De imigrante para imigrante: campanha busca quebrar o silêncio e encorajar a denúncia para combater a violência

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A violência é um problema que não escolhe crença, gênero, classe social ou nacionalidade. E no caso dos imigrantes, muitos casos acabam esquecidos porque não são relatados aos organismos competentes. Estimativas extra-oficiais apontam que em torno de 80% dos casos de violência contra imigrantes não chegam ao conhecimento das autoridades, pois eles não têm costume de fazer o Boletim de Ocorrência (B.O.) na delegacia mais próxima.

É para quebrar esse círculo vicioso que alimenta a violência e encorajar o imigrante a denunciar e lutar contra ela que existe a campanha Violência Não – Quebrando o Silêncio, criada por dois bolivianos residentes em São Paulo: Antonio Andrade Vargas, diretor dos portais Bolívia Cultural e Planeta América Latina, e Isabel Mercado Sandoval, voluntária da Pastoral do Imigrante e Missão Paz.

A temática principal da campanha é a do diálogo preventivo como melhor forma de combater o crime, por meio de peças informativas, promocionais e motivacionais em diferentes meios – cartazes, guias de bolso, animações para televisão e internet, redes sociais, entre outras.

O lançamento oficial foi em 9 de agosto de 2014, com a primeira edição do Guia de Bolso – que reúne contatos de uma série de entidades públicas e privadas de interesse para o imigrante e dá dicas de prevenção contra a violência. E desde 4 de maio deste ano é possível fazer denúncias por meio do recém-lançado site do Violência Não, de forma totalmente anônima.

Além das apresentações culturais, público presente pode contar com serviços e material de orientação migrante. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Guia de Bolso da campanha Violência Não, cuja primeira edição foi lançada em agosto de 2014.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Como denunciar?

Para fazer a denúncia é bem simples: basta acessar o site do Violência Não em uma das dez categorias presentes e preencher os dados solicitados – idade, se sofreu ou presenciou uma situação de violência, nacionalidade, idade, bairro e cidade onde vive, descrição, local e data da ocorrência, se foi feito ou não o B.O.

Em nenhum momento são pedidos dados pessoais do imigrante na denúncia. Além disso, a garantia de anonimato e sigilo sobre o denunciante e os dados informados é absoluta – independente da nacionalidade ou situação migratória do denunciante.

Após o preenchimento do formulário, o sistema cataloga os dados e gera um ponto sobre um mapa do Google Maps. Com esse ponto, a equipe responsável pelo Violência ajuda a identificar as áreas com casos de violência contra imigrantes em uma determinada área. Assim, além de encorajar as denúncias, a campanha também atinge outro objetivo: criar um banco de dados colaborativo a partir desses casos para ajudar as autoridades no combate aos crimes.

Andrade lembra ainda que, mesmo com a denúncia feita, é importante que o imigrante também procure registrar o caso por meio do B.O na delegacia mais próxima ou pela internet, até como forma de ajudar a quebrar o silêncio e encorajá-lo a lutar contra a violência. “É preciso denunciar os casos, fazer com que cheguem às autoridades, mostrar como o imigrante pode fazer isso”, reforça.

Campanha encoraja imigrante a quebrar o silêncio e denunciar casos de violência. Crédito: Violência Não
Campanha encoraja imigrante a quebrar o silêncio e denunciar casos de violência.
Crédito: Violência Não

O site da campanha conta ainda com dicas de segurança a serem adotadas nas ruas, no comércio, no transporte coletivo e outras situações cotidianas – e que podem ser aplicadas perfeitamente por qualquer cidadão, independente da nacionalidade.

Próximos passos

Além do guia de bolso, do site e das peças de divulgação, a campanha em breve passará a contar com um aplicativo para smartphones (iPhone e aparelhos Android) por meio do qual o imigrante também poderá fazer as denúncias e ter acesso às dicas da campanha contra a violência.

Com isso, a ideia é facilitar a busca e monitoramento dos locais mais perigosos da cidade de forma rápida e colaborativa, ajudando assim o poder público em ações de combate à violência.

Promovida especialmente por Bolívia Cultural e Planeta América Latina, a campanha Violência Não conta atualmente com os apoios da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos (DPCDH), Centro Pastoral e de Mediação dos Migrantes (CPMM) e Presença da América Latina (PAL), além do apoio institucional dos Consultados-Gerais da Bolívia, Equador e Peru em São Paulo.

Links de interesse:

Violência Não (site) – http://www.violenciano.com.br/index.html

Violência Não (página no Facebook) – https://www.facebook.com/VIOLENCIANO.BR?fref=ts

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