Imigrantes, sejam eles quem forem

Por Danyel Andre Margarido

Uma das maiores dificuldades que se passa em trabalhar com estrangeiros é perder um pouco da visão que temos sobre nós mesmos. Afinal muito da visão do brasileiro jaz na impressão de o que é importado é melhor do que o nacional – sejam produtos, pensamentos, filmes e, infelizmente, pessoas.

Mas isso realmente é verdade?

No mundo da Mobilidade Global, é comum termos políticas extensas contemplando diversos benefícios para os trabalhadores estrangeiros que são transferidos do Home para o Host Country – o que faz sentido quando necessita-se do profissional com o conhecimento e background específicos para a solução de uma demanda em outro país.

Entretanto, por mais que isso possa validar o pensamento de que os expatriados possam ser “melhores” do que os profissionais locais, há de se parar e questionar: quem realmente são os expatriados?

O Expatriado, e sua família, são essencialmente, imigrantes.

São pessoas que deixam seu país de origem e mudam-se, mesmo que, temporariamente, para outro país, em outra cultura, em outra língua.

Motivos do deslocamento

A diferença está na razão da mudança, que, no caso do expatriado, é o trabalho. Em outros casos, além desta mudança voluntária, estão o refúgio – o qual abrange não só perseguição político-religiosa, por exemplo, mas também o refugiado climático, que surgiu com as recentes transformações climáticas do mundo – e os mais recentes nômades digitais.

As razões, tão diferentes, para mudar-se de país em nada alteram o status da pessoa: imigrante. Por mais que, quando se faz uma pesquisa por imagens no google por “Imigrante” imagens de tristeza aparecerm, e, quando pesquisa-se por “expatriado”, a imagem até ganha cor.

E por todos estarem deslocados em uma nova cultura, dificuldades e barreiras aparecem durante a jornada. Em algumas jornadas, as barreiras são ainda maiores – como no caso de refugiados que não possuem, normalmente, documentos que comprovem quem são – perdem sua identidade na mudança, muitas vezes, forçada de um país a outro.

Barreiras como Documentação e Comunicação, que são as primeiras a atrasar (ou mesmo parar) o caminhar do imigrante – seja no pedido de visto e na discricionariedade do consulado em liberar as autorizações e carimbos necessários, seja na falta de documentos – e na dificuldade de comprovar quem é que chegou no país, de comprovar sua identidade – quando um imigrante refugiado cruza a fronteira procurando abrigo.

Ou mesmo em comunicar-se com um novo grupo de pessoas, expondo uma ideia ao novo time no trabalho, seja explicar sua situação a uma autoridade que pouco entende sua língua.

Diferentes lutas

Há diferença entre os imigrantes refugiados, os imigrantes por escolha os imigrantes expatriados. A luta de um refugiado é diferente da luta de um expatriado.

E, por isso, há de se lembrar sempre que ambos são pessoas. Pessoas que mudaram de vida por razões diferentes, pessoas que mudaram de cultura, mudaram de língua. Pessoas que deixaram pessoas importantes para trás, pessoas que passam por dificuldades em situações que podemos até julgar simples.

A Mobilidade Global sempre será de pessoas, para pessoas, por pessoas – e justamente baseado nisso que os profissionais da área de Global Mobility podem ser agentes de mudança – na acomodação de imigrantes estrangeiros em um novo país, na facilitação, na melhoria, no oásis que pode ser oferecido a quem precisa – seja um imigrante expatriado, seja um imigrante refugiado, seja um imigrante por escolha.

Parafraseando José Saramago: Imigrantes, sejam eles quem forem não se somam, multiplicam-se. E essa multiplicação, de ideias, culturas, linguas, pessoas, pode se dar com a ajuda de alguém que trabalhe com Global Mobility.

Afinal, Mobilidade Global é mais que vistos, mais que relocation, mais do que contratos – é sobre costurar culturas diferentes para que algo belo e novo se resulte disso. O GM Advisor trabalha na mudança de culturas – e culturas que sejam cada vez mais inclusivas, e que resultam em novas formas de experienciar a vida, além de poder trazer conhecimentos e vivências e novas formas de abordar uma situação que os imigrantes (sejam expatriados, sejam refugiados) trazem em suas bagagens.

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2.000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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