Em São Paulo e Nova York, imigrantes de ontem e de hoje

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Por Carla Alexsandra Ribeiro*

A primeira visão que os novos imigrantes tinham ao chegarem aos Estados Unidos entre os anos de 1880 e 1954 era a figura de Lady Liberty. A Estátua da Liberdade representou, aquela altura, não só a liberdade como também a esperança renovada pelas oportunidades de trabalho e melhores condições de vida.

Nesse mesmo período, milhares de imigrantes chegavam também ao nosso Porto de Santos e de lá seguiram para as fazendas de café no interior paulista. Qual a diferença entre os imigrantes que seguiram para a América do Norte e para a América do Sul? Nenhuma. Para ambos os destinos, as mesmas esperanças e as mesmas motivações.

O antigo centro de imigração de Ellis Island em Nova York conta atualmente com a exposição temporária Retratos Imigrantes (também presente e realizada em conjunto com o Museu da Imigração do Estado de São Paulo), que consiste em fotografias dos imigrantes que chegaram nesses dois grandes centros de hospedagem. Ao confrontarmos as fotos dos imigrantes, logo percebemos que não há qualquer diferença entre os que seguiram para o norte e os que seguiram para o sul. Também em ambos os países, as propagandas para atraírem novos trabalhadores traziam os mesmos chamativos: renda e terra. A possibilidade de trabalhar e capitalizar (e quem sabe, um dia retornar ao país natal com os bolsos cheios) e a terra que seria doada pelos governos, mas que demorou muito para ser comprada pelos imigrantes constituía-se o grande “chamariz” para que italianos, poloneses, albaneses, portugueses, judeus e os orientais seguissem para o “Novo Mundo”.

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Retratos da exposição Retratos Imigrantes, que ficam até setembro no Museu da Imigração de São Paulo; mostra também está em Nova York. Crédito: Divulgação

O que podemos dizer que o Museu de Ellis Island difere do nosso Museu da Imigração em São Paulo é a grande exposição dos recuos ou retrocessos na abertura para a imigração nos Estados Unidos. O movimento Nativista (América para os Americanos, anos 1970-80), o ato de George Bush em 2002 (“Período de Hostilidade”, após os ataques de 11/9) e os protestos anti-imigração em diversos momentos da história estadunidense (protestos de rua, Ku Klux Klan) são de muita consternação para àqueles que defendem a imigração e a reconhecem como uma questão humanitária e de ganhos econômicos, sociais e culturais para os nativos.

A exposição temporária em Ellis Island mostrando fotos antigas e atuais da Hospedaria de São Paulo afirma para o mundo a nossa posição para o recebimento e acolhimento de imigrantes em nosso país. Uma observação mais detida nesse espaço nos revela a curiosidade daqueles que prestigiam a exposição, visitantes do mundo inteiro que passam a conhecer também um pouco da nossa história e da formação de nosso povo. É impossível não nos sentirmos orgulhosos diante desse interesse.

Fachada da antiga hospedaria de Ellis Island, que também virou museu sobre imigração. Crédito: Divulgação
Fachada da antiga hospedaria de Ellis Island, que também virou museu sobre imigração.
Crédito: Divulgação

Em novembro de 2014, ao defender sua proposta de reforma na política migratória do país, o Presidente Barack Obama disse que os Estados Unidos da América é um país de imigrantes. O Brasil também e, como nos Estados Unidos, continuamos a receber novos imigrantes todos os dias. Hoje o que esses dois Museus fazem é manter viva a história da migração e nos lembram a todo o momento que somos todos imigrantes.

A Exposição Retratos Imigrantes está no Museu da Imigração em São Paulo até 6 de setembro; em Ellis Island a mostra pode ser visitada até o dia 30 do mesmo mês. Com a curadoria de João Kulcsár, ela promove um intercâmbio entre acervos iconográficos do Museu de Imigração do Estado de São Paulo e o Museu de Imigração de Nova York. Ela é composta por 40 fotografias das duas primeiras décadas do século 20, e apresenta as semelhanças do cenário imigratório da época nos dois países.

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