Estudo do OBMigra aponta perfil do novo imigrante no mercado de trabalho brasileiro

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Do OBMigra

A empregabilidade dos trabalhadores imigrantes no mercado formal de trabalho foi de 11.011 contratações, contra 2.846 desligamentos, no primeiro semestre de 2015. Entre 2010 e 2014, o crescimento foi de 126,01% passando de 69.015, em 2010, para 155.982, em 2014.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (22), na Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). O estudo permitiu a geração de um perfil médio do novo imigrante no país: predominantemente do sexo masculino, com idade entre 20 e 49 e com boa escolarização.

Na pesquisa, foram analisados números de bancos de dados nacionais, como o Sistema nacional de Cadastramento de Registros e a Migração Regular, da Polícia Federal; do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Entre as nacionalidades representadas por este número estão, principalmente, haitianos, senegaleses, argentinos, ganeses, paraguaios e portugueses, o que demonstra a ocorrência de novos fluxos migratórios no país. De acordo com o coordenador do OBMigra, professor Leonardo Cavalcanti, os trabalhadores haitianos se consolidaram, em 2014, como a principal nacionalidade no mercado de trabalho formal, resultado de 17.577 admissões contra 6.790 desligamentos. No mesmo ano, “os senegaleses passaram a ser, pela primeira vez, a segunda nacionalidade a ser absolvida pelo mercado de trabalho brasileiro”, aponta Cavalcanti.

Neste Primeiro de Maio é preciso lembrar de todos os trabalhadores, brasileiros e migrantes. Crédito: Marcello Casal Jr/ABr
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Apesar de escolarizado, novo imigrante assume trabalhos fora da área de formação de origem.              Crédito: Marcello Casal Jr/ABr

Perfil

De acordo com o ministro do Ministério do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, a elaboração do relatório é o primeiro passo para o desenho de políticas públicas direcionadas aos imigrantes inseridos no mercado de trabalho brasileiro. “O relatório é a abertura do conhecimento das imigrações no país.”

A análise dos dados do OBMigra permite apontar para um perfil dos novos imigrantes: predominantemente homem, com idade entre 20 e 49 anos, e escolarização entre os níveis médio e superior. Apesar da maioria dos imigrantes serem escolarizados, eles vão assumir trabalhos fora da sua área de formação.

A média salarial, no momento da admissão dos imigrantes, em 2014, foi de R$ 1.001. De acordo com Cavalcanti, os imigrantes japoneses são os que têm a maior média salarial – R$ 1.758 – enquanto os estrangeiros da República Democrática do Congo, por exemplo, recebem uma média de R$ 913 ao mês. Já entre os estados brasileiros, a maior média salarial está presente no Ceará, apesar de o Estado representar apenas 2% das contratações de estrangeiros. “Isso tem a ver com um conglomerado de empresas brasileira e sul-coreanas, que absorveu o imigrante qualificado”, explica o coordenador do OBMigra. Já o Tocantins apresenta a menor média salarial.

Crescimento

O balanço de contratação de imigrantes no trabalho formal em 2014 foi positivo no país, mas nem todos os estados receberam estrangeiros de forma equilibrada. O Piauí, por exemplo, não contratou nenhum haitiano, enquanto os estados do Sul foram os que mais absorveram estrangeiros. Santa Catarina recebeu 26% dos imigrantes e manteve a tendência de forte crescimento durante todo o ano, resultado de 8.623 admissões contra 3.411 desligamentos; No Paraná, o índice ficou em 19% e, no Rio Grande do Sul, em 18%. No Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram balanços positivos de 12% e 6%, respectivamente, na admissão de imigrantes. Os Estados do Centro-Oeste com números mais expressivos foram Mato Grosso (3%) e Mato Grosso do Sul (2%). O Ceará (2%), no Nordeste, e Amazonas e Rondônia, no Norte, ambos com (1%), completam os Estados que mais contrataram imigrantes.

Mesmo com a crise econômica do Brasil, a inserção do estrangeiro no mercado de trabalho formal brasileiro não parou de crescer. De acordo com o professor Leonardo Cavalcanti, esse fenômeno se deve ao fato de que as indústrias do final da cadeia produtiva do agronegócio não pararam de exportar e “se consolidaram como o setor que mais absorveu imigrantes” entre 2013 e o primeiro semestre de 2015. Entres as atividades econômicas que mais admitiram imigrantes estão as dos setores de abate de aves (12%); construção de edifícios (7%); restaurantes (5%); e frigoríficos – abate de suínos (4%). As ocupações que tiveram um maior número de contratações de trabalhadores imigrantes no ano 2014 foram as de alimentador de linha de produção, servente de obras, magarefe, abatedor e faxineiro.

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