Estudo descarta relação entre imigrantes indocumentados e aumento da violência nos EUA

Criminalização das migrações é uma das bandeiras políticas do atual presidente dos EUA, o republicano Donald Trump, que tenta a reeleição

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Bandeira dos EUA em noite de neblina no Empire State Building, em Nova York. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo - mai.2013

Por Ana Carolina Montoro

Uma pesquisa recente, realizada em 154 regiões metropolitanas dos Estados Unidos, rebateu um argumento usado com frequência por grupos e setores sociais contrários às migrações: o que relaciona a presença de imigrantes indocumentados e aumento da violência.

O estudo, divulgado no começo de outubro, foi desenvolvido pela Universidade de Buffalo e usou dados do Pew Reserch Center e do Migration Policy Institute, instituições respeitadas por pesquisas na área. Ele concluiu que a presença de estrangeiros não documentados nessas regiões não tem ligação com o aumento de crimes violentos. Pelo contrário, estava relacionada a uma redução em crimes contra propriedades.

Os resultados encontrados pela equipe liderada pelo professor Robert Adelman, especialista em tendências e padrões relacionados à migração, segue a tendência de outras análises com temas similares feitas nas últimas décadas, que também não encontraram relação significativa entre imigração e crime.

Porém, esses outros estudos raramente exploraram o potencial impacto de imigrantes irregulares, já que até recentemente não era possível encontrar estimativas confiáveis sobre o tamanho dessa população.

O novo estudo não consegue apontar se migrantes cometeram ou não crimes individualmente, mas as diversas evidências levantadas mostram que, pelo menos nas regiões metropolitanas onde há maior concentração de imigrantes, também é possível encontrar maior vitalidade econômica e cultural.

Tolerância zero

Dados do governo dos Estados Unidos indicam que há cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados no país. O atual presidente do país, Donald Trump, que tenta a reeleição, tem no rechaço à imigração uma de suas principais bandeiras.

Em abril de 2018 o governo Trump adotou a política de tolerância zero para quem atravessava a fronteira dos Estados Unidos de forma irregular. Na prática, todas as pessoas detidas passaram a responder criminalmente pelo delito. 

Uma das consequências dessa medida administrativa foi o encarceramento de crianças e adolescentes menores de idade sozinhas em centros de detenção. Elas eram separadas dos pais até o fim da ação penal, e em casos de deportação dos responsáveis, elas continuavam em solo americano até algum responsável entrar com uma ação de guarda na justiça ou até o sistema legal encontrar um padrinho para o menor.

Mas em junho do mesmo ano o presidente deu um passo atrás nessa separação compulsória, passando a adotar oficialmente a posição de que a medida só era usada em casos de crianças com pais que tinham  ficha criminal.

Uma das poucas vitórias para o republicano sobre o tema veio em janeiro deste ano, quando o juiz federal Dana Sabraw emitiu um veredicto afirmando que as separações entre os menores e os pais estavam acontecendo com o devido discernimento sobre a ficha criminal.  Passado mais de dois anos, esse tema ainda se desenrola nas cortes judiciais americanas.

Mesmo com tal retórica anti-imigração, Trump ainda consegue angariar votos entre imigrantes latinos, especialmente cubanos e venezuelanos alinhados com um pensamento de direita, como a apuração da atual eleição mostrou. No entanto, há uma parte dessa população latina que apoia o democrata Joe Biden.


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