Grupos de imigrantes marcam presença em festival de cultura paulista

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Fraternidad Caporales San Simón, que foi um dos grupos representantes da representantes da Bolívia no Revelando São Paulo 2018. Crédito: Amanda Louise/MigraMundo

Evento “Revelando São Paulo” reúne a diversidade cultural presente no estado, que inclui contribuições das comunidades migrantes

Por Amanda Louise
Em São Paulo (SP)

Diversos grupos imigrantes participaram no último sábado (22) da 58ª edição do “Revelando São Paulo”, festival cultural que tomou os espaços do Parque do Trote, na Vila Guilherme, difundindo as culturas existentes no estado por meio de apresentações de músicas e danças, exposições de artesanato, expressões religiosas e culinária.

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O evento é uma oportunidade para que as comunidades imigrantes possam praticar, resgatar e expor as manifestações artísticas de seus países. “É fundamental, mostra a todas as pessoas, principalmente às gerações futuras, toda nossa carga, nossa herança cultural; e mostra que, tanto o estado –que é uma dimensão um pouco mais ampla-, assim como a cidade, que é uma grande colcha de retalhos com várias participações”, expõe Jezun Biazi, coordenador da festa e integrante do “Abaçaí Cultura e Arte”, instituição idealizadora do Revelando São Paulo.

Dos estandes de exposição aos espaços para alimentação, os presentes puderam conhecer um pouco mais da cultura nipônica, paquistanesa, boliviana e portuguesa. As danças ficaram por conta dos grupos Ballet Folclórico Boliviano, Ribeira Ryofu Daiko, Mi Vejo Simón, Grupo Apolo de Danças Gregas, Folclore e Etnografia Região Autónoma da Madeira, Companhia Devi Odissi e Fraternidad Capolares San Simón.

Fraternidad Caporales San Simón, que foi um dos grupos representantes da Bolívia no Revelando São Paulo 2018.
Crédito: Amanda Louise/MigraMundo

XVII Festival da Amizade

As apresentações artísticas dos grupos imigrantes acontecem no Festival da Amizade, que chegou à sua 18ª edição, para celebrar a diversidade num encontro fraterno das nações. Cada participante preocupou-se em expressar danças e expor trajes e objetos característicos de seus países, explicando o porquê da importância de cada item e movimento corporal.

Um exemplo foi a dança indiana, que hipnotizou os expectadores com a delicadeza da coreografia da Andrea Albergaria, diretora e professora da Companhia Devi Odissi de dança indiana. Brasileira, ela também já foi migrante: morou no Oriente Médio por muitos anos, e também na Índia, onde aprofundou conhecimento na cultura e religião indiana entre idas e vindas ao país. Expôs o que representa o movimento das mãos e a batida dos pés, ligados à religiosidade. O intuito do grupo é difundir a dança e cultura do país asiático.

E as integrantes? São peruanas, sírias e brasileiras.

Companhia Devi Odissi, de dança indiana.
Crédito: Amanda Louise/MigraMundo

“É mais que uma apresentação artística, é uma troca, um convívio; a gente vê todos os povos, de todos os lugares do Brasil. (…) Um espaço aberto para todo tipo de manifestação”, expressa a coreógrafa ao falar sobre o evento.

Portugal foi representado pelos integrantes da AFERAM (Associação Folclore e Etnografia Região Autónoma da Madeira), grupo que há 31 anos resgata a cultura portuguesa de cada parte da Ilha da Madeira. Felipe Sardinha Gonçalves, responsável pela tocata do grupo, elogia a iniciativa da festa: “Não tem evento igual, que resgata a cultura mesmo, não só de São Paulo, mas pelo Festival da Amizade, de vários países, também”.

O sul da Europa ficou por conta do Grupo Apolo de Danças Gregas, composto por descendentes de gregos e brasileiros, carinhosamente chamados de “agregados”. O coordenador da equipe, Augusto Cesar Vassilopoulos, mencionou que a diversidade é um tema atemporal e importante, e que é “uma honra dividir o palco com tantas outras culturas, vivendo essa troca, vivendo essa soma. A gente aqui soma, multiplica e troca; só agrega valores”, disse após apresentar danças gregas populares.

AFERAM (Associação Folclore e Etnografia Região Autónoma da Madeira), que representou Portugal no Revelando São Paulo.
Crédito: Amanda Louise/MigraMundo

Em dois momentos do dia, os bolivianos do grupo “Fraternidad Caporales San Simón”, realizaram um cortejo com sua apresentação oficial, trazendo muita cor em seus trajes vistosos; e os guizos presos às pernas harmonizam-se com a música em cada pisar sincronizado dos dançarinos.  “Nosso intuito maior é sempre divulgar o folclore boliviano”, explicou Cláudia Camacho, coordenadora do grupo composto por bolivianos nativos, filhos, netos e até brasileiros.

Entre um grupo e outro, a fala “mundo novo” foi frequente entre os apresentadores. Em um breve momento, o diretor cultural do Abraçaí Cultura e Arte, Toninho Macedo, subiu ao palco, lembrou que esse “mundo novo” é possível, e que “o caminho é o amor”.

Grupo Apolo de Danças Gregas, uma das atrações culturais do Revelando São Paulo que valorizou a contribuição dos imigrantes para o estado.
Crédito: Amanda Louise/MigraMundo

Sobre o “Revelando São Paulo”

Realizado desde 1997, o evento “Revelando São Paulo – Festival da Cultura Paulista” foi idealizado pelo grupo “Abaçaí Cultura e Arte” em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura. Cerca de 150 municípios participam do encontro que promove a troca de experiências, sabores e conhecimento – inclusive com a participação das comunidades indígenas e ciganas.

A edição deste ano aconteceu entre os dias 19 e 23 de setembro, permitindo ao visitante conhecer um pouco de cada região do estado e de suas particularidades sem sair Parque do Trote, que tem recebido a festa nos últimos anos. Parte da programação do dia 22 foi reservada para o Festival da Amizade, que destacou as contribuições das comunidades migrantes para a cultura paulista.

Além da capital, a festança também acontece no Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, Atibaia e outros.

 

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