É preciso maturidade para fazer intercâmbio?

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Fazer intercâmbio é uma das experiências mais incríveis que uma pessoa pode ter na vida, ao meu ver. Ao mesmo tempo, é chato ver pessoas que, diante desse mundo de possibilidades de aprendizado, acabam ficando apenas com a diversão e jogam fora todo esse potencial, fazendo da viagem um verdadeiro desperdício de tempo e dinheiro.

Para um intercâmbio dar certo – em especial no caso dos brasileiros, muitos dos quais que usam o período de 30 dias de férias para realizá-lo – é preciso ter foco no objetivo da viagem. Intercâmbio, como o próprio nome já mostra, é uma troca de experiências. Mas nem sempre é isso o que se vê entre os intercambistas.

O que falo é baseado na experiência que tive com meu intercâmbio no Canadá, que está nos momentos finais, mas a situação também ocorre em outras instituições e países, não importando a nacionalidade dos estudantes. É bem comum ver dentro da escola rodinhas nas quais os intercambistas, em vez do treino do inglês ou do idioma ao qual se propuseram ao aderirem ao curso, falam nos idiomas maternos. É ainda pior quando aproveitam a ocasião para falar mal ou fazer piadas dos hábitos e costumes de colegas de outros países. Nesse caso, perde-se a oportunidade de fazer amizades com pessoas de outros países e tanto de aprender uma cultura diferente como ensinar sobre a própria e desfazer certos estereótipos que costumam rotular certas nacionalidades.

É normal, em especial quando se passa um longo tempo longe do próprio país, sentir saudades de falar a língua materna. Mas definitivamente a escola na qual é feito o curso não é lugar para tal. Existem tantos outros locais para se fazer isso, como bares, parques, festas… E mesmo neles, quando se usa apenas a língua materna, perde-se a oportunidade de treinar o idioma estudado em uma situação cotidiana.

Intercâmbio é uma experiência curta na maioria das vezes, e que ainda não está acessível financeiramente a muitas famílias – tomando Brasil como exemplo. É comum saber de pessoas que fazem economias por um longo tempo e até vendem bens (carros, motos, entre outros) para poder fazer o tão sonhado intercâmbio. Ao mesmo tempo, é também comum ver a situação contrária, na qual o estudante viaja com tudo pago pela família – ou até mesmo pela empresa na qual trabalha – e faz do intercâmbio uma simples viagem turística ou para compras, jogando fora todo o potencial que a viagem poderia adicionar à pessoa.

Seria necessário alcançar um certo grau de maturidade para se fazer um intercâmbio, evitando que ele vire uma viagem convencional? Mesmo incentivando todos que conheço a fazer um intercâmbio em algum momento da vida, cada vez mais creio que a resposta para a pergunta é sim.

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