Modric, de deslocado de guerra a melhor meio-campista da Europa

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Modric, do Real Madrid, eleito melhor meio-campista da temporada 2016/2017 na Europa. Crédito: Reprodução/Uefa

O menino que nasceu em um vilarejo croata e viu de perto o conflito na antiga Iugoslávia se tornou um craque do futebol atual

Por Jorge Monteiro
Em São Paulo (SP)

A Uefa, entidade que dirige o futebol europeu, elegeu na última quinta-feira (24) os melhores jogadores da temporada 2016/2017. Apesar dos holofotes voltados para Cristiano Ronaldo, ídolo do Real Madrid e da seleção portuguesa, outro jogador do clube madrilenho também teve motivos de sobra para comemorar: Luka Modric, escolhido como melhor meio-campista da Europa pela Uefa e chamado por alguns de “Cruyff dos Bálcãs”.

O prêmio coroa uma trajetória que começou em um vilarejo perto da cidade croata de Zadar, onde nasceu em 9 de setembro de 1985. Sua infância pobre não o impedia de brincar e estudar da melhor maneira possível. Sua vida muda radicalmente com a guerra na antiga Iugoslávia (1992-1995), da qual a Croácia queria se tornar independente –  assim como outras antigas repúblicas (Macedônia, Bósnia e Eslovênia). Seu pai, Stipe, foi para a guerra como soldado; seu avô, que também se chamava Luka, foi morto pelas forças sérvias num bombardeio.

A família do menino, junto com outros deslocados pelo conflito, foi se alojar em um hotel em Zadar. E para que ele não ficasse traumatizado com os terríveis acontecimentos, sua mãe o incentivou a buscar o esporte – e o mais praticado naquele lugar era o futebol.

Com o fim da guerra, em 1995, Modric se mostrou animado para mostrar a sua habilidade no time da cidade. “Era um menino muito tímido e tranqüilo. A verdade é que ele não se fazia notar muito, mas o seu talento foi evidente desde o princípio”, disse seu primeiro técnico, Miodrag Paunovic, em entrevista ao site português Show de Bola.

O menino que vivenciou uma guerra jogando futebol enfrentou adversidades na sua adolescência até chegar ao seu objetivo, que era jogar no Dínamo de Zagreb, o time mais poderoso no país. Ele chegou lá em 2002, aos 17 anos, mas não conseguiu se firmar e foi emprestado ao Zrinjski Mostar, da Bósnia-Herzegovina. Jogou por lá durante uma temporada e acabou eleito o Melhor Jogador do Campeonato Bósnio, em 2003 – ou seja, com apenas 18 anos.

Na temporada seguinte Luka voltou para a Croácia para jogar no Inter Zapresic e, adquirindo a experiência necessária, um ano depois ele já estava de volta ao Dínamo de Zagreb, onde se tornaria ídolo absoluto do time e conquistou três títulos croatas.

Em 2008, Luka – que já era da seleção croata – foi alçar vôos mais altos e foi jogar no Tottenham, da Inglaterra,. Chegou questionado pela baixa estatura (1,74m) e corpo franzino, uma vez que o futebol inglês é conhecido por ser um jogo muito físico. “Quem jogou na Bósnia pode jogar em qualquer lugar”, disse, rebatendo as desconfianças.

Modric atuou por quatro temporadas no futebol inglês, se consolidou como ídolo do clube londrino e de lá chamou a atenção do poderoso Real Madrid, onde chegou em agosto de 2013 e onde joga atualmente. Pelos merengues ele já realizou cerca de duzentos jogos, marcou onze gols e tem, entre outros títulos, 1 Campeonato Espanhol, 3 Ligas dos Campeões, 3 Supercopas Europeias e 2 Mundiais Interclubes. Também tem em seu currículo duas participações em Copas do Mundo (2006 e 2014) com a Croácia – em ambas o país teve o Brasil como adversário na primeira fase do torneio.

Esse é um resumo da história do menino que venceu a guerra e se tornar um dos grandes jogadores do futebol mundial atual. Fato endossado pelo prêmio de melhor meio-campista da Europa, que veste a camisa 10 do Real Madrid na temporada 2017/2018. E a lista de títulos e prêmios ainda pode aumentar.

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