Dia Internacional do Imigrante: para celebrar, refletir e agir

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Ilustração na Casa do Migrante, em São Paulo, que ilustra bem o ato de migrar. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Desde 2000 o mundo aproveita o 18 de dezembro para celebrar o Dia Internacional do Imigrante. Até pela proximidade com o final de ano, é um momento oportuno para refletir, reconhecer dificuldades e avanços obtidos, e também para pensar nos novos caminhos possíveis.

Já parou para pensar na presença das migrações e seus efeitos diretos e indiretos na história da humanidade?

Dos primeiros deslocamentos que povoaram os continentes, passando pelas grandes navegações e pela Revolução Industrial até os dias atuais, o fenômeno migratório está sempre presente, embora muitas vezes seja ignorado ou mesmo criminalizado, como nos dias atuais. De acordo com a ONU, atualmente são cerca de 258 milhões de migrantes no mundo.

Uma coisa deve-se ter em mente: migrar não é uma experiência fácil. Ser migrante não é ser turista. Afinal, o turista volta a seu país dentro de poucos dias ou semanas. Já o migrante deixa sua terra natal em busca de melhores opções de vida ou mesmo para salvá-la, dependendo da situação presente em determinada região – guerras, perseguição política e social, violência, pobreza extrema, mudanças climáticas, entre outros fatores…

No entanto, o que devia ser visto e tratado como um fenômeno humano é cada vez mais perseguido e estigmatizado. Muros proliferam mundo afora – e não apenas os que são de concreto e arame farpado, mas também os muros erguidos pela intolerância, desconfiança, preconceito, medo e xenofobia. Líderes mundiais se aproveitam desses sentimentos nefastos para alimentá-los e colocar os migrantes como inimigos públicos, alimentando um círculo vicioso que parece cada vez mais difícil de romper.

Esses muros materiais e imateriais também impedem que se veja o outro lado, que se visualizem as possibilidades que as migrações abrem para as sociedades – oportunidades culturais, econômicas sociais.

Cada migrante deveria ser visto como uma janela que ajudaria a entender melhor os mundos que estão há milhares de quilômetros de distância. Essa possibilidade se torna ainda mais rica e viável à medida que o migrante toma consciência do seu papel e de sua voz e consegue se afirmar, falar por si.

Especialmente em tempos obscuros como os de hoje, nos quais valores humanos e humanitários conquistados e construídos ao longo de décadas vem sendo questionados e atacados constantemente, é preciso lutar por sua preservação – e por que não, também, por sua ampliação?

Somente com esse engajamento e união de esforços, em nível local e global, será possível mostrar e comprovar que a migração é um direito humano e fenômeno social, com potencial para aprimorar as sociedades, tornando-as mais abertas, humanas e inclusivas, E dessa forma,
reunir forças para romper com o círculo vicioso alimentado pelo ódio.

Para encerrar, uma pequena mensagem do atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres – que por muito tempo foi chefe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR:

“A solidariedade com migrantes nunca foi mais urgente. A migração sempre esteve conosco. Desde tempos remotos, as pessoas se movem em busca de novas oportunidades e vidas melhores”.

Feliz Dia Internacional do Imigrante!

 

PS: Mundialmente o Dia do Imigrante é celebrado em 18 de dezembro, instituído pela ONU em 2000 por conta do aniversário de dez anos da Convenção Internacional para Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias – um compromisso, aliás, que ainda não recebeu adesão do Brasil.

 

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