Migrantes respondem: para eles, o que é São Paulo?

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Eles são da Bolívia, Peru, El Salvador, Síria, França, Itália, Congo, de dezenas de outros países. A origem difere, mas todos eles são parte dos mais de 11 milhões de habitantes de São Paulo, que completa 461 anos neste domingo (25).  Os migrantes de ontem e hoje são prova viva do que disse o escritor Guilherme de Almeida, ainda em 1929: que São Paulo é uma “cosmópolis”, “um resumo do mundo”.

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E para os migrantes, o que é São Paulo afinal? Como eles enxergam e sentem essa cidade que não para, cheia de contradições e contrastes? O MigraMundo fez essa pergunta para alguns dos representantes e agentes desse cosmopolitismo. Pessoas que admiram as virtudes e sofrem com os defeitos da metrópole; que se sentem acolhidos e à parte ao mesmo tempo; que adotam a cidade, mas não deixam de lado as próprias origens.

Ao ler os depoimentos desses migrantes fica claro que, independente da origem, todos são parte da mesma sociedade – e assim devem ser vistos, respeitados e celebrados.

Vista aérea da cidade de São Paulo, que completa 461 anos. Crédito: Wikimedia Commons
Vista aérea da cidade de São Paulo, que completa 461 anos.
Crédito: Wikimedia Commons

São Paulo para mim é a terra das oportunidades, mas não apenas por questões de trabalho ou estudo, mas porque São Paulo é a cidade onde me fiz imigrante, onde tive e tenho a oportunidade de fazer amigos de outros países, de saborear culinárias de diferentes países sem ir muito longe. São Paulo é contar com diversos museus, bibliotecas, manifestações culturais, shows e não saber qual a melhor combinação de programas para o fim de semana. São Paulo é multicultural e eu adoro isso.

Victor Gonzales, 37, Peru. É tradutor e editor do blog El Heraldo de la Traducción. Natural de Arequipa, mora em São Paulo há 15 anos.

São Paulo é a cidade que me acolheu contando-me um pedaço da história do meu país que para mim era desconhecida. É uma cidade de mundo e imperfeição, aquela mesma imperfeição que te faz ter a vontade de mudar as coisas.

Eleonora Silanus, 26, Itália. É funcionária da sede paulistana do Patronato Acli


São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo. Já tive oportunidade de viajar pelo mundo e posso dizer que ela é feita da mistura de culturas e raças. São Paulo para mim é música, cultura, alegria, festa, show, festivais, oportunidades, realizações e sonhos.

Celina Castro, El Salvador. Cantora, mora há dois anos na capital paulista.

Para mim e para minha família São Paulo é tudo novo. Quando cheguei eu não gostava, mas agora está melhor. Eu trabalho, meus filhos estão na escola, minha esposa está grávida e todos falam português. Não gosto da falta de segurança, de ver pessoas sem casa, das coisas caras e dos locais lotados, da falta de água e de luz.

Talal Al-tinawi, 43, Síria. Engenheiro, mora em São Paulo desde 2013; seu depoimento mostra que os problemas da cidade atingem a todos

Assim como um mosaico, São Paulo é construída por migrantes vindos de vários lugares tanto do Brasil quanto do mundo. Essa riqueza faz com que você encontre verdadeiras ”cidades do interior ”dentro de São Paulo; permite encontrar o Nordeste, Norte, Sul e o Brasil inteiro dentro de São Paulo; permite encontrar uma Itália, uma Alemanha, um Japão, uma Coreia… São Paulo, apesar das dificuldades que encontra, que são questões políticas, do ponto de vista humano é um exemplo de cidade construída pela base da solidariedade de pessoas dos mais diversos horizontes. O mais importante de São Paulo é uma lição que nos deixa: a de que a união realmente faz a força. União de povos, culturas e olhares.

Irwin Henry, 27, França. É jornalista, consultor do Acnur e do Ministério das Relações Exteriores da França.

São Paulo é tudo, oportunidade e diversidade! É um “continente pequeno que abraça a todos os países do mundo”. Amo o pulsar da cidade, a energia transformadora, o caos da paisagem que se auto-organiza, criando espaços pra etnias, rostos, cores e culturas das mais diversas. Amo a pluralidade de opções pra sair, pra comer, pra conhecer, pra viver. Amo o ardor das noites quentes de verão e a melancolia das tardes de garoa do inverno. Amo, amo meu São Paulo.

Monica Rulo, Bolívia. Professora de formação, trabalha atualmente com dublagem e vive em São Paulo há dez anos.
Esta cidade significa para mim um mundo cheio de tolerância para migração: esperança, liberdade para os refugiados, a integração em uma sociedade multirracial e um símbolo de paz. Para mim São Paulo é um sinal de realização tanto espiritual como física para um futuro melhor, para todos os refugiados.

Petench Ngandu, República Democrática do Congo. Refugiado no Brasil desde julho de 2013, trabalha como professor de francês.


Para mim a cidade de São Paulo é uma mulher cinzenta: cinzenta por fora, mas muito colorida por dentro, e colorida graças à grande diversidade dos imigrantes do mundo todo que ajudaram a construí-la. São Paulo para mim é feminina, é esse feminismo que consegue deixá-la tão receptiva ao outro, mas com essa grandeza e crescimento constantes corre-se o risco de ficar invisível nesse dinamismo que é a cidade de São Paulo. Para nós imigrantes é importante sairmos da invisibilidade e sermos visíveis, ativos, aprendermos a nos empoderarmos dessa mulher tão linda que se chama São Paulo. O que posso dizer: Parabéns São Paulo pelos seus 461 anos e eu me considero mais uma cor que faz dessa São Paulo ser a principal cidade da América Latina.

Antonio Andrade, Bolívia. Editor e idealizador dos portais Bolívia Cultural e Planeta América Latina, é também o responsável pelo Los Hermanos, o site em espanhol da Folha Internacional

Leia também:

Folha de S.Paulo: Nova onda de imigração atrai para São Paulo latino-americanos e africanos

Portal Terra: Também sou SP: imigrantes falam da experiência na cidade

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