Com migrantes, grupo Performatron leva migração e refúgio para o teatro

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A questão migratória contemporânea também vai ganhar os palcos de São Paulo nos próximos dias. É com essa temática que estreia o primeiro espetáculo do grupo teatral Performatron, formado em 2014 e composto por brasileiros e migrantes.

Com o nome de São Paulo Refúgio, o projeto foi contemplado pelo Programa VAI, da Secretaria Municipal de Cultura, e será apresentado pela primeira vez nos dias 6, 7 e 8 de novembro no teatro Leopoldo Fróes, no bairro de Santo Amaro (zona sul).

Depois, o grupo passa a se apresentar no Museu da Imigração, também na capital paulista. Já estão confirmadas apresentações em duas sextas-feiras, nos dias 27 de novembro e 11 de dezembro, às 19h.

O elenco do grupo teatral Performatron, responsável pelo São Paulo Refúgio. Crédito: Vitor Manon/Divulgação
O elenco do Performatron, responsável pelo São Paulo Refúgio. Da esq. para dir: Érico Carvalho, Pitchou Luambo, Conrado Dess e Elise Garcia.
Crédito: Vitor Manon/Divulgação

“Percebemos que essa população de refugiados estava crescendo cada dia mais e ninguém falava sobre isso no teatro. Então, decidimos explorar esse território”, conta o ator Conrado Dess, um dos integrantes do grupo, sobre a origem da ideia do projeto. Ele também é responsável pelo roteiro e direção da peça.

Além de Dess, também integram o núcleo do Performatron os atores Érico Carvalho, Elise Garcia e o congolês Pitchou Luambo, que é também líder do Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem-teto (GRIST).

Pitchou chegou ao Perfomatron por meio da cineasta Eliane Caffé, que dirigiu um filme no qual ele atuou sobre a Ocupação Cambridge, em São Paulo. A princípio, ele entrou no projeto como um colaborador, mas logo foi ocupando mais espaço e rapidamente estava trabalhando no núcleo de criação.

“É uma nova aprendizagem. Não tinha um texto pronto, tudo foi se construindo junto, com base nas entrevistas com os refugiados, nos noticiários. É um processo bem transformador”, lembra Pitchou sobre o processo de elaboração do espetáculo.

A fase de elaboração do projeto também é lembrada com carinho por Dess, apesar da dificuldade em decidir o que seria incluído na peça. “Foi um processo bem intenso em que conhecemos muita gente e transformar tudo isso em um espetáculo foi bem complexo, mas prazeroso. É bonito ver, depois de tantos meses, aquelas histórias virando realidade no palco.

Para o São Paulo Refúgio o grupo conta ainda com o reforço do também congolês Tresor Muteba, estudante de Artes Cênicas da Unesp.

Pitchou Muambo, um dos integrantes do Perfomatron. Crédito: Vitor Manon/Divulgação
Pitchou Muambo, um dos integrantes do Performatron.
Crédito: Vitor Manon/Divulgação

Próximos passos e legado

O apoio do VAI ao projeto termina em dezembro, mas o Perfomatron já pensa em como dar continuidade ao trabalho e à mensagem repassada por ele.

“Pretendemos seguir com a peça; fazer uma temporada aqui em São Paulo no próximo ano e depois viajar por festivais pelo Brasil. Vamos nos inscrever para o VAI no ano que vem novamente com outro projeto que é a continuação do São Paulo Refúgio. Se tudo der certo, lançaremos um álbum com a parte musical desse trabalho”, explica Dess.

Para Pitchou, o teatro é mais uma forma de expressão das dificuldades e reivindicações da população migrante. E ele espera ver mais pessoas se engajando nessa direção, independente do formato escolhido. “Eu gostaria de ver os imigrantes na luta pelos seus direitos. O teatro foi uma forma que encontrei para ma manifestar, mas existem várias outras.

Com o projeto, Dess espera ajudar dar voz a uma população que é, muitas vezes, ignorada. “Desde o princípio, nos preocupamos em ser fiéis ao que os refugiados nos falaram e ao que eles queriam que levássemos para a cena. Nosso desejo sempre foi fazer um espetáculo que não se baseasse em reportagens, mas em relatos verdadeiros e acredito que conseguimos isso. É um experimento que leva informação à população brasileira que desconhece o assunto e cativa os refugiados que vão assistir suas histórias”.

Espetáculo São Paulo Refúgio
Data e hora: dias 06, 07 e 08 de novembro – sexta e sábado às 20h, domingo às 19h.
Local: Teatro Leopoldo Fróes – R. Antônio Bandeira, 114  – Santo Amaro – São Paulo (SP)
Duração: 90 minutos
Entrada: gratuita – ingressos distribuídos 1 hora antes do início do espetáculo
Classificação: 16 anos

No Museu da Imigração
Dias 27 de novembro e 11 de dezembro, às 19h
Museu da Imigração de São Paulo – rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca – São Paulo (SP)

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