Nicarágua completa um ano em crise interna e gera refugiados na América Central

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Mulher durante protesto em Manágua, Nicarágua, em abril de 2018. Crédito: Celia Mendoza/Voice Of America

Situação já levou 62 mil nicaraguenses a buscar refúgio em países vizinhos, especialmente na Costa Rica

Por Rodrigo Veronezi
Em São Paulo

A Venezuela não é o único país da América Latina a vivenciar uma grande diáspora por conta de uma crise interna. Com menor destaque no cenário internacional, a Nicarágua completa nesta quinta-feira (18) um ano do início de uma crise social, política e econômica que tem levado parte de sua população a fugir.

Segundo dados do ACNUR, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, 62 mil pessoas já deixaram a Nicarágua nos últimos 12 meses em busca de refúgio em outros países. O principal destino é a vizinha Costa Rica, ao sul, que recebeu nada menos que 55 mil nicaraguenses.

Em 18 de abril de 2018, manifestações contrárias a um projeto de reforma da Previdência foram reprimidas com violência pelo regime de Daniel Ortega. A partir daí, outros protestos violentos ocorreram ao longo do ano e se somaram às condições sociais, políticas e econômicas cada vez mais críticas.

Atos de violações de direitos humanos cometidos tanto pelo governo como pela oposição contribuem para empurrar nicaraguenses para fora do país, em busca de saídas para o caos na república centro-americana.

Entre as razões que levam as pessoas a fugirem do país estão o medo de perderem suas vidas e serem atacadas ou sequestradas por grupos paramilitares.

Uma das pessoas que buscou proteção fora da Nicarágua é o agricultor Manuel (nome completo omitido para preservação de sua segurança), que atualmente vive em Upala, na Costa Rica.

“Vivíamos com a ansiedade de não saber quando entrariam na nossa casa para nos sequestrarmos”, afirma.

Uma das pessoas que buscou proteção fora da Nicarágua é o agricultor Manuel (nome completo omitido para preservação de sua segurança), que atualmente vive em Upala, na Costa Rica.

“Vivíamos com a ansiedade de não saber quando entrariam na nossa casa para nos sequestrarmos”, afirma.

De acordo com a Autoridade Migratória da Costa Rica, em março de 2019, cerca de 29,5 mil nicaraguenses tinham apresentado formalmente pedidos de asilo. Mas com a capacidade de recepção sobrecarregada, 26 mil estão esperando que seus pedidos sejam reconhecidos.

“Neste fluxo de refugiados, muitos deles decidiram atravessar irregularmente a fronteira para evitar serem detectados, frequentemente caminhando durante horas através de caminhos complicados”, disse a porta-voz geral do ACNUR, Elizabeth Throssell, durante conferência em Genebra (Suíça). 

Já em meados de 2018, o então alto comissário da ONU para os direitos humanos Zeid  Al-Hussein já afirmava que a crise na Nicarágua poderia criar um novo foco de deslocamento massivo de pessoas na América Latina, além da Venezuela.

A porta-voz do ACNUR alerta que, sem uma solução política para a crise na Nicarágua, é provável que as pessoas continuem fugindo.

“Fundos são urgentemente necessários para fortalecer a resposta humanitária do ACNUR e fornecer ajuda aos refugiados e solicitantes de refúgio, para que não precisem recorrer a empregos informais”, completa Throssell.

A atual alta comissária para os Direitos Humanos, a chilena Michele Bachelet, apelou ao governo nicaraguense para que garanta que suas forças de segurança permitam espaço para que as pessoas possam se reunir pacificamente e expressar os seus pontos de vista de acordo com os seus direitos garantidos pela lei internacional.



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