Curso em São Paulo leva público às comunidades e espaços balcânicos na cidade

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Oficina Comunidades e Espaços Balcânicos em São Paulo, realizado pelo SESC São Paulo. Crédito: Glória Branco

SESC São Paulo promove oficinas sobre história e expressões culturais de países como Sérvia, Croácia e Bulgária

Por Glória Branco
De São Paulo (SP)

Começou com música e dança as oficinas “Comunidades e Espaços Balcânicos em São Paulo”, realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação do SESC São Paulo. No primeiro dia, em 05 de junho, os participantes mergulharam no mundo das Canções Étnicas Croatas e aprenderam sobre as raízes dos ritmos peculiares da região, originárias dos ritmos bizantino, grego e otomano.

Com palestra da cantora e diretora musical do Grupo Mawaca, Magda Dourado Pucci, foram citados nomes da cena musical da península balcânica como Esma Redzepova, grande rainha da música dos Bálcãs falecida em dezembro de 2016, o compositor Krasimir Kyurkchiiski e o grupo musical cigano Taraf de Haidouks, que tiveram grande expressão mundial nos anos 80, principalmente na Europa.

Vindo da Bulgária, um jeito especial de cantar com sonoridade mais gutural e diafônica, harmonias dissonantes e eterofônia também ganhou o coração do continente nas vozes de mulheres camponesas conhecidas como O Mistério das Vozes Búlgaras. Originalmente, foi criado como Coro Vocal Feminino da rádio e televisão estatais do país em 1952, por Philip Koutev. Em 1986 e 1988, o selo alternativo inglês 4AD lançou coletâneas já sob o nome que marcou o timbre inequívoco pelo mundo todo.

Oficina Comunidades e Espaços Balcânicos em São Paulo, realizado pelo SESC São Paulo.
Crédito: Glória Branco

Nos anos 90, os Balcãs ganharam destaque também no cinema com o filme Time of The Gypsies (Vida Cigana), do premiado Emir Kusturica, cineasta e músico sérvio, e com trilha sonora de Góran Bregovich, músico e compositor sérvio-bósnio que se destacou por modernizar a música tradicional sérvia com ritmos pop. Ederlezi, uma canção em homenagem a chegada da Primavera e ao dia de São Jorge, foi adaptada e ganhou novo arranjo pelas mãos de Góran, eternizando uma das cenas icônicas do filme.

Recentemente, grupos de músicos jovens, DJ’s, instrumentistas ligados ao rock e a música eletrônica começaram a usar elementos da música balcânica na composição de suas canções. Os principais exemplos do estilo são os Balcan Beat Box, Beirut e Gogol Bordello. Grupos pop que chamam a atenção do público e que, muitas vezes, tem o papel de despertar o interesse para conhecer outros gêneros e artistas da música balcânica.

No Brasil existe um grande movimento de grupos ligados à musica étnica balcânica, como: o já citado Mawaca, que canta canções em mais de 20 línguas; o Grupo Mutrib, gipsy band voltado para o repertório dos Bálcãs e do Mediterrâneo Oriental e que tem em sua formação alguns integrantes do Mawaca como Gabriel Levy; o Grand Bazaar, grupo que faz um passeio pela música dos Bálcãs, Leste Europeu, cigana, entre outras; e a Orkestra Bandida, ligado à Fundação Tarab.

Na dança também existem grupos atuantes no Brasil, encabeçados por Betty Gervitz e Mariana Paunova que trabalham com esse repertório há muito tempo. Em 2013, organizado pela Betty aconteceu um festival de danças e músicas dos Bálcãs que trouxe ao país vários artistas da região para ministrar oficinas e apresentações musicais. Mariana é búlgara e produz muitas oficinas de danças do Leste Europeu pelo Brasil.

Depois foi a vez da cantora da Istria, Elis Lovric palestrar sobre a história e a cultura do lugar e suas relações com o passado e com o presente, por meio do uso de dialetos regionais. A Istria é dividida entre três países (Croácia, Eslovênia e Itália), incrustada no mar Adriático, e tem a maior parte de seu território na Croácia. Elis chegou aos Brasil para algumas apresentações e premiará o público de São Paulo com seu último show, nesta quarta-feira (07), na Praça Benedito Calixto a partir das 20h.

A cantora Elis Lovric em apresentação durante oficina no SESC São Paulo.
Crédito: Glória Branco

A oficina terminou com todos os participantes dançando um Horo Kolo, uma coreografia especifica das danças em rodas tradicionais da península balcânica.

A próxima aula será no dia 07 de junho e contará um pouco da história, arte e cultura da Sérvia. As atividades se estendem até o dia 19 e devem incluir visitas à sede da SADA (Sociedade Amigos da Dalmácia), que promove a cultura croata, e uma apresentação sobre a Feira Temática do Leste Europeu, que acontece mensalmente na região da Vila Prudente. A programação completa pode ser vista neste link.

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