França concede cidadania a 12 mil imigrantes que atuaram na linha de frente contra a Covid-19

Governo francês anunciou que facilitaria a concessão de cidadania de imigrantes que atuam em serviços essenciais. Questão também volta a trazer à tona o debate sobre o imigrante ter de fazer algo considerado fora do comum para ser notado

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Arco do Triunfo, um dos símbolos de Paris, capital da França. Governo francês concdeu cidadania a imigrantes que trabalharam em serviços essenciais no contexto da pandemia de Covid-19. (Foto: Wikimedia Commons)

O governo da França concedeu cidadania a 12.021 imigrantes que trabalharam em funções consideradas essenciais para o combate à pandemia de Covid-19 no país. Entre os trabalhadores e trabalhadoras contemplados estão profissionais de saúde, agentes de segurança e manutenção, funcionários de empresas de serviços essenciais, como coletores de lixo e colaboradores de creches, além de pessoas que prestaram auxílio domiciliar durante o período de crise sanitária.

“Esses trabalhadores da linha de frente responderam à nação. É normal que a nação dê um passo em sua direção. Quero dar as boas vindas aos nossos novos compatriotas de nacionalidade francesa e dizer obrigado em nome da República: o país também resistiu graças a eles!“, declarou Marlène Schiappa, ministra delegada da cidadania no Ministério do Interior, durante cerimônia em Paris, na última quinta-feira (9), que marcou a concessão da cidadania aos profissionais.

Segundo a representante do Ministério do Interior, mais de 16 mil pessoas se candidataram, sendo que 12 mil delas obtiveram a cidadania francesa. Em maio passado o governo já havia concedido cidadania francesa a mais 2.000 imigrantes.

Em setembro de 2020, o governo francês anunciou que aceleraria os pedidos de cidadania de imigrantes que atuassem em áreas consideradas essenciais no contexto da pandemia. Até então, para ter o pedido de cidadania aprovado um candidato deve ter residido na França por cinco anos com uma renda estável e demonstrado integração na sociedade francesa. Esse período acabou reduzido para dois anos.

Em 2020, um total de 61.371 pessoas obtiveram a cidadania francesa, uma queda de 20% em relação ao ano anterior.

‘Moralidade da cidadania’

A atual política do governo francês para conceder cidadania por dedicação e ações consideradas heróicas já se fez manifestar em outras situações.

Em 2018, o malinês Mamoudou Gassama obteve a naturalização depois de ser apelidado de “homem-aranha” por resgatar um menino pendurado em uma varanda de Paris. Então com 22 anos, o jovem estava desepregado e indocumentado quando salvou a criança. Após o ato, o presidente Emmanuel Macron anunciou ainda que Gassama seria incorporado ao Corpo de Bombeiros.

Na época, imigrantes que vivem no Brasil falaram ao MigraMundo sobre suas impressões a respeito do fato. Eles pontuaram o quanto um imigrante precisa fazer para ser notado e respeitado em meio às sociedades onde vivem – independente do país.

Ainda sobre o caso Mamadou Gassama, o jornal francês Le Monde publicou uma charge sobre a “moralidade da cidadania”, na qual somente alguns são considerados aceitáveis, e muitos outros não o seriam – a atitude de Gassama o teria “qualificado” a ser um desses poucos aceitáveis. Um raciocínio semelhante pode ser aplicado aos imigrantes que obtiveram a cidadania francesa em razão do trabalho durante a pandemia.


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