“Dia Sem Imigrantes” fecha estabelecimentos e leva milhares de pessoas às ruas nos EUA

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Restaurante com aviso de que está fechado em apoio aos imigrantes nos EUA. Crédito: Artaxerxes/ Wikimedia Commons

Quinta-feira foi de boicotes, estabelecimentos fechados e protestos em apoio aos imigrantes nos EUA 

Por Rodrigo Borges Delfim
Foto de Artaxerxes/Wikimedia Commons

As políticas anti-imigração adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuam motivando protestos dentro e fora do país. E a manifestação mais recente é o Day Without Immigrants (Dia Sem Imigrantes, em tradução livre), impulsionada nas redes sociais pela hashtag #DayWithoutImmigrants

A ação é uma combinação de protestos e greves em todo o país, na qual restaurantes, escolas e outros estabelecimentos comerciais fecharam as portas durante esta quinta-feira (16), em apoio aos imigrantes – até mesmo um museu no Estado de Massachusetts retirou as peças de arte criadas por imigrantes como forma de apoiar a causa. Ao mesmo tempo, os imigrantes também foram convidados a não ir trabalhar, a não ir à escola e a não comprar nada por um dia, como forma de mostrar a importância de cada um deles para a economia, para a cultura e para a toda a sociedade do país.

De acordo com informações da NPR (National Public Radio), o dia de protesto foi marcado depois que agentes da Imigração e da Alfândega dos Estados Unidos prenderam 680 pessoas ao longo da última semana. O governo alega que as ações eram rotineiras e miravam apenas imigrantes com antecedentes criminais. O fato alarmou defensores dos imigrantes no país.

O vídeo abaixo, feito pela agência de noticias France Presse, mostra o boicote feito por restaurantes em Washington, a capital dos Estados Unidos, em apoio ao protesto:

Além de Washington, foram registradas manifestações de rua em apoio ao #DayWithoutImmigrants em diversas outras cidades dos Estados Unidos, como Austin, Chicago, Charlotte, Philadelphia e Atlanta.

Dados da Restaurant Opportunity Centers United, divulgados pelo jornal USA Today, apontam que os imigrantes são a maioria dos trabalhadores em restaurantes nos Estados Unidos, percentual que chega a 70% em cidades como Nova York e Chicago. A entidade luta para melhorar as condições de trabalho dos imigrantes nesses estabelecimentos. Estima-se que 1,3 milhão de imigrantes que trabalham nos restaurantes dos Estados Unidos estejam indocumentados.

Repercussão

Nas redes sociais, as manifestações se dividem entre apoios e críticas ao protesto:

Entre os críticos do Dia Sem Imigrantes, muitos argumentos calcados em valores conservadores, mas também não faltaram preconceitos e estereótipos sobre imigrantes de determinadas regiões do planeta.

 

Ideia que se repete

O boicote promovido nesta quinta-feira não foi o primeiro em apoio aos imigrantes nos Estados Unidos. O atual Dia Sem Imigrantes acontece uma década depois de outro grande movimento nacional, o Great American Boycott (Grande Boicote Americano, em tradução livre), realizado em 1º de maio de 2006 em protesto contra o Illegal Immigration Control Act, publicado no ano anterior pelo governo do então presidente George W. Bush.

A data foi escolhida para coincidir com o Dia Internacional do Trabalhador como forma de apoiar os imigrantes que, mesmo indocumentados, ajudam a movimentar a economia dos Estados Unidos. Na época, os imigrantes também eram encorajados por um dia a gastar o mínimo de dinheiro possível (ou mesmo não gastar nada). O México e países da América Central, regiões de origem de muitos dos imigrantes que vivem com ou sem documentos nos Estados Unidos, também planejaram boicotes de um dia a produtos dos Estados Unidos.

Com informações de CNNNPR, USA Today e BBC Brasil

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