Empresa alemã pioneira na vacina contra Covid-19 foi fundada por cientistas de origem turca

O casal Ugur Sahin e Özlem Türeci , ambos filhos de imigrantes turcos, fundaram a empresa alemã Biontech, responsável pela primeira vacina anunciada no mundo capaz de matar o coronavírus em 90% dos casos.

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Primeira vacina a ser anunciada no mundo como combativa ao coronavírus foi lançada pela Pfizer e pela empresa Biontech, fundada por dois cientistas filhos de imigrantes turcos. (Crédito: Pixabay)

A primeira vacina a ser anunciada contra o novo coronavírus (Covid-19) foi elaborada pelo laboratório americano Pfizer, em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech. E esta, por sua vez, tem como fundadores Ugur Sahin e Özlem Türeci , um casal de cientistas, ambos de ascendência turca.

No dia 9 de novembro, os cientistas anunciavam a eficácia da vacina pioneira contra o vírus Sars-Cov-2. Assim, a empresa com mais 1.300 funcionários de 60 países, sendo mais da metade mulheres e com alto nível de escolaridade – segundo informa a empresa em seu site – saltou aos olhos da comunidade internacional quando, após o anúncio da vacina, a empresa se viu listada na bolsa de tecnologia americana Nasdaq, chegando a um valor na casa dos milhões de euros.

Canal alemão destaca origens de casal fundador de empresa por trás da 1a vacina contra o coronavírus (Crédito: Captura de tela/V. Brotto)

Em uma aba dedicada à Covid-19, Ugur Sahin, presidente da BioNTech, afirma que a empresa tem “como dever usar toda a sua expertise em imunoterapia e a sua tecnologia para ajudar a solucionar a pandemia de Covid-19.”

“O nosso objetivo é claro: fabricar uma potencial vacina disponível para o público o mais rápido possível e à nível mundial”, prossegue Sahin.

A renomada revista francesa “Courrier International”, destacava a origem dos cientistas em sua matéria sobre o lançamento da nova vacina.

“Como a história é deliciosamente irônica: a vacina aprovada no Ocidente vem de uma pequena empresa de filhos de imigrantes turcos na Alemanha”, destacou o jornalista brasileiro Jamil Chade, via Twitter, baseado em Genebra (Suíça).

Imigração turca na Alemanha

A imigração turca na alemã é datada do período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha, assim como todos os outros países europeus, incentivaram a vinda de trabalhadores imigrantes para reconstruir o país. Foi a época dos “Trinta anos gloriosos”.

Porém, com a precarização das condições de vida em trabalhos básicos e fisicamente extenuantes, os turcos viraram alvo de discriminações quotidianas na sociedade alemã.

Essa situação foi sentida na pele, literalmente, pelo jornalista alemão Günter Wallraff. Em seu livro-reportagem “Cabeça de turco”, Wallraff conta como viveu nove meses ano disfarçado de turco, aceitando trabalhos “sujos e mal pagos reservados” a imigrantes vistos como sendo de “segunda categoria”, entre eles os turcos.  

De acordo com a base de dados internacional sobre migrações Migration Policy.org, existem mais de 3 milhões de imigrantes ou filhos de imigrantes turcos vivendo na Alemanha hoje, sendo que 1 milhão chegaram durante os “Trinta Anos Gloriosos”.

Filha de médico e filho de operário turco

Médica pioneira em imunoterapia contra o câncer, Özlem Türeci é filha de um médico turco chegado à Alemanha de Istambul. Além de fundadora da BioNTech, Türeci também é professora da Universidade de Mainz.

Ao portal do Ministério para a Educação e Pesquisa da Alemanha, a cientista contou que ela foi influenciada principalmente por sua família na escolha pela profissão. “Meu pai era um médico muito dedicado aos pacientes, e desde criança já era impressionada por suas atitudes, em que o cuidado do paciente era o foco principal.”

“O consultório do meu pai ficava na casa da família, quando crianças nós brincávamos entre os pacientes. Já naquela época, na casa dos meus pais não havia uma separação rígida entre trabalho e vida privada”, lembrou Türeci, que afirmou à revista alemã Impulse que o seu intuito desde pequena era ajudar os outros. A primeira ideia foi de fazê-lo de batina, como freira, depois é que veio a ideia de virar médica.

Já o marido, Sahin, nasceu na Turquia e, aos quatros anos, chegou na cidade de Colônia, na Alemanha, com a mãe para morar com o pai que trabalhava em uma fábrica da montadora Ford. Nessa mesma cidade estudou medicina e se especializou em imunologia, em um doutorado concluído com a nota máxima na Universidade de Colônia.

Presidente afirma que é “dever da empresa ajudar a lutar contra a pendemia”; ele e esposa, ambos filhos de imigrantes turcos, são pioneiros em imunologia ( Crédito: Captura de tela/VB)

Aos 20 anos, o filho de imigrantes turcos começou a trabalhar em laboratórios, como contou ao canal DW:  “Tínhamos aulas até as 16h e, enquanto meus colegas iam para casa, eu subia para o laboratório e trabalhava lá. Geralmente até 21h, 22h, às vezes até as 4h”, lembra Sahin.

Os dois cientistas se conheceram no trabalho, na clínica da Universidade de Mainz. O casamento veio logo depois, em 1992.  Ao canal DW, Sahin afirmou que mesmo no dia do casamento, eles chegaram a trabalhar no laboratório : “antes da cerimônia no cartório e novamente depois.”

Criação da BioNTech

Nove anos depois do casamento, uma nova união surge na vida do casal. Desta vez por meio da empresa biofarmacêutica Ganymed Pharmaceuticals, que desenvolve drogas imunoterápicas contra o câncer. Ela foi vendida em 2016 por uma quantia de 422 milhões de euros, informa o canal DW.

Sete anos depois, o casal funda a BioNTech, a fim de desenvolver remédios e tecnologia para o tratamento individualizado do câncer. Türeci é a responsável pelo trabalho de pesquisa e pelo desenvolvimento da empresa, e seu marido, Sahin, é o presidente.


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