Kostya, o ucraniano que atravessou o mundo para formar família

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Por Cáritas RJ – texto e fotos

“Vim para o Brasil porque me apaixonei por uma brasileira. Nos conhecemos na Coreia do Sul, onde eu trabalhava num parque como dançarino acrobata e ela fazia um show. Isso foi em 2008. O chefe do parque disse para a gente não se apaixonar por brasileiras porque o Brasil era um país muito distante. Falava para não puxar conversa, mas eu ignorei. Conversamos, nos apaixonamos, fomos para o Brasil e nos casamos. Tivemos uma filha. Depois nos separamos e agora não posso voltar para o meu país porque tem guerra.”

Kostya é um solicitante de refúgio da Ucrânia. Seu caso é particular pelo fato de ele não ter saído do seu país por um fundado temor de perseguição. Por outro lado, ele não pode voltar para lá porque em 2014 a Ucrânia entrou em conflito com a Rússia. Kostya é um caso típico de refugiado “sur place”, aquele que, devido a circunstâncias que surgiram no seu país de origem durante a sua ausência, tem um fundado temor de perseguição caso retorne.

O ucraniano Kostya, que veio parar no Brasil por amor e aqui fez sua família. Crédito: Cáritas RJ
O ucraniano Kostya, que veio parar no Brasil por amor e aqui fez sua família.
Crédito: Cáritas RJ

“Lá tem guerra. Os políticos fazem pedidos por soldados. Eu não quero pegar em arma. Se eu for para a Ucrânia, o governo vai me pegar para o Exército. Eu pago minhas contas aqui e ainda mando dinheiro para minha mãe.”

O ucraniano é conhecido no meio do teatro. Trabalhou nos musicais “O Mágico de Oz” e “Os Saltimbancos Trapalhões”, com Renato Aragão. Quando não está no palco, ele ganha a vida como pedreiro.

“Atravessei o mundo para formar família. Se o casamento não deu certo, tudo bem, mas quero ficar ao lado da minha filha. Se eu for para o Exército, como vou protegê-la?”

Material reproduzido pelo MigraMundo pela parceria de conteúdo com a Cáritas RJ, na qual é autorizado a divulgar e reproduzir as histórias de refugiados acolhidos pela entidade. Com isso, a ideia é ajudar ampliar o máximo possível a divulgação do tema do refúgio no Brasil, que infelizmente ainda é bastante desconhecido.

Texto publicado originalmente na página da Cáritas RJ no Facebook