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quarta-feira, outubro 14, 2026

Comunidade latina em São Paulo mobiliza ajuda humanitária para vítimas dos terremotos na Venezuela

Organizadora destacou a "resposta impressionante" das doações, que demonstram o desejo das pessoas de apoiar os afetados pela tragédia

Por Dolores Guerra

A comoção e a solidariedade tomaram conta da comunidade latina em São Paulo após os devastadores terremotos que atingiram a região central da Venezuela em 24 de junho. Por meio de uma mobilização articulada pelas organizações não governamentais Casa Venezuela BR e Missão Paz, sociedade civil, empresas e poder público uniram esforços para arrecadar e enviar donativos às vítimas da tragédia.

Segundo balanço da última quinta-feira (16), a Venezuela tem 4.930 mortos e 16.740 feridos em razão dos abalos de junho. Além disso, embora o governo venezuelano evite falar do tema, há cerca de 50 mil pessoas desaparecidas, segundo projeções da ONU, o que pode elevar significativamente esses dados.

Os abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter (que mede a intensidade de eventos desse tipo), ocorreram a aproximadamente 200 quilômetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo. Eles foram ainda seguidos por centenas de réplicas menores, que atrapalharam as buscas em momentos considerados cruciais para que sobreviventes fossem encontrados.

Campanha de arrecadação e pontos de coleta

A campanha, que tem como ponto central de coleta a sede da Missão Paz, localizada na região do Glicério, já recebeu um volume impressionante de doações. Em entrevista para o MigraMundo, Yasmín Monsalve, diretora executiva da Casa Venezuela BR, até o dia 10 de julho, cerca de 6 toneladas de donativos foram arrecadadas, provenientes de diversas cidades paulistas, como Campinas e Limeira, além da capital.

Entre os itens recebidos, estão alimentos não perecíveis, fraldas, papel higiênico, absorventes e medicamentos. A resposta da sociedade foi tão expressiva que a organização precisou interromper temporariamente a recepção para realizar a triagem do material. Apesar disso, a expectativa é que, ao todo, 18 toneladas possam ser enviadas ao país vizinho por meio deste posto de arrecadação .

Monsalve destacou a “resposta impressionante” das doações, que demonstram o desejo das pessoas de apoiar os afetados pela tragédia. Dois envios já partiram rumo a Caracas, e a organização segue trabalhando para enviar novas remessas.

Para dar conta da grande quantidade de insumos recebidos, a Casa Venezuela BR está convocando voluntários para auxiliar na catalogação dos itens. O trabalho é realizado durante o horário de funcionamento da Missão Paz, das 7h às 15h. Interessados em colaborar devem entrar em contato por meio do perfil no Instagram @casavenezuelabr .

A logística de envio dos donativos conta com parceiros estratégicos. Dois voos já transportaram ajuda humanitária do Brasil para a Venezuela: o primeiro, fretado pela Eurofarma, levou 10 toneladas de medicamentos; o segundo, disponibilizado pela GOLLOG, embarcou 6 toneladas de remédios e 350 mil doses de vacinas. O transporte é realizado a partir do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Caracas, onde a Embaixada do Brasil na Venezuela é responsável por redistribuir os suprimentos de acordo com as necessidades locais .

A mobilização ganhou força também em espaços culturais, como é o caso de La Chimba, uma casa noturna latina localizada na região do Bixiga, em São Paulo, que foi um dos pontos de arrecadação que destinou doações à Missão Paz. A assessoria do estabelecimento relatou que o público foi “muito receptivo, até nos surpreendemos”, e que, apenas no primeiro dia de campanha, foi contabilizada 1 tonelada de donativos .

Resposta local e internacional

Em resposta à tragédia, o governo venezuelano anunciou que já foram recebidas cerca de 10 toneladas de alimentos e conta com 2.471 resgatistas internacionais, 31.050 voluntários e 30.989 funcionários designados para as operações. Em 12 de julho, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um chamado urgente para arrecadar quase US$ 300 milhões destinados às operações de socorro em um país já fragilizado por uma prolongada crise econômica. Enquanto isso, o governo de Delcy Rodríguez busca negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a liberação de ativos financeiros para cobrir os reparos nas zonas afetadas.

As infraestruturas de transporte também foram severamente afetadas, incluindo o Aeroporto Internacional de Maiquetía, em La Guaira, o principal terminal aéreo da Venezuela. Danos foram reportados nos estados de Falcón, Yaracuy, Miranda e La Guaira, e nas cidades de Maracay, Valencia e Caracas .


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