Expat Experience: um novo olhar sobre o processo de expatriação

Aquele que é enviado para trabalhar em outro país lida com várias nuances, ações, línguas, percepções, vieses e desafios diariamente; por isso tal experiência precisa ser vista como um todo

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(Foto: Unsplash)

Por Danyel Andre Margarido

Onde começa e onde termina o processo de expatriação?

Essa é uma pergunta que tem se tornado cada vez mais difícil de responder.

Alguns dirão que se inicia no momento da oferta de uma posição no exterior, e se finda no momento em que os móveis do expatriado chegam de volta à sua casa. Outros dirão que o início se dá com a aprovação do visto, e o fim, com o cancelamento do visto. Outros podem dizer que a expatriação termina no momento em que a declaração do imposto de renda, no ano seguinte ao retorno, é entregue.

As opiniões sobre o início e o fim de uma jornada podem variar, e muito. São vários pontos de vista, e vários inputs que alteram a percepção real do momento do início e do momento do fim de uma expatriação.

O ‘Expat Experience’

Mas se o início e o fim não importam tanto, o que se deve levar em conta? 

A resposta: o percorrer da jornada por completo.

O expatriado lida com várias nuances, ações, línguas, percepções, vieses e desafios diariamente, assim sendo, cada momento em que atuamos ao lado, e cada ação que tomamos no backstage, deve ser pensada de forma que nosso Advisee possa aproveitar ao máximo a jornada.

Quando se pensa na jornada da expatriação deve-se pensar em uma questão crucial, e que está mais presente no cotidiano das empresas é sobre a Experiência do Colaborador, e quando falamos de expatriados, o “Expat Experience”. 

Eu já faço isso!

Antes de tudo, é preciso lembrar de um privilégio dos migrantes laborais, como são categorizados por estudiosos, os expatriados: o Advisor de Global Mobility, ou seja, a pessoa que presta o suporte ao expatriado e à sua família antes, durante e depois da expatriação.

Uma empresa recrutar um especialista em Mobilidade Global é só o primeiro passo para que a experiência como um todo seja melhorada. Claro, ter um especialista ajuda muito na gestão dos expatriados, na gestão de benefícios e allowances, dos impactos culturais pessoais do expatriado e de sua família, bem como nos impactos da liderança e do time de pessoas que trabalharão juntos com “o gringo”.

O cuidado com a experiência vai além de controlar planilhas e prazos de vistos e documentos. É preciso pensar na pessoa, além do colaborador. 

Um exemplo simples, sobre o cuidado com a pessoa, está no compartilhamento de informações com o expatriado e sua família. É muito comum, em reuniões iniciais com o expatriado, despejar informações úteis e importantes de uma vez no colo do expatriado (com um email registrado o compartilhamento das informações) para que, no dia em que uma ação for necessária, o expatriado possa olhar suas notas e seus emails e descobrir as orientações passadas por alguém que ele falou somente uma vez.

Ao invés disso, o Expat Experience enxerga o compartilhamento de informações como algo vivo e contínuo, para, além de manter as informações atualizadas, possa ser uma ferramenta valiosa tanto para o expatriado, e para a sua família, quanto para o Advisor e para a Empresa.

Muito se perde por achar que, como neste exemplo, somente compartilhar no início do processo algo importante, com uma pessoa que passará pela turbulência de mudar de país, é suficiente. 

Falar sempre com o Expatriado? Isso é fácil!

Um ponto importante é não limitar o Expat Experience somente à falar mais com a pessoa. Ou, somente incluir o cônjuge no início do processo. Mas, pensar em formas de facilitar a expatriação para que, mesmo com as turbulências típicas de uma mudança geo-cultural, seja um ambiente fértil para crescimento, para que haja aprendizado e que o assignment seja proveitoso para todos os envolvidos – seja o expatriado, a família, a liderança, o time local, o time após retorno do expatriado, os vizinhos, a comunidade… Como advisors, não sabemos o verdadeiro impacto de uma expatriação.

Fomentar um ambiente fértil de crescimento está em tornar a expatriação realmente algo móvel, fluido e simples – seja instaurando sistemas e aplicativos que concentrem as principais dificuldades do expatriado em um único ponto de contato, com fácil acesso; seja investindo no nada-supérfluo treinamento intercultural (um dos itens habitualmente cortados em contenções de gastos de mobility); seja viabilizando práticas e informações com o time e a liderança local sobre culturalidade; seja tendo uma política de expatriação sólida e atraente; seja pensando em ações quanto a saúde física e mental do expatriado e dos seus familiares; seja contando com os provedores que mais façam sentido para a sua população de colaboradores transnacionais…

As possibilidades são muitas, as quais ultrapassam somente controlar vistos e datas de embarque. Os ganhos também tendem a ser muitos, quando se olha para a experiência como um todo, afinal tomando ações simples como essas, pode-se desenvolver melhor a cultura e o clima do departamento onde o expatriado está alocado; cria um senso de pertencimento maior a todos os envolvidos, impactando no engajamento e diminuindo o turnover.

Com ações que vêm o expatriado como uma pessoa, não só como um profissional, fazem com que o início e o fim da expatriação diminuam em importância, e toda a jornada seja cuidada, para que, com isso, o destino da expatriação, seja uma promoção, seja a transmissão de conhecimento, seja a pura e simples alocação de talentos para o suprimento de necessidades, seja melhor e mais gratificante para a Pessoa expatriada.

“Terminar o momento, encontrar o final da jornada em cada passo do caminho, viver o maior número de boas horas, é sabedoria.” – Ralph Waldo Emerson (1803-1882), escritor, poeta e filósofo estadunidense

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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