Indígenas warao usam palha do buriti para artesanato. Exposição em São Paulo traz exemplos dessa expressão cultural. Crédito: Benjamin Mast/Divulgação

Por MigraMundo Equipe
Em São Paulo

A presença venezuelana no Brasil tem motivado uma série de exposições e eventos culturais que visam mostrar essa população além das manchetes na mídia e dos obstáculos que enfrenta. E mais uma delas entra em cena a partir desta quita-feira, em São Paulo.

A exposição “Ojidu- Árvore da Vida Warao”, que fica no Museu A CASA, no bairro de Pinheiros (zona oeste) até 20 de dezembro, permitirá ao visitante ver de perto o trabalho artesanal dos warao, uma das maiores etnias indígenas venezuelanas.

As cerca de 200 peças disponíveis – todas à venda – são confeccionadas em buriti, palmeira nativa da Amazônia que é chamada pelos warao de “árvore da vida”. Suas fibras dão origem a artigos como cestos, bolsas, vasos, redes, entre outros objetos.

O dinheiro arrecadado apoiará novas ações de geração de renda para a população warao em cidades do norte do Brasil, como Pacaraima e Boa Vista (em Roraima) e Manaus (no Amazonas).

Além de manter vivas as técnicas culturais e artesanais dos warao, o projeto busca desenvolver ações para fortalecer as capacidades das artesãs, introduzir o planejamento financeiro na comunidade, criar cadeia de valor para a população indígena Warao venezuelana e expandir a venda do artesanato a partir da realização de duas exposições – a próxima ocorrerá em 2020.

Artesanato com palha de buriti é importante expressão cultural dos indígenas warao, naturais da Venezuela.
Crédito: Benjamin Mast/Divulgação

A exposição é realizada pelo museu A CASA, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a organização não-governamental Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI), a União Europeia e o governo federal.

Para quem visitar a exposição na sexta (8) haverá um atrativo a mais: duas artesãs warao que vivem no abrigo indígena de Pintolândia, em Boa Vista (RR), vão participar de um bate-papo e um workshop, das 15h às 17h. Elas fazem parte de um grupo de 33 mulheres que vivem do artesanato do buriti.

Os warao

“Povo da Água”, de acordo com seu idioma, os warao são um grupo étnico constituído originalmente há mais de 8.000 anos na região do delta do rio Orinoco. Hoje, são o segundo maior povo indígena da Venezuela, com cerca de 49 mil pessoas. Subdividem-se em centenas de comunidades em uma região que se estende por quase todo o estado de Delta Amacuro, parte do estado de Monagas e de Sucre, na Venezuela.

Estimativas do ACNUR indicam que atualmente 4.500 indígenas warao estejam vivendo no Brasil. Assim como outros venezuelanos, também têm sofrido com a grave crise vivida pelo país vizinho que tem levado parte significativa de sua população a migrar para outras nações.

Dado à falta de projetos específicos para a interiorização dos migrantes indígenas para outras cidades do Brasil, os warao se encontram, muitas vezes, em situações de vulnerabilidade econômica e social.

Exposição Ojidu-Árvore da Vida Warao
Local: Museu A CASA do Objeto Brasileiro
Endereço: av. Pedroso de Morais, 1.216, Pinheiros, São Paulo
Abertura: quinta (7) das 19h às 22h.
Bate-papo e workshop com artesãs: sexta (8), das 15h às 17h – inscrições em eventos2@acasa.com.br
Visitação: de 8 de novembro a 20 de dezembro, das 10 às 18h30
Entrada: gratuita (exposição e workshop)
Contato: (11) 3814-9711 e www.acasa.org.br

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