Documentário “100% Boliviano, Mano” ajuda a quebrar estereótipos sobre a comunidade

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O que vêm à sua mente quando ouve falar de bolivianos em São Paulo? Provavelmente as diversas denúncias de oficinas de costura que mantinham os imigrantes em condições análogas à escravidão, ou mais recentemente a trágica morte do menino Brayan – sem contar as manifestações estúpidas de preconceito das quais são alvos.

Sem negar as dificuldades vividas por aqui, quebrar esse estereótipo sobre os bolivianos é um grandes desejos da comunidade. E o minidocumentário “100% Boliviano, Mano” pode ser um bom começo para ajudar enxergar a comunidade de uma outra maneira.

“Eu posso ser qualquer coisa, menos costureiro”

A fala acima é do jovem Denilson Mamami, 15 anos e personagem principal da produção. Nascido na Bolívia e morador do Bom Retiro, tradicional reduto migrante de São Paulo, veio ao Brasil com 9 anos para morar com a mãe. A exemplo de outros jovens da mesma idade, “Choco”, como também é conhecido, quer ingressar na universidade, construir uma boa carreira e família, ser orgulho dos pais – o que, para ele, passa bem longe de uma máquina de costura.

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Para trabalhar no Brasil, a mãe de Choco o deixou ainda bebê na Bolívia. Apesar do pouco contato com ela na infância, o jovem hoje diz entender as razões da mãe e a coloca como sua grande incentivadora e responsável por tudo o que conquistou até agora. “Antes eu pensava como uma criança, querendo me vingar, fazer besteira (sobre piadas que sofria por ser boliviano). Só que com o tempo comecei a descobrir que minha mãe trabalha para mim, me dá roupa, comida, tenho um telhado onde morar. Por isso agradeço a minha mãe, porque ela me deu tudo o que eu nunca tive”, explica Choco.

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Por meio do cotidiano de Choco e sua família é possível tomar conhecimento de outros aspectos e dados relacionados à comunidade boliviana. Um deles é a festa que ocorre todo dia 6 de agosto no Memorial da América Latina, zona oeste de São Paulo, em homenagem à independência da Bolívia; outro é a praça Kantuta, próxima à estação Armênia do metrô de São Paulo e tradicional ponto de encontro cultural, gastronômico e de serviços da comunidade aos fins de semana – sem falar nas manifestações culturais que não estão citadas na miniprodução.

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Os bolivianos começaram a se estabelecer de forma mais intensa na década de 1990, devido à crise econômica no país natal, e hoje são considerados a maior comunidade latino-americana residente no Brasil. A Pastoral do Imigrante estima que entre 50 mil a 200 mil bolivianos vivem em São Paulo, concentrados em bairros centrais como Brás e Bom Retiro –  como muitos estão em situação ilegal no país, fica difícil comprovar tais dados.

O documentário “100% Boliviano, Mano” foi produzido pela Agência Pública de Jornalismo, em parceria com a Grão Filmes. A produção foi contemplada pelo 4º edital Sala de Notícias do Canal Futura, onde foi exibido no último dia 23 de setembro.

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