Bangladesh transforma campos de refugiados rohingya em prisões a céu aberto, denuncia HRW

Governo de Bangladesh tem instalado cercas de arame farpado em torno dos campos ocupados pelos refugiados rohingya que fogem de perseguições na vizinha Mianmar

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Refugiados rohingya caminham por uma trilha durante uma forte chuva de monções no campo de refugiados de Kutupalong, no distrito de Cox’s Bazar, em Bangladesh. Crédito: David Azia/ACNUR
Refugiados rohingya caminham por uma trilha durante uma forte chuva de monções no campo de refugiados de Kutupalong, no distrito de Cox’s Bazar, em Bangladesh. Crédito: David Azia/ACNUR

Por Larissa Serafim
Em Porto Alegre

A ONG internacional Human Rights Watch acusa o governo de Bangladesh de querer transformar em prisões a céu aberto os campos que abrigam refugiados rohingya que fogem da vizinha Mianmar.

Na última terça-feira (26), a ONG reportou uma denúncia quanto à construção de cercas de arame farpado e torres de segurança ao redor do maior campo de refugiados do mundo, localizado na região de Cox’s Bazar, a sudeste de Bangladesh.

Segundo a HRW, cerca de um milhão de ocupantes do local estão, há mais de dois meses, sob restrições de internet e telecomunicação. A operação é liderada pelo exército do país e está em curso desde setembro.

A HRW acredita que as medidas tomadas pelo governo de Bangladesh são desproporcionais e violam os protocolos internacionais para recebimento de refugiados e exilados.

A ONG também adverte sobre a violação de direitos básicos como o direito a assembleia, locomoção e liberdade de expressão.

Outra advertência é direcionada ao próprio governo bengali, quanto aos riscos do país sofrer duras críticas da comunidade internacional, caso não haja recuo em suas ações.

Entenda o caso

Desde a década de 1970 o povo rohingya enfrenta grave segregação étnica promovida pelo governo de Mianmar. De religião muçulmana, os rohingyas são vistos como uma ameaça à hegemonia budista do país.

Uma lei de 1982 retirou do povo rohingya o direito à nacionalidade birmanesa, tornando-os apátridas. Dessa forma, ficam impedidos de ter acesso a serviços públicos (saúde, educação, etc.) e de ter mais de um filho por casal, entre outras restrições. Também são submetidos a trabalhos forçados.

Em 2017, o conflito é intensificado quando 50% das suas vilas são demolidas e queimadas. Como tentativa de sobrevivência, os habitantes das vilas remanescentes cruzaram as fronteiras de Mianmar à procura de refúgio, em sua maioria, em países vizinhos.

No mesmo ano, 700 mil rohingyas entraram em Bangladesh, segundo dados divulgados pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados). Desde então, milhares de deslocados entram no país todas as semanas.

Mianmar recusa-se a aceitar um acordo para repatriação dos refugiados e Bangladesh demonstra cada vez menos paciência com o fluxo que chega do país vizinho. Enquanto isso, o povo rohingya mantém-se sem terra e sob constante ameaça.

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