Centros de detenção e extrema-direita ameaçam imigrantes na Grécia

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A crise que afeta a Europa tem nos imigrantes uma de suas maiores vítimas. Em muitos países eles viram alvo de partidos de direita e extrema-direita, que os acusam de serem “ladrões de empregos” e acusados de “saturar os serviços públicos” – discurso tal que encontra eco nos setores mais conservadores das sociedades.

Mas na Grécia, país que desencadeou a atual crise e o que mais sofre com ela, a situação dos imigrantes é ainda pior. Considerada uma das portas de entrada de estrangeiros na Europa  – inclusive devido à posição geográfica em relação à África e Ásia – , as autoridades gregas já colocam na conta dos imigrantes parte da culpa pela bancarrota. Mas as atitudes de Atenas tem causado preocupação na União Europeia na comunidade internacional.

A criação de centros de detenção para imigrantes ilegais pelo país é uma delas. As autoridades gregas lançaram operações para prender milhares de estrangeiros em situação de ilegalidade, que são levados para tais locais – nos quais os detidos reclamam de maus tratos.

Os centros de detenção são reprovados pela União Europeia, do qual a Grécia faz parte. Há inclusive quem os compare com campos de concentração. Mas não há sinais de mudança na postura de Atenas em relação ao tema.

Outra questão preocupante é o crescimento da Aurora Dourada no cenário político grego. Nacionalista e xenófobo (e com um símbolo que lembra muito a suástica nazista), o partido tem no atual cenário de crise o ambiente perfeito para se expandir. Exemplo disso é a distribuição de comida e roupas que frequentemente promove junto às camadas mais necessitadas da população grega. O preço para receber o donativo é simplesmente a filiação ao partido.

E ainda segundo o jornal britânico The Guardian (repercutida pelo portal Opera Mundi), há cada vez mais evidências de que até mesmo a polícia do país está delegando funções de fiscalização para pessoas ligadas ao grupo – função que permite à Aurora Dourada coloca em prática programas de “limpeza” de imigrantes ilegais e vendedores ambulantes irregulares.

A estratégia parece estar dando certo. Em maio, pesquisas de opinião apontavam que 12% da população aprovava o Aurora Dourada. Hoje esse número atingiu a marca dos 22%.

Considerando esses fatos, o cenário para os imigrantes gregos, legalizados ou não, deve ficar ainda pior. E um triunfo maior da Aurora Dourada na Grécia também deve repercutir – negativamente, do ponto de vista dos Direitos Humanos – nas políticas assistencialistas e de anti-imigração de outros países europeus.

2 COMENTÁRIOS

  1. […] A nível internacional, as perspectivas não parecem ser das mais animadoras. A Europa em crise econômica é terreno fértil para ideias e grupos racistas e xenófobos, que tomam os imigrantes como bodes expiatórios. Um dos maiores exemplos  pode ser notado na Grécia, com a escalada do partido neonazista Aurora Dourada e de políticas anti-imigração como o muro na fronteira com a Turquia e os centros de detenção. […]

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