Encontro em SP reúne representantes de Casas e Centros de Migrantes de todo o mundo

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Foto do Encontro da Rede Scalabriniana de Casas de Atendimento aos Migrantes, Refugiados e Marinheiros. Crédito: Divulgação/Missão Paz

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Divulgação/Missão Paz

Realizou-se em São Paulo, Brasil, de 10 a 12 de maio de 2016, o VII Encontro Scalabriniano da Rede de Casas e Centros de Migrantes. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas representes das casas de acolhida e centros de orientação vindos de outros continentes, tais como Manila (Filipinas), Cidade do Cabo (África do Sul), Roma (Itália), bem como representantes das casas e centros das Américas e Caribe: México, Guatemala, El Salvador, Equador, Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai. Por parte do Brasil, estiveram representantes de Manaus, Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo.

Entre os objetivos do encontro, sublinhamos três. Primeiro, traçar em linhas gerais uma visão atualizada do contexto das migrações. No contexto da crise da economia globalizada, constatou-se o aumento dos fluxos migratórios em todas as partes do mundo. A grande maioria dos que fogem da pobreza e da violência são jovens, mas vem crescendo o número de mulheres e crianças não acompanhadas. Os deslocamentos humanos de massa tornam-se cada vez mais intensos, mais complexos e mais diversificados. Novos grupos, povos e nações passam a fazer parte do xadrez desse vaivém. Hoje é difícil encontrar um país que não esteja envolvido no fenômeno migratório, seja como pais de origem, de destino ou de passagem – quando não as três coisas ao mesmo tempo. Contam-se aos milhares os que passam por tais casas e centros de migrantes.

Constatou-se igualmente um crescimento do medo e do rechaço ao imigrante, ao outro e ao estrangeiro, seja por parte dos governos e da opinião pública, seja por alguns setores da sociedade. Contribui muito para isso a confusão, por parte da mídia, no tratamento às vezes indiscriminado dos temas sobre migração, terrorismo, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista em nível internacional. No limite, tal divulgação distorcida faz recrudescer atitudes de preconceito, discriminação, xenofobia e até perseguição – o que leva à construção de novos muros e leis restritivas ao direito de ir e vir.

O segundo objetivo, como não poderia deixar de ser, consiste em intercambiar informações sobre as formas e práticas da acolhida e orientação. Vários serviços são prestados nessas casas e centros, destacando-se a hospedagem temporária e alimentação, a ajuda no processo de regularização dos documentos, a assistência social e psicológica, aprendizado da língua do país de chegada, oportunidades de profissionalização, busca de emprego e moradia, entre outros. Tudo isso, evidentemente, exige equipes de profissionais preparados, além de voluntários que procuram acompanhar o dia-a-dia desse trabalho. Não resta dúvida que a troca de ideias e de experiências traz um recíproco enriquecimento aos que, especialmente nas fronteiras e nas grandes cidades, se dedicam a essa tarefa.

O terceiro ponto da pauta tem a ver justamente com um planejamento conjunto do programa de ação, no sentido de responder aos novos desafios. “Novas realidades requem respostas novas”, diria Scalabrini. Aqui se trata de estabelecer programas, objetivos, estratégias e metas comuns em uma dupla direção. De um lado, ad intra, fortalecer a própria rede de ação para um trabalho mais articulado e eficaz. Deriva daí, por ouro lado, ad extra, a capacidade de uma maior incidência social e política, tanto em termos eclesiais quanto na sociedade de acolhida. Está em jogo também o esforço para as mudanças substanciais das leis de imigração, no sentido de “substituir os muros pelas pontes, a indiferença pela solidariedade”, nas palavras do Papa Francisco.