Festival “É Tudo Verdade” inclui 13 documentários sobre migrações; veja quais

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Cena de "Cine Marrocos", documentário de Ricardo Calil, exibido no É Tudo Verdade. Crédito: Divulgação

Dos 66 filmes selecionados para participar da competição, 13 abordam as migrações em diferentes contextos

Por Amanda Louise
Em São Paulo (SP)

A partir desta quinta (4) até 14 de abril, quem estiver em São Paulo e Rio de Janeiro poderá prestigiar os filmes selecionados para 24ª edição do festival internacional de documentários É Tudo Verdade, principal evento dedicado ao cinema documental na América Latina, criado e dirigido pelo crítico de cinema Amir Labaki.

Na capital paulista as produções serão exibidas no Centro Cultural São Paulo, Instituto Moreira Salles Paulista, Itaú Cultural e Sesc 24 de Maio; no Rio, as projeções acontecem no Instituto Moreira Salles e Estação NET Botafogo.

Com sessões gratuitas e em horários variados – o ideal é chegar com uma hora de antecedência nos locais de exibição para garantir o ingresso -, a edição deste ano contará com diversos títulos de não ficção em curta, média e longa-metragem.

Das mais de 1.600 obras inscritas para a mostra, 66 foram escolhidas para concorrer nos eixos de Competição Brasileira, Competição Internacional, Competição Latino-Americana e O Estado das Coisas.

Entre eles, 13 filmes conversam, de alguma forma, com assuntos ligados às migrações e refúgio: da origem das mestiçagens que formam o Brasil, passando pelas narrativas sobre pessoas que fugiam da guerra e dos campos de concentração, às problemáticas que norteiam os deslocamentos contemporâneos.

De acordo com os organizadores, os premiados no É Tudo Verdade 2019, nas competições de curtas e longas metragens, estarão automaticamente classificados para serem examinados para a disputa do Oscar do ano que vem.

Abaixo, sinopses e links com informações sobre as salas e horários das 13 produções relacionadas à migração:

As Quatro Irmãs – A Arca De Noé (Dir. Claude Lanzmann, França, 2017), 68”, classificação não adicionada

Sinopse: A advogada Hanna Marton conta como embarcou, com o marido, em um comboio que levava 1.684 judeus que escaparam da deportação na Hungria, num acordo entre os alemães e o advogado e jornalista Rudolf Kastner. Entre maio e julho de 1944, 450 mil judeus húngaros foram mortos.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

As Quatro Irmãs – O Juramento De Hipócrates (Dir. Claude Lanzmann, França, 2017), 90”, classificação não adicionada

Sinopse: Nascida na então Tchecoslováquia, Ruth Elias passou três anos escondida em uma fazenda com a família até ser enviada ao campo de concentração de Theresienstadt. No inverno de 1943, ela descobriu que estava grávida e, em seguida, que seria enviada a Auschwitz. Aos oito meses de gestação, saiu de lá com um grupo de mil mulheres para trabalhar em uma refinaria bombardeada em Hamburgo.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Carta A Theo (Dir. Elodie Lélu, Bélgica, 2018), 63”, classificação não adicionada

Sinopse: Uma homenagem ao cineasta grego Theo Angelopoulos (1935-2012), que morreu ao ser atropelado por uma moto enquanto trabalhava num filme sobre migração e a crise econômica.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Casa Grande & Senzala – O Escravo E O Negro Na Vida Sexual E Da Família Brasileira (Dir. Nelson Pereira Dos Santos, Brasil, 2001), 52”, classificação não adicionada

Sinopse: Destaca as origens negras na história da cultura brasileira. Aborda como o sociólogo [Nelson Pereira dos Santos] tratou das origens negras na história da cultura brasileira e da influência das relações com os escravos na vida sexual e nas relações familiares.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Casa Grande & Senzala – O Português, Colonizador Dos Trópicos (Dir. Nelson Pereira Dos Santos, Brasil, 2001),52”, classificação não adicionada

Sinopse: Enfoca o lado português na mestiçagem que resultou no Brasil. O professor Edson Nery da Fonseca comenta, a partir da perspectiva de Gilberto Freyre, como seu deu a interação entre os colonizadores e os brasileiros.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Cine Marrocos (Dir. Ricardo Calil, Brasil, 2018), 76”, 14 anos

Sinopse: O documentário conta a história de sem-tetos, refugiados africanos e imigrantes latino-americanos que ocuparam o prédio de um antigo cinema do Centro de São Paulo e o processo artístico que os transformou em estrelas de cinema. A equipe do filme reabriu a sala de projeção e exibiu títulos que estiveram em cartaz ali 60 anos antes, como “A Grande Ilusão” (1937), de Jean Renoir, e “Noites de Circo” (1953), de Ingmar Bergman. Os moradores participaram de uma oficina de teatro e reencenaram, como atores, trechos desses clássicos.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Hungria 2018 – Bastidores Da Democracia (Dir. Eszter Hajdu, Hungria, 2018), 84”, classificação não adicionada

Sinopse: O filme acompanha os dois lados da campanha para a eleição presidencial na Hungria no ano passado: o do vitorioso primeiro-ministro de extrema-direita Viktor Orbán e o do ex-premiê socialista Ferenc Gyurcsány. A imigração está no centro dos discursos que ajudam a entender o crescimento do nacionalismo.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Liberdade é Uma Grande Palavra (Dir. Guillermo Rocamora, Uruguai e Brasil, 2018), 73”, 12 anos

Sinopse: Depois de ter passado 13 anos na prisão americana de Guantánamo, um palestino de 38 anos vai ao Uruguai, em busca de uma nova vida. Durante dois anos, ele tem direito a uma casa e a uma ajuda financeira do governo para tentar se restabelecer. Ele se casa com uma uruguaia, tem filhos, estuda espanhol e tenta conseguir trabalho enquanto lida com a resistência dos empregadores, a burocracia local e as lembranças de tortura e humilhação no período do cárcere.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Lily (Dir. Adrienne Gruben, EUA, 2018), 25”, classificação não adicionada

Sinopse: Ainda adolescente, Lily Renée fugiu sozinha da Viena ocupada pelos nazistas. Já nos EUA, tornou-se uma das primeiras mulheres na indústria dos quadrinhos, nos anos 1940.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Na Nossa Casa (Dir. Iban Colón, Espanha, 2018), 26”, classificação não adicionada

Sinopse: Em Barcelona, duas famílias decidiram abrir suas portas para refugiados: uma recebe uma jornalista ucraniana de 58 anos e a outra, um jovem afegão.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Nome De Batismo – Frances (Dir. Tila Chitunda, Brasil, 2019), 16”, livre

Sinopse: A diretora mergulha no passado de seu pai ao conhecer a freira que ajudou sua família a fugir da Guerra Civil que expulsou muitos angolanos de suas terras nos anos 1970. Eles vieram para Olinda, e, como homenagem, a primeira filha nascida no Brasil ganhou o nome dessa mulher.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Soldado Estrangeiro (Dir. José Joffily e Pedro Rossi, Brasil, 2019), 83”, 14 anos

Sinopse: Três brasileiros vivem diferentes estágios da mesma escolha: ser um guerreiro em um grande exército de uma nação estrangeira. Um aspirante, um combatente e um veterano compartilham suas experiências na Legião Estrangeira, na Cisjordânia e no exército dos Estados Unidos.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

Soldados Da Borracha (Dir. Wolney Oliveira, 2019), 82”, livre

Sinopse: Um acordo de cooperação entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos levou cerca de 60 mil nordestinos para a região amazônica para trabalhar na extração de látex destinado à indústria americana de armamentos. Metade deles morreu antes de voltar para casa e muitos outros ainda esperam o reconhecimento como “heróis da pátria” e a prometida aposentadoria equivalente à dos militares. A história dos sobreviventes entre os 60 mil nordestinos que foram à região amazônica trabalhar na extração de látex durante a Segunda Guerra.

Salas e horários (São Paulo e Rio de Janeiro)

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