Estudar no exterior: pequenas dicas para um grande desafio

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Estudar no exterior é um sonho e um objetivo para muitas pessoas. Pode ser uma forma de aproveitar as férias do trabalho, conhecer novas culturas ou ainda se tornar o primeiro passo para ela virar migrante, dependendo dos rumos que a vida tomar fora do país.

Independente de ser um intercâmbio de duas semanas ou uma migração permanente, algumas dicas simples podem facilitar no processo de adaptação a um novo sistema social, político e cultural.

O texto abaixo, escrito da Argentina pelo brasileiro André Luiz Andrietti, aplica algumas dessas dicas ao contexto argentino e da capital, Buenos Aires. Mas elas podem ser adaptadas para qualquer lugar do mundo, independente do tempo e do que você fará no exterior.

A Argentina é destino de estudantes brasileiros e de outros países latino-americanos. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
A Argentina é destino de estudantes brasileiros e de outros países latino-americanos.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Estudar medicina sem vestibular?

Por André Luiz Andrietti*

Estudar medicina sem vestibular? Sim, isso é possível e é um dos principais motivos de migração por parte de brasileiros para vizinha Argentina.

Os hermanos possuem reconhecimento internacional eternizado em medicina em virtude dos prêmios Nobel conquistados pela UBA (Universidad de Buenos Aires) nos anos de 1947, 1970 e 1984. A UBA tem um sistema de ingresso diferente do temeroso e difícil vestibular. Entretanto, não é possível dizer que, pelo fato de não haver vestibular, não exista um sistema de seleção.

No sistema de ingresso, chamado de CBC, não existe uma disputa de vagas, mas sim uma competição consigo mesmo. Pois na realidade, você precisa alcançar a média desejada para garantir sua vaga.

Bom, até ai tudo bem. Parece que tudo é possível: formar-se médico em uma universidade federal, laureada com prêmio Nobel e ainda por cima não ter vestibular, sem competidores. Está cada vez melhor.

A PUC Argentina (foto) e a Universidade de Buenos Aires (UBA) são duas das instituições que atraem brasileiros. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
A PUC Argentina (foto) e a Universidade de Buenos Aires (UBA) são duas das instituições que atraem brasileiros.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

O foco é tão grande nestes detalhes que as pessoas deixam de prestar atenção ao mais importante, que é a chegada a um novo país, que a única dificuldade no Brasil é o vestibular – porque claro, já estamos inseridos nessa cultura desde que nascemos. No entanto, as facilidades oferecidas pelo sistema de ensino argentino são facilmente ofuscadas pelas dificuldades constatadas no que diz respeito à inserção cultural.

Por mais próximos que os argentinos estejam dos brasileiros em alguns aspectos, existem tantos outros que nos distanciam. Para isso, algumas dicas são válidas para amenizar choques culturais e sociais de quem deseja estudar no exterior:

  • Aceite abdicar do Brasil, tente não trazer o Brasil para Argentina. Uma vez que isso é impossível, esteja aberto a aceitar e a aprender uma cultura nova. Afinal de contas, tudo o que você veio buscar será oferecido por pessoas que fazem parte dessa nova cultura e isso torna tudo mais fácil.
  • Diminua suas expectativas. É melhor ser surpreendido do que decepcionado. É claro que ir em busca de um sonho gera sempre ótimas expectativas, mas estas devem ser filtradas e polidas. Ou seja, esteja preparado para tudo.
  • Aceite o espanhol. Além de ser deselegante não pronunciar sequer uma saudação na língua do país em que você se propôs a morar, o idioma é fundamental para a inserção cultural e é impossível estudar sem ele. A Argentina recebe um numero gigantesco de brasileiros que vem a turismo ou para viver, e isso fez com que nos últimos anos os “portenhos”, como são chamados os cidadãos da capital argentina, aprendessem a falar um portunhol ou a comunicar se com os brasileiros. Contanto, é impossível seguir em uma universidade por sete anos apenas com o portunhol – afinal de contas, a medicina é difícil em qualquer idioma. Diminua os fatores que possam dificultar.
Público em área da Livraria Ateneo, em Buenos Aires. Cultura é um dos pontos de destaque da capital argentina e do país. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Público em área da Livraria Ateneo, em Buenos Aires. Cultura é um dos pontos de destaque da capital argentina e do país. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
  • Aceite a gastronomia. Embora os brasileiros sejam extremamente criativos e a sua cozinha seja reconhecida internacionalmente como uma das melhores do mundo, a culinária argentina também é rica em qualidade. Mas como não é um país tropical como o nosso, então devemos abdicar de muitas frutas e diversos outros alimentos típicos brasileiros. Entretanto, o intercâmbio é feito com o recebimento de uma das carnes de melhor qualidade do mundo.
  • Busque informações sobre a cultura e história. Não precisa ser nada profundo, o superficial fará com que o caminho seja mais agradável.
  • Para quem decide ir a Buenos Aires, escolha viver bem em Buenos Aires, esteja aberto a escrever esta história aceitando uma nova cultura e absorvendo o máximo de conhecimento oferecido.  E claro, a regra vale também para quem escolher outro lugares para estudar no exterior, ou mesmo trabalhar e iniciar uma nova vida.

Boa sorte!

*André Luiz Andrietti é sócio da Empresa Vivir Bien, uma consultoria que ajuda a tentar diminuir o impacto sociocultural dos estudantes brasileiros que procuram a Argentina para turismo, estudar ou trabalhar.

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