Mulheres migrantes e brasileiras debatem e buscam ferramentas contra a violência

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A violência que afeta as mulheres no Brasil e no mundo não escolhe crença, nacionalidade, idioma, cultura ou classe social. Para piorar, ela apresenta diversas formas, que se combinam. E aprender a lidar com essa situação sem produzir uma nova forma de violência é um desafio permanente.

É com o objetivo de apresentar ferramentas e capacitar pessoas na busca por saídas não-violentas para a violência que voluntárias migrantes e brasileiras têm se reunido semanalmente em São Paulo.

Os encontros, que acontecem às quintas-feiras em uma sobreloja na rua Vergueiro, em frente ao Centro Cultural São Paulo, são organizados pela Equipe de Base Warmis, que busca denunciar e combater todas as formas de violência e discriminação. Uma das frentes mais conhecidas da equipe é a luta contra a violência obstétrica, com diversas campanhas de conscientização já feitas sobre o tema.

A Warmis é composta em grande parte por voluntárias migrantes, mas também é aberta e busca brasileiras interessadas na temática. Na reunião organizada pelo grupo e acompanhada pelo MigraMundo estavam presentes mulheres migrantes de Bolívia, Peru e Chile, além de brasileiras já voluntárias em ações de não violência.

Juntas, brasileiras e migrantes refletem e buscam respostas não violentas contra as diversas formas de violência. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Juntas, brasileiras e migrantes refletem e buscam respostas não violentas contra as diversas formas de violência.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

“O que estamos propondo aqui não é uma simples ação e reação, mas uma resposta diferente a essa violência, como se posicionar diante dela. Rechaçar essa violência é não exercê-la”, explica a ativista boliviana Jobana Moya, uma das voluntárias da Warmis, sobre o caráter de formação e reflexão do encontro.

Entender o contexto e tratar como gostaria de ser tratado

Uma dessas ferramentas contra a violência é procurar entender o contexto de cada caso – se ele envolve questões domésticas, econômicas, de discriminação, entre outras.

Na reunião foram usados trechos de um livro em espanhol, intitulado “Aprenda a resistir la violencia”, para introduzir o debate sobre a não violência. Em seguida, foi feito um exercício que levou cada participante a refletir sobre um caso de violência que vivenciaram ou tomaram conhecimento, mas também a tentar entender o contexto de cada situação.

“Nós lidamos muito com situações de violência. Este exercício nos ajuda a entender melhor o outro e o ambiente”, explica a chilena Andrea Carabantes Soto, também voluntária da Warmis. Embora seja uma tarefa complexa, em especial devido à forte presença da violência na história da humanidade, Andrea mostra que essa reflexão pode ser libertadora. “Tratar uma pessoa como você gostaria de ser tratado é um ato de liberdade”.

Jobana acrescenta ainda que conhecer e colocar em prática essas ferramentas é uma questão cada vez mais importante. “O mundo estacada vez mais violento, e as pessoas, mais insensíveis. Fortalecer-nos com essas ferramentas nos permite transitar melhor por esse mundo violento”.

Encontros de Capacitação para Voluntári@s e interessad@s
Data e horário: quintas-feiras, a partir das 18h30
Endereço: Rua Vergueiro 819, sobreloja sala 01 (perto do metrô Vergueiro e em frente ao Centro Cultural São Paulo)
Apoio: Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas

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