Guiné-Bissau e Bolívia vencem 8º Festival de Música e Poesia do Imigrante em SP

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Aumento da presença africana foi um dos destaques do Festival de Música e Poesia do Imigrante de 2019. Crédito: CAMI

Presença maior de candidatos e expectadores de países africanos em relação a outros anos foi um dos destaques desta edição

Por Antonella Vilugrón Pulcinelli
Em São Paulo (SP)

A chuva que caiu ao longo do último domingo (1º) em São Paulo não impediu a realização do 8º Festival de Música e Poesia do Imigrante, que acontece anualmente na Praça Kantuta – conhecido ponto de encontro das comunidades migrantes de origem latina na cidade.

Organizado pelo CAMI (Centro e Apoio e Pastoral do Imigrante), o evento teve como lema a frase “Não me julgue antes de me conhecer” e reuniu 28 artistas que representaram 14 nacionalidades: Angola, Bolívia, Burkina Faso, Cuba, Guiné, Guiné-Bissau, Haiti, Moçambique, Nigéria, Peru, Quênia, República Democrática do Congo, Senegal e Serra Leoa.

Público ignorou a chuva para acompanhar a edição 2019 do Festival de Música e Poesia do Imigrante.
Crédito: CAMI

A grande presença de candidatos de países africanos, diferente de outros anos, foi um dos destaques da edição 2019 do festival.

E o prêmio de melhor música ficou com um candidato da África lusófona – um dos países do continente no qual o português é um dos idiomas oficiais. A letra da canção de Feliciano Correia Dju, de Guiné-Bissau, questionou a insensibilidade da humanidade diante das tragédias cotidianas que afetam os migrantes em travessias. Veja abaixo um trecho:

“Que pena, ver nossos irmãos morrendo na imigração, que pena!
Fechar a tua porta negando seu próprio irmão, que pena! Cadê a humanidade que ficou assim, que pena!
Então me fala que o mundo chegou ao fim, se todos viemos do mesmo tronco, porque que não temos amor por dentro?”

Posted by CAMI – Centro de Apoio e Pastoral do Migrante on Sunday, September 1, 2019

Na categoria poesia os vencedores foram três crianças bolivianas, Jean Kaled, Brandon Kauan e Clarice Dafne, que declamaram uma poesia intitulada “Meus pais imigrantes” – na qual contaram um pouco do que veem no dia-a-dia.

“Entre retalhos e linhas
Eles costuram seus sonhos
Querendo ir pra frente
Com mais força
Pelo amor a seus filhos.”

AS crianças bolivianas que ficaram com o prêmio de melhor poesia na edição 2019 do festival.
Crédito: CAMI

A diversidade de origens também esteve presente na banca de jurados – composta por uma brasileira, um haitiano, um boliviano, uma salvadorenha e uma congolesa.

Durante o evento foram constatadas algumas irregularidades na apresentação de dois artistas que não cumpriram a exigência que apresentar uma música de sua autoria – e foram desclassificados.

Além dos candidatos, quem enfrentou o frio e a chuva do domingo também pode acompanhar apresentações de artistas e grupos convidados: a cantora salvadorenha Celina Castro, o grupo boliviano Kollasuyo Maya, o grupo de folclore chinês Leão e Dragão, e a performance da Drag Queen Florência – interpretada pelo boliviano Remberto Roca, vencedor da categoria poesia no festival de 2018.

Com informações do CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Imigrante)

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