Artista migrante encontra portas abertas no Brasil para consolidar carreira como desenhista

0
59

Gustavo Masías, do Peru, tem ateliê no Rio de Janeiro onde dá aulas de desenho, mas também se dedica a trabalhos autorais. Ele também fala sobre a experiência de ser migrante

Por Glória Branco
Do Rio de Janeiro (RJ)

Aos 16 anos, um jovem peruano chega ao Rio de Janeiro para encontrar o tio artista plástico. Em busca de uma nova vida longe do fujimorismo*, trabalhou com o tio em um estúdio no centro carioca – onde, além de criarem, davam aulas de desenho. Aos finais de semana expunham as obras em feiras de artes e assim ganhavam a vida como migrantes do Peru. Os anos se passaram e ele aprendeu tudo que pode sobre arte e hoje pode dizer que é um privilegiado artista, especialista em retratos a lápis, que transmitem encanto e emoção, trabalhando em seu ateliê montado em sua casa na capital fluminense.

Gustavo dá aulas de desenho e também se dedica a trabalhos autorais.
Crédito: Gustavo Masías

 

Gustavo Masías, hoje com 38 anos e pai de dois filhos, encontrou no Brasil uma familiaridade que o fez se adaptar mais facilmente ao país. Foi aqui que conheceu sua esposa, uma pernambucana que o ajuda na administração de sua carreira artística e no contato com os clientes. Foi por ela que entre 2005 e 2007, Gustavo morou em Recife e lá também pode aprender mais sobre desenho e arte. Quando retornou ao Rio de Janeiro tinha convicção que queria passar mais tempo com os filhos, por isso decidiu trabalhar de casa. Assim Gustavo também ajuda na educação das crianças e na rotina doméstica, e afirma valorizar muito mais o dia a dia das mulheres.

Gustavo relata que sua experiência como migrante o ajuda a valorizar ainda mais seu país e também a entender melhor seus problemas. Foi na base de conversas e reflexões com outros migrantes peruanos no Brasil e em outras partes do mundo que surgiu a ideia de criar um podcast de nome provisório “Fora de Casa”. O programa, que ainda está em fase de ajustes, se propõe a debater temas pertinentes aos peruanos fora de seu país e a repensar questões políticas e sociais de um país que recentemente passou por um desastre natural de grandes proporções.

Mas não é só o Peru que passa pela avaliação de Gustavo. Com seu olhar migrante, o artista também enxerga com olhar critico o Brasil e sua atual crise econômica e política, e reconhece que os migrantes e refugiados podem muito ajudar o país na busca por novas soluções. Mas atesta pelo tempo que está no Brasil que ainda há uma resistência ao estrangeiro e em seu campo de atuação identifica que os brasileiros valorizam mais a figura do artista do que sua obra, numa “adoração” à pessoa em detrimento de seu trabalho de criação.

Por isso, Gustavo encontrou a oportunidade de desenvolver uma carreia mais comercial e nas redes sociais focou seu campo de contato artístico e divulgação.  Gustavo também oferece aulas de desenho e nas horas vagas se dedica a criação mais abstrata e autoral. Ele se diz privilegiado por ser um artista em terras brasileiras e garante que é feliz e apaixonado pelo que faz.

Gustavo se diz privilegiado por ser um artista em terras brasileiras e garante que é feliz e apaixonado pelo que faz.
Crédito: Gustavo Masías

Atualmente, sua mãe também mora no Rio de Janeiro assim como sua irmã, professora de espanhol. A família faz questão de ensinar as crianças, um menino de 12 anos e uma garota de 9 anos, a valorizar, amar e respeitar suas raízes peruanas, assim como a admirar e estimar a cultura e as tradições brasileiras. “A alegria e a simpatia do povo brasileiro são um forte atrativo do país e deve ser sempre enaltecido”.

*Fujimorismo é um movimento político peruano baseado na figura de Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000.

Facebook: http://www.facebook.com/artedegustavomasias

Instagram: http://www.instagram.com/gustavomasias/

Glória Branco é jornalista com especializações em marketing e Relações Internacionais. É diretora da La Gringa Comunicação e, além do MigraMundo, atua como voluntária no Coletivo Maria (que defende causas feministas).

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Insira seu comentário
Informe seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.