Migrações e tráfico humano são debatidos em congresso internacional da Igreja Católica em SP

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Padre Paolo Parise, da Missão Paz, foi um dos presentes ao evento. Crédito: UNISAL São Paulo/Santa Terezinha

Por Fernando Mazer
Especial para o MigraMundo

Entre os dias 28 a 30 de setembro de 2016 aconteceu o II Congresso Internacional Doutrina Social da Igreja: A Doutrina Social da Igreja o Cuidado Misericordioso dos Mais Frágeis, realizado no UNISAL – Unidade São Paulo/Santa Terezinha, em parceria com a PUC-SP.

Com o lema “Não nos façamos de distraídos! Há muita cumplicidade” (Francisco, Evangelii Gaudium, 211) estudantes de teologia e pesquisadores discutiram sobre manipulação ideológica da comunicação, migração e tráfico de pessoas. O congresso contou com a presença de 450 participantes e com palestrantes de Brasil, Chile, Colômbia, Haiti, México, Espanha e Estados Unidos.

“O principio fundamental da Doutrina Social da Igreja é a defesa da dignidade humana e de seus direitos inalienáveis sempre na perspectiva teológica de que todo ser humano é feito a imagem e semelhança do Deus que professamos”, apontou Rosana Manzini, Diretora Operacional do UNISAL – São Paulo, coordenadora do Congresso.

Evento ocorreu em São Paulo e debateu manipulação ideológica da comunicação, migração e tráfico de pessoas. Crédito: UNISAL São Paulo/Santa Terezinha
Evento ocorreu em São Paulo e debateu manipulação ideológica da comunicação, migração e tráfico de pessoas.
Crédito: UNISAL São Paulo/Santa Terezinha

Bispo de Yucatan (México) e membro do CELAM, Dom Gustavo Rodrígues abriu o ciclo de palestras falando sobre as Urgências eclesiais segundo o papa Francisco. Ele falou sobre a preocupação do papa com a violação da dignidade humana e a negação de seus direitos elementares.

No segundo dia, Susana Nuin Nuñes, diretora da Escola Social do Centro Bíblico Teológico e Pastoral para a América Latina falou sobre ideologia midiática. Professores da PUC – SP Alex Villas Boas e Fernando Altemeyer Junior participaram da mesa-redonda que discutiu a manipulação ideológica da comunicação.

A Professora Susana destacou a importância das mídias alternativas ante o monopólio das informações por parte das grandes mídias. O professor Alex, através da teoria de Inconsciente Coletivo de Jameson e a função geral da ideologia de Paul Ricoeur mostrou como é fácil manipular as informações através das mídias. Quando se acha que tem a opinião crítica formada, na verdade a pessoa é formada por uma opinião que é fruto de uma ideologia que está sendo lançada.

A tarde foi tratado o tema migração que contou com palestras do padre Paolo Parise, da Missão Paz – São Paulo, que mostrou dados estatísticos da migração no mundo. Outra mesa-redonda, com o tema “Migração: um escândalo mundial”, contou com as participações da professora Márcia Maria Cabreira Monteiro de Souza, da PUC-SP, e da Diretora do Instituto Haitiano de Doutrina Social Cristã, Anis Deiby Valencia.

Padre Paolo Parise, da Missão Paz, foi um dos presentes ao evento. Crédito: UNISAL São Paulo/Santa Terezinha
Padre Paolo Parise, da Missão Paz, foi um dos presentes ao evento.
Crédito: UNISAL São Paulo/Santa Terezinha

No terceiro dia o consultor junto à ONU para questões de pobreza e tráfico humano, padre Thomas Brennan falou sobre o tráfico de pessoas. Guilhermo Sandoval, membro do CELAM – Santiago do Chile falou sobre trabalho escravo através de uma videoconferência. Durante o evento alunos e professores das universidades fizeram comunicações sobre outros temas relacionados à Doutrina Social da Igreja.

Balanço do evento

O Reitor do UNISAL – São Paulo, padre Ronaldo Zacharias, encerrou o Congresso refletindo a importância dos temas apresentados. “Não é possível estudar teologia sem enfrentar as ondas bravias e impetuosas que provêm dos desafios da realidade. Imaginar-se num barco que desliza suavemente sobre a calmaria das águas de um lago é correr o risco de naufragar no silêncio da Insignificância”.

Para o aluno do 3º ano de Teologia do UNISAL, José Rodolfo Galvão o congresso tocou em temas importantes para a sociedade e a Igreja. “Os temas tratados tocaram no cerne da vulnerabilidade de nossa sociedade, e por isso mesmo, não podem ser deixados de lado pela Igreja, que é a presença de Cristo na humanidade… Para sermos fieis a missão que recebemos do Senhor devemos cuidar dos mais frágeis, defender aqueles que mais necessitam, tocar a vida dos mais pobres, como nosso Mestre o fez… Caso contrário, corremos o risco de nos fecharmos nas nossas igrejas… de tornarmos nossa fé algo insignificante… É preciso gerar vida por onde passarmos, onde estivermos, e é preciso que a Igreja esteja nesses lugares, ao lado dos mais necessitados”.

Para Anis Deiby Valencia, colombiana radicada no Haiti, o evento é uma excelente ideia porque permite trocar experiências sobre temas da atualidade. “Desta vez tratamos do tema da imigração, trafico de pessoas e trabalho escravo que são temas da atualidade e que nos pediu pessoalmente o papa num encontro da RedeLapsi tratá-los, porque essa é uma ferida grande que temos na Igreja. Essa é uma resposta. O mais importante depois do congresso são as ideias que surgiram e que devem ser aplicadas porque não se trata apenas de reflexionar, mas de um trabalho prático, compartilhar com outras pessoas, de ver como o tema se trata em diferentes lugares e as respostas que estão dando que motivam a um continuar o trabalho”.

 

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