No Brasil e no exterior, mulheres migrantes se reinventam diariamente e constroem novas vidas

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Ser mulher e ao mesmo tempo migrante ou mesmo refugiada: uma combinação cada vez mais comum no mundo atual, mas ainda sujeita a uma série de estereótipos que criam dificuldades para a inserção de cada uma delas na sociedade.

Mesmo assim, tanto mulheres migrantes e refugiadas no Brasil como brasileiras no exterior toparam o desafio de viver longe da terra natal (ou se viram obrigadas a tal) e tiveram de reconstruir suas vidas.

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Cler, Juliana, Katherine, Viviana, Kamila, Jéssica e Muna, que aceitaram o convite e compartilharam um pouco de suas experiências e aprendizados. Crédito: Montagem/arquivo pessoal

Elas superaram ou ainda lutam contra barreiras como discriminação, conhecimento do idioma local, choques culturais e busca por emprego, mas são exemplos de resistência e persistência para si próprias e outras mulheres.

Um breve resumo das vivências e aprendizados dessas mulheres poderá ser visto nos parágrafos e depoimentos a seguir. E desde já fica o agradecimento a todas as mulheres que aceitaram partilhar um pouco das vivências e aprendizados de cada uma delas:

Muna Darweesh, da Síria, preparou o café da manhã do evento. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Muna Darweesh, da Síria, encontrou na culinária de seu país um jeito de se manter no Brasil.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

“Sejam fortes e confiantes em seus trabalhos. E também sejam fieis em tudo o que fazem”

Muna Darweesh, síria. Professora de literatura inglesa no país natal, se refugiou no Brasil por causa da guerra e atualmente vende culinária síria por encomenda. Ministra workshops sobre o tema e participa de eventos diversos.

 

Viviana Peña, produtora cultural colombiana. Credito: arquivo pessoal
Viviana Peña, produtora cultural colombiana.
Credito: arquivo pessoal

“O desafio de ser mulher na América Latina é ter que viver com medo, de andar sozinha na rua, de não poder usar roupas confortáveis para não chamar muito a atenção. Mas ser mulher é maior do que ser colombiana, latina ou hispânica”

Vivana Peña, colombiana, produtora cultural. Faz parte da equipe do projeto Microcine Migrante

 

 

 

“Eu sou outra pessoa. Aprendi a me organizar, financeiramente, principalmente. Aprendi a cozinhar e cuidar de mim. Aprendi também a conviver com a solidão e a gostar de mim, pois na situação de intercambista há muitos momentos que você se sente sozinho. Aproveite esse tempo para perceber quanto você pode se divertir sozinha (o), viajar, ir a festas, bares, museus. É possível ser feliz sozinho”.

Jéssica Moreira, que já foi Au pair na Irlanda. Crédito: arquivo pessoal
Jéssica Moreira, que já foi Au pair na Irlanda.
Crédito: arquivo pessoal

Jéssica Moreira, jornalista e integrante do movimento Nós, Mulheres da Periferia, morou na Irlanda, onde trabalhou como babá. Hoje está novamente no Brasil e segue engajada em causas sociais e feministas

 

A jornalista gaúcha Kamila Urbano, idealizadora do Eu, tu, nós: Portugal. Crédito: Divulgação
A jornalista gaúcha Kamila Urbano, idealizadora do Eu, tu, nós: Portugal.
Crédito: Divulgação

 

 

 

“Atuo em uma área muito diferente da que estudei e trabalhei no Brasil, aqui faço apenas freelas em jornalismo e tenho trabalhado como promotora de vendas. Me adaptei e me reinventei para tornar esta vivência o mais especial possível ao lado do meu marido, uma pessoa que me apoia e motiva todos os dias!”. 

Kamila Urbano, jornalista brasileira, vive em Portugal desde 2012. É a idealizadora do projeto Eu, Tu, Nós, Portugal (saiba mais aqui)

 

Juliana Kovalcik, de assessora de imprensa a educadora. Crédito: arquivo pessoal
Juliana Kovalcik, de assessora de imprensa a educadora.
Crédito: arquivo pessoal

“Morar na Austrália era um sonho e apesar de tudo o que eu passei, eu acreditei, corri atras, não desisti e provei para mim mesma que posso alcançar tudo o que eu desejar. Aprendi que eh preciso muita coragem para sair da zona de conforto, deixar a família toda, abrir mão de tanta coisa para buscar um futuro melhor. Eu não poderia estar mais feliz”

Juliana Alves Kovalcik, brasileira, mora na Austrália desde 2009. Assessora de imprensa no Brasil, chegou a trabalhar como faxineira antes de virar educadora em uma creche em Cairns, nordeste do país. Será mãe em breve.
“Aprendi a lidar com diferentes pessoas e suas mais diversas formas de abordagem e relacionamento. O maior legado que ficou com tudo isso é o respeito à diversidade. Muitas culturas se misturam todos os dias. Na minha casa mesmo, temos duas pessoas que cresceram em ambientes totalmente diferentes, idiomas diferentes, mas que têm um mesmo ideal e valores similares, que acreditam no amor, que têm respeito ao próximo, que apreciam o que é diferente. É isso o que eu pretendo ensinar ao meu filho: respeitar e valorizar cada ser humano, pois cada um de nos é único e tem muito o que ensinar”.

Cler Faraone, analista de RH no Brasil e corretora de seguros na Austrália. Crédito: arquivo pessoal
Cler Faraone, analista de RH no Brasil e corretora de seguros na Austrália.
Crédito: arquivo pessoal

Cler Faraone, analista de RH no Brasil e corretora de seguros na Austrália. Mora em Sydney desde 2011 e é casada com um australiano que também é cidadão italiano. Também está grávida e deve ser mãe nas próximas semanas.

 

 

 

 

 

 

“Morar em um país e cultura diferente não só nos permite ser mulheres mais fortes como também mais pacientes e tolerantes com uma cultura e ideologias diferentes, e aceitar com sabedoria os desafios da vida”

Katherine Rivas, jornalista peruana. Crédito: arquivo pessoal
Katherine Rivas, jornalista peruana.
Crédito: arquivo pessoal

Katherine Rivas, peruana, recém-formada em Jornalismo. Vive há quatro anos no Brasil e atualmente é parte da equipe de mídia do Fórum Social Mundial das Migrações, que será em julho em São Paulo.

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