Arthur do Val é cassado pela Alesp por falas sexistas sobre refugiadas ucranianas

Com a cassação, aprovada pelos 73 deputados estaduais presentes à sessão (a Casa tem um total de 94 parlamentares), Arthur do Val se tornou inelégivel por oito anos

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Arthur do Val, que teve o mandato de deputado estadual cassado pela Alesp
Arthur do Val, que teve o mandato de deputado estadual cassado pela Alesp. (Foto: Divulgação/Alesp)

A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou nesta terça-feira (17) a cassação do mandato do ex-deputado estadual Arthur do Val (União Brasil). Conhecido como Mamãe Falei, que também é youtuber e ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre), ele foi julgado por quebra de decoro parlamentar em razão das declarações sexistas sobre mulheres ucranianas durante viagem que fez à Europa em março deste ano, sob pretexto de apoiar a população do país europeu contra a invasão russa.

Ao todo, 21 representações foram apresentadas contra o youtuber no Legislativo paulista em razão do caso. Elas foram reunidas em um único processo, aprovado por unanimidade pelo Conselho de Ética da Alesp no último dia 12 de abril. Em uma tentativa de interromper o processo, Arthur do Val renunciou ao cargo, mas a Casa decidiu manter a tramitação.

A reprecussão negativa do caso fez Mamãe Falei desistir da sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo e se afastar do MBL, do qual era um dos membros mais ativos.

Com a cassação, aprovada pelos 73 deputados estaduais presentes à sessão (a Casa tem um total de 94 parlamentares), Arthur do Val se tornou inelégivel por oito anos, segundo a Lei da Ficha Limpa. Isso significa, por exemplo, que ele não poderá ser candidato novamente em uma eleição durante esse período.

A cassação foi comemorada por Fabiana Tronenko, 43, ex-embaixatriz da Ucrânia no Brasil, que acompanhou a sessão de dentro da Assembleia Legislativa.

Até o momento, segundo dados da ONU, mais de 6 milhões de pessoas já deixaram o país europeu, especialmente mulheres e crianças. O número já representa o maior êxodo forçado no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Entenda o caso

Durante a viagem à Europa no começo de março, mais exatamente na fronteira entre a Eslováquia e a Ucrânia, Arthur do Val compartilhou áudios com pessoas próximas nos quais se referiu às mulheres ucranianas como “deusas”, pelo padrão de beleza, e “fáceis” por serem pobres. Eles vazaram para a imprensa e gerando fortes reações dentro e fora do universo político, repercurtindo também junto à comunidade migrante no Brasil.

“Detalhe, hein. Elas olham e, vou te dizer, elas são fáceis, porque são pobres. E aqui, a minha conta do Instagram, cheio de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, porque a gente não tinha tempo, mas colei em dois grupos de ‘minas’ e é inacreditável a facilidade. Essas ‘minas’ em São Paulo, você dá bom dia e ela [sic] ia cuspir na sua cara e aqui elas são supersimpáticas e supergente boa, é inacreditável”, disse o deputado em um dos áudios. Segundo ele, nas “cidades mais pobres, elas são as melhores”.

Em outra mensagem, Arthur do Val ainda comparou a fila de refugiadas ucranianas na fronteira com a Eslováquia, onde o deputado esteve, à fila de uma balada.

Ao ser questionado pela imprensa na chegada de volta ao Brasil, em 5 de março, o deputado disse que os áudios foram mandados em um grupo privado para amigos e que se dedicou apenas ao que chamou de “missão” no período em que esteve no país.

“Fui para fazer uma coisa, mandei um áudio infeliz, e a impressão que passou é que fui fazer outra coisa. Foi errado o que eu falei, não é isso o que eu penso, o que eu falei foi um erro num momento de empolgação e pronto”, disse.

Sobre a cassação, Arthur do Val disse por meio de nota que a decisão do plenário da Alesp deixa claro que foi promovida uma perseguição contra ele e que o motivo principal era retirá-lo da disputa eleitoral deste ano. Mamãe Falei não acompanhou presencialmente a sessão que definiu sua cassação.