Campanha busca financiamento para documentário e projeto sobre refugiados sírios

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Documentário independente Salam, Síria, vai contar história de famílias sírias espalhadas pelo mundo. Crédito: Divulgação

O conflito armado que aflige a Síria desde 2011 continua a causar efeitos devastadores. Já são cerca de 480 mil mortos e mais de 6 de milhões deslocadas dentro e para fora do país por causa de uma guerra que ainda parece longe de terminar. A comunidade internacional não se entende sobre o que e como fazer para acabar com o banho de sangue. Por outro lado, iniciativas locais e globais surgem a todo momento procurando contribuir, a seu modo, para sensibilizar outras pessoas sobre o que acontece na Síria.

Uma delas é o projeto “Salam, Síria”, idealizado pela cineasta Juliana Torquato, de Porto Alegre. Para viabilizá-lo, se juntou a Joice de Oliveira e Rodrigo Moares, que atuam na produção do longa, e criou uma campanha de financiamento no site Kickante, que vai até 30 de dezembro. Podem ser feitas doações a partir de R$ 10 – veja abaixo como ajudar e as recompensas disponíveis.

Acesse aqui a campanha no portal Kickante

Veja a página do projeto no Facebook

A ação se divide em duas frentes: a primeira é um documentário (o “Salam, Síria”) que vai contar as histórias de cinco famílias sírias espalhadas pelo mundo devido à guerra; a segunda é a doação de metade do valor arrecadado com a campanha para as famílias entrevistadas para o documentário.

Ponte Brasil-Alemanha-Jordânia

Das cinco famílias que estarão no documentário, são duas na Jordânia (incluindo uma que vive no campo de refugiados de Zaatari, um dos maiores do mundo), uma na Alemanha e outras duas no Brasil. “Meu objetivo é mostrar que os refugiados são seres humanos como nós, independente da cultura, religião e costumes. É ajudar estas famílias que estarão contando suas histórias”, explica Juliana.

Socióloga e bibliotecária de formação, Juliana conta que sempre acompanhou questões ligadas a refugiados, mas a ideia para o projeto veio de fato a partir da experiência de ter vivido na Jordânia, entre 2014 e 2015. Casada com um jordaniano há seis anos, conheceu de perto a realidade de refugiados sírios e palestinos que vivem no país.

“Eu sempre fui muito inquieta com relação aos refugiados desde a época em que cursava Ciências Sociais e tive contatos com alguns refugiados que eram amigos do meu marido aqui no Brasil, mas foi quando fui morar no Oriente Médio que isso fez agir. Eu não consigo acreditar que no mundo globalizado no qual vivemos ainda temos tantas barreiras que impeçam os seres humanos de ir e vir”, expressa Juliana, que desde então vem batalhando meios para viabilizar o projeto.

Documentário independente Salam, Síria, vai contar história de famílias sírias espalhadas pelo mundo. Crédito: Divulgação
Documentário independente Salam, Síria, vai contar história de famílias sírias espalhadas pelo mundo.
Crédito: Divulgação

Próximos passos

Embora o documentário-alvo da campanha seja focado nos refugiados sírios, Juliana acredita que a produção pode também ajudar refugiados de outras nacionalidades. “Quero continuar trabalhando com essa temática para tentar inserir, integrar essas pessoas nesta nova sociedade. Mostrar que são pessoas como nós, mas que por questões de poder e política (que e o que move as guerras), perderam tudo e saíram de seu país que não lhes ofereciam segurança ou  trabalho ou dignidade. Elas não querem ser refugiadas. Elas estão refugiadas e precisam de amparo, pois nenhum país no mundo a salvo de acontecer o que está ocorrendo na Siria, na Líbia, no Iraque”.

Além do documentário sobre os sírios, Juliana, Joice e Rodrigo também tem trabalhado ou já atuaram em outras produções relacionadas com refúgio, que englobam outras nacionalidades. “A maioria dos refugiados está precisando de ajuda e são pessoas instruídas que poderiam estar ajudando no desenvolvimento de qualquer nação na qual se refugiou, mas que há muitas barreiras que impedem que estas pessoas ingressem nesta sociedade, principalmente o preconceito”, completa Juliana.

Dados sobre refúgio no mundo e no Brasil

De acordo com o Global Trends 2015 (baixe aqui), relatório lançado em junho deste ano pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), uma em cada 113 pessoas no mundo encontrava-se em situação de refúgio ou deslocada, totalizando 65,3 milhões – um aumento de quase 10% em relação a 2014. Ainda de acordo com o Global Trends, a lista de países com mais refugiados no mundo é encabeçada pela Turquia (2,5 milhões), seguida de Paquistão (1,6 milhão), Líbano (1,1 milhão), Irã (979.400) e Etiópia (736.100). Jordânia, Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e Chade fecham esse nada glorioso top 10. E os países que atualmente mais geram refugiados são Síria (4,9 milhões), Afeganistão (2,7 milhões) e Somália (1,1 milhão). Juntos, eles respondem por nada menos que 54% do total de refugiados.

Total de deslocados e refugiados no mundo é recorde, aponta ACNUR. Crédito: ACNUR
Total de deslocados e refugiados no mundo é recorde, aponta ACNUR.
Crédito: ACNUR

Entre os países com solicitações de refúgio a liderança ficou com a Alemanha (441,900), seguida por Estados Unidos (172.700), Suécia (156.400) e Rússia (152.500). Em números per capita, o país com mais refugiados no mundo é o Líbano, (183 refugiados para cada 1.000 habitantes, uma proporção de quase 1 para cada 5 habitantes), seguido por Jordânia (87), Nauru (50), Turquia (32) e Chade (29).

Já outro relatório mais recente, lançado em outubro pela Anistia Internacional, aponta que 56% do total de refugiados no mundo está em apenas dez dos 193 países do planeta –Jordânia, Turquia, Paquistão, Líbano, Irã, Etiópia, Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e Chade. O estudo ainda criticou a postura de países desenvolvidos de restringir a acolhida aos refugiados.

Falando de Brasil, o país atualmente reconhece 8.863 refugiados e tem 25 mil solicitações de refúgio aguardando análise do governo, de acordo com dados do Conare (Comitê Nacional para Refugiados). A nacionalidade com mais representantes é a síria, seguida por angolanos, colombianos, congoleses e palestinos.

 

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