Diversidade e engajamento foram surpreendentes, diz João Guilherme sobre preparação para a Comigrar

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Os resultados preliminares da fase preparatória para a 1ª Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio (Comigrar) surpreenderam os organizadores. Entre o fim de novembro (quando aconteceu a Conferência Municipal de São Paulo e o lançamento da Comigrar) e 31 de março deste ano foram registradas mais de 200 etapas, realizadas nas cinco regiões brasileiras e até mesmo no exterior.

“Estávamos pouco ambiciosos em relação ao processo, ao volume da participação. E a diversidade foi surpreendente, assim como o engajamento”, afirma João Guilherme Granja, diretor do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça, vinculado ao Ministério da Justiça.

A Comigrar, que acontece de 30 de maio a 1º de junho deste ano,  é coordenada pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Justiça/Departamento de Estrangeiros, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério das Relações Exteriores. O evento conta ainda com o apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 

As propostas coletadas nessas conferências ainda estão em fase de sintetização, mas já é possível tirar ensinamentos que ajudam a expandir a visão do cenário migratório no Brasil. “É um leque muito rico de olhares, que sinaliza uma pluralidade de pontos de vista e uma contribuição muito qualificada para o realinhamento de pensamento sobre migrações no país”, diz João Guilherme. Saiba mais na entrevista abaixo:

MigraMundo: Já é possível fazer uma avaliação das conferências e propostas como um todo? Há pontos em comum em relação às propostas feitas nas diferentes conferências?

João Guilherme Granja: Estamos ainda no processo de sistematização, mas dá pra ver algumas tendências. Nós conseguimos despertar o interesse de grupos migrantes e que estão interessados em debater migrações num nível muito maior do que esperávamos no começo. A ideia foi criar um modelo leve que pudesse ser replicado, e o volume das conferências [mais de 200, entre novembro e março] surpreende positivamente.

João Guilherme Granja, diretor do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça, órgão vinculado ao Ministério da Justiça. Crédito: Divulgação
João Guilherme Granja, diretor do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça, órgão vinculado ao Ministério da Justiça.
Crédito: Divulgação

A diversidade das propostas também chama a atenção. Elas se se desdobram, criticam, sugerem um bom padrão e análises de possíveis políticas públicas. Elas incluem serviços públicos, sugestões de como aproximar comunidades e de como reforçar o papel das organizações da sociedade civil. É um leque muito rico de olhares, que sinaliza uma pluralidade de pontos de vista e uma contribuição muito qualificada para o realinhamento de pensamento sobre migrações no país.

É possível notar diferenças entre as demandas apresentadas nas etapas preparatórias, de acordo com a região do país?

O recorte regional sempre mostra nosso pluralismo e as nuances são bem visíveis. A proximidade da região Sul com o Cone Sul, por exemplo, produz demandas diferentes de outras localidades. Mas estamos visualizando também os processos fora das grandes metrópoles, o que amplia a visão do que é o migrante. Também percebemos que nossas cidades médias e capitais regionais começam a ter essa percepção da diferença e presença dos imigrantes. Mesmo aquelas localidades que não conseguiram oferecer infraestrutura pra conferências se propuseram a ajudar em convocatórias livres paras esses eventos.

Nossa ideia é ajudarmos e estimularmos o pensamento em torno do tecido migratório. É papel do Estado fazer com que essas redes se adensem.

Do resultado dessas conferências, tem algo que saltou aos olhos e surpreendeu a organização da Comigrar?

Estávamos pouco ambiciosos em relação ao processo, ao volume da participação e a diversidade foi surpreendente, assim como o engajamento. É tocante a pluralidade com que a sociedade se organizou coletivamente e produziu esse tipo de organização. Ainda temos problemas para discutir gênero, racismo social, mas o próprio chamado para um processo aberto à sociedade na área migratória e de cidadania, sem discriminação, já rompe um paradigma que não tinha sido cruzado por outra iniciativa.

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