Mutirão em SP oferece serviços e atende brasileiros e migrantes no Vale do Anhangabaú

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Mutirão levou serviços a brasileiros e migrantes no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Ação foi organizada pela Fambras, com apoio da Prefeitura de São Paulo e outras instituições; evento fez parte do 5º Festival de Direitos Humanos

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Quem passou na tarde deste sábado (16) pelo Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, teve a oportunidade de acessar um mutirão de serviços, atendimentos e ações culturais aproveitadas tanto por brasileiros como por migrantes.

Aberta ao público, a ação “E eu, onde fico? – Ação Social do Islam” foi promovida pela Fambras (Federação das Associações Muçulmanas do Brasil) – que congrega uma série de entidades muçulmanas de todo o Brasil – em conjunto com a Prefeitura de São Paulo, por meio da SMDHC (Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania) e outras instituições diversas.

Mutirão levou serviços a brasileiros e migrantes no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

O mutirão foi uma das etapas do 5º Festival de Direitos Humanos, promovido pela secretaria ao longo do mês de dezembro, e também encerrou uma semana com atividades ligadas à temática migratória, coordenadas pela Coordenação de Políticas para Imigrantes da prefeitura paulistana.

Ao todo foram 17 modalidades de serviços de saúde, ofertados por mais de 250 voluntários, entre médicos, dentistas, fisioterapeutas, técnicos e auxiliares de enfermagem, enfermeiros, nutricionistas e massoterapeutas. Entre os exames disponíveis estavam os de hipertensão, diabetes, colesterol, hepatite C, oftalmológico e de mamas.

Há planos para que a atividade seja realizada novamente em 2018.

Corte de cabelo foi um dos serviços mais disputados no mutirão.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Islã cidadão e solidário

O fato do evento ser conduzido por uma federação ligada ao Islã pode soar estranho de início – e até chegou a gerar comentários negativos de alguns internautas nas redes sociais. Mas o presidente da Fambras, Mohamed Hussein El Zoghbi, cita o mutirão no Anhangabaú como exemplo para mostrar que o Islamismo real nada tem a ver com ódio ou situações violentas.

“A Fambras tem exercido um papel de liderança para desconstruir a imagem negativa sobre o Islã. A federação tem feito esses eventos para mostrar o Islã cidadão, o Islã solidário, que respeita as diferenças e propaga a paz. A violência não caracteriza o Islã nem os muçulmanos”.

Mulheres muçulmanas aguardam vez para massagem durante o mutirão.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

“Local democrático”

A escolha do Vale do Anhangabaú para realização do mutirão foi definida pela Prefeitura de São Paulo por ser um local democrático e com fácil acesso.

“Como os migrantes estão em diferentes regiões da cidade, pensamos em um local que fosse o mais acessível possível”, comenta comenta Andrea Zamur, atual coordenadora de políticas para migrantes da SMDHC.

Ela também ressaltou o fato dos serviços terem sido aproveitados tanto por brasileiros como pelos migrantes. “Esse espaço de compartilhamento entre brasileiros e migrantes é incrível e também desmistifica muita coisa, aproxima a população e sensibiliza os trabalhadores que estão aqui na ação, mostrando que muitas necessidades são iguais”.

Migrantes na área

Além desses serviços, os migrantes que foram ao evento puderam ter acesso a orientações, documentos e cartilhas que esclarecem seus direitos e deveres no Brasil, além da possibilidade de fazer cadastro no CadÚnico, que permite o acesso a programas sociais. O CRAI (Centro de Referência e Atendimento ao Migrante), a DPU (Defensoria Pública da União) e o coletivo ProMigra eram algumas das instituições com atendimento voltado a migrantes no mutirão.

Migrante recebe atendimento de funcionária do CRAI durante o mutirão “E Eu, Onde Fico? Ação Social do Islam”.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Entre os migrantes que aproveitaram o mutirão estava o costureiro haitiano Freguens Jeudy, que soube do evento durante uma das aulas de português que cursa junto à instituição Conviva Diferente. Ele elogiou a existência desse tipo de iniciativa.

“Está muito legal. Aqui temos muitas oportunidades para ter informação e saber como está nossa saúde”, afirmou, em referência aos serviços disponíveis naquela tarde.

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