Camarões conquista Copa Gringos, mas o futebol e os migrantes saem como vencedores

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A Copa do Mundo da Fifa ainda nem começou, mas já tem gente comemorando. É a comunidade camaronesa que vive em São Paulo, depois de ver sua seleção conquistar o título da Copa Gringos – torneio disputado por times de “gringos” que vivem na capital paulista – após uma virada emocionante sobre a Bolívia.

Seleção de Camarões saiu em volta olímpica pelo campo para festejar o título. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Seleção de Camarões saiu em volta olímpica pelo campo para festejar o título.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Após as partidas, disputadas no Parque da Aclimação, aconteceu a cerimônia de premiação, na qual os jogadores receberam cumprimentos e prêmios das mãos do ex-jogador Raí. “O esporte e a integração dos povos é que ganharam hoje. Os imigrantes fizeram um gol de letra”, disse ele sobre a Copa Gringos.

O ex-jogador Raí entregou os prêmios da Copa Gringos aos jogadores. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
O ex-jogador Raí entregou os prêmios da Copa Gringos aos jogadores.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Dois jogadores de Camarões foram sorteados e ganharam viagens para Paris. Outras duas passagens para Amsterdã foram sorteadas para o time do Congo, campeão da Série Prata. Os jogadores das oito seleções que avançaram pelo menos até as quartas de final (Camarões, Bolívia, Peru, Chile, Nigéria, China, Paraguai e México) receberam brindes diversos, como garrafas de champagne, perfumes e camisas do Lyon – time de coração do organizador, o francês Stephane Darmani.

“Era esse o objetivo da Copa Gringos, juntar essas comunidades em torno do futebol e permitir essas amizades. Dentro de campo não teve briga, nem violência, todos se respeitaram. E pessoas que antes não se conheciam hoje frequentam a casa um do outro, são amizades reais”, disse Darmani.

A previsão é que os times voltem a jogar a partir de setembro, quando está previsto o começo da Liga Gringos, um torneio permanente e de pontos corridos. As negociações para viabilizar essa evolução do projeto já começaram e maiores informações poderão ser obtidas na página oficial da Copa Gringos na web e no Facebook da competição.

A decisão

Na grande final da Copa Gringos, a Bolívia abriu o placar logo nos primeiros minutos de partida. No entanto, Camarões valeu-se da força física e da bela atuação do goleiro Bernard Happi para segurar o ataque adversário e aproveitar os espaços do campo até chegar ao empate, no fim da primeira etapa.

Grande público acompanhou a final da Copa Gringos, entre Camarões e Bolívia. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Grande público acompanhou a final da Copa Gringos, entre Camarões e Bolívia.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

A igualdade no placar prevaleceu ao longo do segundo tempo, com o jogo se tornando cada vez mais pegado, mas longe de qualquer violência ou deslealdade. Com a prorrogação, mais uma vez o goleiro Happi se destacou e, já no fim do tempo extra, a seleção camaronesa conseguiu o contra-ataque que rendeu o gol da virada e do título da Copa Gringos.

“Sem palavras, não tenho palavras”, disse Happi ao fim do jogo, muito festejado pelos companheiros. Ele acabou eleito o melhor jogador da decisão.

O goleiro camaronês Happi, eleito o melhor jogador da final. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
O goleiro camaronês Happi, eleito o melhor jogador da final.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

O vice-campeonato, no entanto, está bem longe de ofuscar o brilho que o time boliviano e sua torcida tiveram na competição. “Sempre jogamos pela equipe, nunca pensamos no individual. E nunca tinha jogado com uma torcida como essa, se fosse somente por ela a gente teria ganho de 10 a 0”, disse Israel Correia Silva, um dos jogadores da Bolívia.

Torcida boliviana ficou sem o título, mas fez bonito e foi uma atração à parte durante toda a Copa. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Torcida boliviana ficou sem o título, mas fez bonito e foi uma atração à parte durante toda a Copa.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Preliminares

Antes da final, Chile e Peru fizeram a decisão do terceiro lugar. Com cinco desfalques, os chilenos não conseguiram segurar um dos melhores ataques da Copa Gringos e viram o time peruano vencer por 5 a 1. “Estou contente por poder representar meu país”, disse o goleiro peruano Ronald Quispe Paucar após a conquista da medalha de bronze.

“Só com muita garra e amor à camisa chegamos até aqui”, destacou Maghie Contreras, organizadora do time chileno, sobre a superação da equipe devido aos desfalques. Ela ainda deixou a sugestão de se ampliar de 15 para 20 o limite de jogadores que podem se inscritos por time para o próximo evento, para contornar possíveis problemas com lesões.

Peru e Chile decidiram o terceiro lugar do torneio. Os peruanos levaram a melhor. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Peru e Chile decidiram o terceiro lugar do torneio. Os peruanos levaram a melhor.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Antes da decisão do terceiro lugar teve ainda a final da Série Prata, que reuniu as seleções que não avançaram à fase eliminatória. Após empate no tempo normal, a seleção do Congo venceu a Bélgica nos pênaltis e ficou com o título da “Série B” da Copa Gringos.

Interesse do público

Depois de dois meses de jogos no Playball Pompeia (zona oeste), as finais foram disputadas no Parque da Aclimação (zona sul) para permitir uma maior presença da torcida. E a imagem do público lotando a lateral do campo mostrou o quanto a decisão foi acertada, atraindo não apenas as comunidades envolvidas nas partidas, mas também o próprio público do parque.

“Estava andando pelo parque e me chamou a atenção a bandeira do meu país. Aí parei para olhar e me deparo com a surpresa de ver uma Copa Gringos acontecendo. Acho que o evento tem tudo para crescer, o futebol representa união e uma oportunidade de juntar pessoas de todas as partes do mundo”, disse o administrador e barman peruano Arturo Laetia, que assistiu à vitória peruana sobre o Chile na decisão do terceiro lugar.

“É uma iniciativa muito boa, traz conforto para o pessoal que está longe de casa e pode se reunir, torcer. É uma oportunidade também para aqueles que ficaram de fora da Copa [da Fifa]”, disse o médico Torquato Sanches, que também parou a caminhada que fazia pelo parque para ver os jogos da Copa Gringos.

Com Bolívia Cultural

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