Contra o fascismo e a xenofobia, uma dose de anarquia?

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A crise que assola a Grécia é terreno fértil para a escalada do Aurora Dourada, partido de inspiração neonazista, que culpa os imigrantes pelos males econômicos e sociais do país. Mas enquanto são construídos centros de detenção para estrangeiros e um muro é erguido na fronteira com a Turquia, um grupo abre centros sociais que ensinam grego, arte e dança, tudo de graça.

A iniciativa é do grupo Nosotros, instalado em Exarchia, bairro de Atenas e um dos centros de efeverscência anarquista da capital grega. O objetivo é justamente minimizar as ações do Aurora Dourada, que conta com 18 cadeiras no Parlamento grego e já controla a polícia – fator fundamental para as ações anti-imigrantes do partido (veja aqui, em vídeo, um exemplo de ataque dos militantes do partido) .

Os centros sociais são parte da estratégia do grupo, de buscar uma maior interação com a sociedade. De lá também surgem reuniões e ideias para combater o fascismo. O Nosotros também tem uma revista eletrônica, chamada Babylonia (em grego e sem versões para o inglês ou outros idiomas).

O grupo foi tema de uma das reportagens do “Especial Grécia – Relatos de uma crise sem fim“, elaborado pelo portal Opera Mundi, que também inclui material sobre os centros de detenção para imigrantes em situação irregular e a construção do polêmico muro na fronteira com a Turquia.

Será que doses maiores de anarquia ajudariam a Grécia? A crise no país, que acendeu o sinal vermelho na Europa, já mostrou ser mais complexa do que parece. Mas grupos como o Nosotros e outros que surgem em meio a caos financeiro e social ajudam a mostrar uma outra Grécia, que deseja ver o país superando a crise mas sem abrir mão das conquistas sociais – ou seja, não se rende às exigências do FMI e União Europeia, e nem às demagogias e racismos da extrema direita.

Veja mais sobre a crise grega no especial do Opera Mundi.