publicidadespot_img
quarta-feira, setembro 28, 2022

Chega ao Brasil movimento que usa mosaicos para chamar a atenção sobre mulheres afegãs

Projeto “Por um fio – Mosaico pelas mulheres afegãs" conta com o apoio de instituições ligadas à temática migratória

As mulheres que vivem no Afeganistão vão muito além da burca, vestimenta que cobre o corpo por completo e foi imposta pelo grupo extremista Talibã, que voltou ao poder no país há um ano. E mostrar toda a contribuição cultural e social que fica oculta por essa realidade é o objetivo do projeto “Por um fio – Mosaico pelas mulheres afegãs”, que conta com o apoio de instituições envolvidas na acolhida e orientação a imigrantes.

A iniciativa é parte de um projeto que surgiu no ano passado no Canadá, intitulado “Mosaic for Afghan Women – Hanging by a Thread”. Mais de 1.100 artistas mosaicistas de 45 países já criaram peças inspiradas nos tecidos das vestimentas das mulheres afegãs.

Essas criações são reunidas em um painel em cada um dos países participantes. A ideia é, por meio da arte, sensibilizar o mundo da situação de violência sofrida por elas.

O projeto no Brasil

No Brasil, o projeto em prol das mulheres afegãs é tocado pelo grupo voluntário Mosaico Paulista, representado por Regina Shahini e Simone Berton. Ele teve a participação de 57 artistas brasileiros com 75 trabalhos que formarão dois painéis a serem instalados no próximo dia 27 de setembro na Missão Paz, em São Paulo. O local é uma referência em acolhida e orientação a imigrantes no Brasil – incluindo mulheres afegãs que conseguiram chegar ao país.

“Desde o início deste ano estamos acolhendo e acompanhando um crescente número de pessoas vindo do Afeganistão. Neste contexto, quando fomos procurados pelo grupo Mosaico Paulista para realizar o Projeto “Por um fio”, logo acolhemos a ideia e achamos o lugar da Missão Paz como um espaço extremamente significativo para esta iniciativa artística”, explicou o padre italiano Paolo Parise, um dos diretores da Missão Paz.

Segundo Berton, a intenção do projeto é trazer o olhar do maior número de pessoas do mundo para a situação vivida hoje pelas mulheres afegãs, para que sua cultura e liberdade não continuem “penduradas por um fio”.

“Quando aceitamos coordenar este projeto no Brasil na intenção de mobilizar olhares para a situação das mulheres no Afeganistão, não imaginávamos a situação das mulheres afegãs refugiadas em nosso país, e como este projeto poderia contribuir muito mais no sentido de uma conscientização brasileira para este contexto”, afirmou.

“Sou mulher, artista plástica e filha de imigrantes europeus refugiados pós-Segunda Guerra Mundial. Esse movimento coletivo em homenagear as mulheres afegãs e sua cultura no acolhimento da Missão Paz, para mim, de certa forma, também foi uma homenagem à história de meus pais e de todos aqueles que nosso país recebe”, complementou Shahini.

Desconstrução de estereótipos

Além da Missão Paz, ligada à Igreja Católica, o projeto também conta com o apoio do Instituto pelo Diálogo Intercultural. De acordo com o presidente da entidade, o turco Mustafa Göktepe, ele também é uma forma de derubar estereótipos sobre o Islamismo, que acabam reforçados por uma leitura distorcida que o Talibã apresenta da religião.

“Quando as artistas Regina e Simone procuraram o Instituto Pelo Diálogo Intercultural como parceiro para o projeto, consideramos uma oportunidade de chamar a atenção da sociedade brasileira ao tema, demostrar a visão do mundo sobre a riqueza cultural do Afeganistão e de desconstruir estereótipos ligados a religião islâmica, que tanto sofre com imagens deturpadas nas mãos de extremistas, como os talibãs”, expressou Göktepe, que é muçulmano.

Os painéis montados durante o evento ficarão expostos no pátio da Casa do Migrante, uma das instalações da Missão Paz que prestam apoio à população migrante, em especial a recém-chegada ao Brasil.

Afegãos no mundo e no Brasil

De acordo com dados do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados), cerca de 2,7 milhões de afegãos viviam como refugiados ao final de 2021, formando o terceiro maior grupo no mundo nessa condição. Eles estão especialmente em países vizinhos ao Afeganistão, como o Paquistão e o Irã.

Em setembro de 2021, o governo brasileiro anunciou a criação de um visto humanitário para afegãos. Segundo o Itamaraty, até o começo de agosto já foram emitidos 5.579 vistos dessa natureza. No entanto, afegãos que tentam obter o documento junto a embaixadas do Brasil no exterior, bem como instituições que atuam em apoio a imigrantes, relatam uma série de entraves que tornam o processo uma dificuldade a mais para quem tenta proteger a própria vida de perseguições e outras ameaças.

Serviço

Apresentação do projeto “Por um fio – Mosaico pelas mulheres afegãs”
Data: 27 de setembro de 2022, terça-feira
Local: Auditório da Missão Paz (Rua Glicério, 225 – Liberdade – São Paulo/SP)

Programação:
09:00 – 09:30 Café de boas-vindas
09:30 – 10:00 Montagem dos mosaicos no painel
10:00 – 10:30 Abertura com palavras das organizadores
10:30 – 11:00 Instalação/inauguração do painel no Pátio da Casa do Migrante

- Advertisement -spot_img
- publicidade -

Últimas Noticías