Caminhada Noturna: turismo de conscientização ou uma ação oportunista?

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A situação dos migrantes que tentam cruzar a fronteira entre México e EUA já foi tema de filmes, séries, novelas brasileiras, documentários, estudos e reportagens de todo o tipo.  Mas uma iniciativa criada no Estado de Hidalgo (México) vem dividindo opiniões ao propor um modo mais radical de tomar conhecimento dessa realidade.

Trata-se da Caminhada Noturna, promovida em um parque situado no vilarejo indígena de El Alberto, que submete o visitante às mesmas condições vividas pelos milhares de migrantes latino-americanos que tentam cruzar a fronteira com os EUA.

O texto completo sobre o polêmico “tour” foi publicado pelo portal Opera Mundi.

Por “apenas” US$ 40, você passa por uma simulação bastante realista que inclui andar na escuridão, ser insultado, roubado, perseguido, fugir de balas, atravessar correntezas e encarar o calor inclemente do deserto – os migrantes da vida real que se arriscam nessa jornada chegam a desembolsar milhares de dólares em busca do chamado “sonho americano”.

Fronteira entre EUA (esq) e México (dir), na região de Nogales, Estado do Arizona. Crédito: Wikimedia Commons
Fronteira entre EUA (esq) e México (dir), na região de Nogales, Estado do Arizona.
Crédito: Wikimedia Commons

Segundo os organizadores, o real objetivo da Caminhada Noturna é dar “a chance de experimentar as dores de um imigrante é conscientizar aqueles que buscam “uma vida melhor em outro país”, estimulando-os a ficar em sua terra e aí aspirar a projetos produtivos que criem riqueza própria e levem em conta a comunidade”. Também seria uma forma de homenagear aqueles que já imigraram (que conseguiram fazer a travessia ou não, vivos ou mortos).

Já os críticos da ideia argumentam que a Caminhada Noturna é um “simulado” para quem de fato planeja atravessar a fronteira México-EUA. Ou ainda que ela caçoa dos reais migrantes e se promove às custas dos que gastam suas economias em busca do sonho de entrar nos EUA e muitas vezes pagam com sua liberdade ou até mesmo com a própria vida.

Tentar fazer o visitante se colocar no lugar de um grupo que passa por sofrimentos não é uma situação nova. Entre setembro e outubro deste ano, por exemplo, a ONG Médicos Sem Fronteiras promoveu em São Paulo e no Rio de Janeiro a exposição “Campo de Refugiados no Coração da Cidade”, na qual o visitante era convidado a vivenciar (mesmo que por alguns poucos minutos) como vivem os refugiados ao redor do mundo. Claro, nada tão radical como a experiência oferecida pela Caminhada Noturna no México.

E você, o que acha? A Caminhada Noturna é um tipo de turismo de conscientização ou uma medida oportunista? Mesmo sendo algo radical, fico com a primeira opção.

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