No Dia Internacional do Imigrante, o que eles pensam e esperam de 2016?

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Mundialmente no dia 18 de dezembro é celebrado o Dia Internacional do Imigrante. Uma data mais do que especial, especialmente considerando o quão 2015 foi agitado e tenso em relação à temática, na maioria das vezes incompreendida pelos governos, pela mídia e pela sociedade.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM, IOM em inglês), por exemplo, lançou uma campanha na qual convida a população mundial a acender uma vela e fazer uma vigília em memória daqueles que morreram justamente em busca de melhores condições de vida.

Aproveitando as reflexões e celebrações do Dia Internacional do Imigrante, e os imigrantes que vivem no Brasil, ou os brasileiros que vivem no exterior, o que esperam de 2016, com base no que viveram neste ano? O MigraMundo convidou pessoas de diferentes nacionalidades a responder o que esperam do novo ano que se aproxima. Eis as respostas:

Yuran Judéfilo Tinta, Angola, estudante de Relações Internacionais

Para o ano que se aproxima, primeiramente almejo que Deus me de muita saúde, força, e vontade para que eu consiga alcançar meus objetivos. Visando uma dedicação maior do que esse ano nos meus estudos e dar início em alguns projetos pessoais que não consegui realizar esse ano, para que eu consiga crescer pessoalmente e profissionalmente, e com isso estar sempre preparado para o mercado de trabalho. E como torcedor fanático do time dos humanos e que me orgulho disso, também desejo que as pessoas sejam melhor do que esse ano, desejo mais amor ao próximo porque é muito importante enxergar o outro e vice-versa para que se consiga chegar perto de um mundo de paz, amor, e harmonia entre nós seres humanos. Acrescentando também desejo Saúde a minha família, amigos aos meus Pais principalmente que tento sempre dar o meu melhor para que eles se orgulhem de mim. Que 2016 seja um ano de muitas conquistas.

Katherine Rivas, Peru, jornalista

No dia do Imigrante espero que dia a dia tenhamos um Brasil mais justo para os que vem de fora. Que haitianos, africanos e imigrantes negros não sofram mais racismo, sejam respeitados e possam se desenvolver profissionalmente. Que latino-americanos também tenham oportunidade de estudo e trabalho. Quero que a xenofobia fique de lado e todos, pela sua condição de cidadãos e humanos, sejam respeitados e possam ter acesso a todos os serviços. E que as pessoas saibam como conviver com o diferente, étnica, cultural e religiosamente. Que o imigrante perca a visão de “fraco” e se empodere. Que não tenha medo de falar. E quero também que pela minha passagem pelo Fórum eu consiga motivar a reflexão da sociedade e gerar mudanças. Que incomode aos xenófobos e que empodere aos até agora excluídos.

Nunca é demais lembrar, mas especialmente neste 18/12: somos todos imigrantes. Crédito: Juliana Tubini
Nunca é demais lembrar, mas especialmente neste 18/12: somos todos imigrantes.
Crédito: Juliana Tubini

Angel Antonio Andrade Vargas, Bolívia, comunicador e responsável pelos portais Bolívia Cultural e Planeta América Latina

Espero respeito. Respeito aos Direitos Humanos, à dignidade do imigrante, ao direito ao trabalho, a poder sustentar minha família dignamente. Que parem de me dar o peixe…. Para os que desejam me ajudar quero que me ensinem a pescar. Muito trabalho anda sendo feito pelo bem dos imigrantes, eu agradeço cada um deles que tem trabalhado muito por nós…. Só que o Brasil e muito mais…. Este trabalho deve ser dedicado a todos imigrantes, nacionais, refugiados etc, Devemos parar de rotular as pessoas e brindar o verdadeiro direito à vida. É isso o que desejo de 2016.

Andrea Carabantes Soto, Chile, ativista

Para 2016 espero um ano de integração e convergência. Que a sociedade brasileira abrace as novas migrações como o faz com as antigas. Desejo que seja um ano de avanços na melhoria de vida das mulheres, que diminua a violência contra nós e a xenofobia quando somos imigrantes. Sei que vai ser um ano em que nossa voz será ouvida. Espero que seja um ano de articulação real das comunidades imigrantes para termos voz própria sobre nossas demandas e necessidades.

Greg Fischer, Estados Unidos, idealizador da página Rostos da Migração

Neste final de ano o foco é que minha esposa está grávida! Pessoalmente começarei o novo ano com o sexto aniversario do casamento com a minha esposa, como uma família completa. Sinto muito feliz e gratidão para minha vida familiar. Mas temos [minha esposa e eu] uma grande decisão a tomar. O nosso contrato de trabalho com os Leigos Missionários da Maryknoll acabará em maio, e precisamos decidir se queremos renovar ou voltar aos Estados Unidos. Ainda não sabemos. O meu trabalho com os imigrantes é importante pra mim, e independentemente da nossa decisão eu gostaria de continuar o meu trabalho com imigrantes. Penso que o trabalho de Rostos da Migração é importante nesta época. Mas talvez exista uma oportunidade para expandir a divulgação dessas histórias pessoais a outros países.

Karina Moysés Pain, brasileira que vive em Québec, Canadá

Sinto que 2015 mostrou o quão bom e o quão ruim podemos ser como seres humanos. Desenhamos essas linhas imaginárias no chão há muito tempo atrás e isso criou o “eu” e o “outro”. É muito ruim ser o “outro”. O outro não tem direitos, mas tem deveres. Não tem perspectivas, mas tem incertezas. Não tem voz, mas tem que concordar. Eu gostaria de ver um futuro com menos fronteiras e mais abraços. Mais família, mais amigos, mais acolhimento. É muito solitário ser imigrante, seria bom se fosse menos assim. Falamos muito em “assimilar” e “adaptar”, mas pouco em “acolher”. 2016 será um ano muito bom se for mais aberto à diversidade, com mais amigos, mais família e menos fronteiras.

As dificuldades estão sempre por perto, mas elas não impedem os imigrantes de alimentar sonhos, fazer planos, refletir sobre o que já viveram e de continuarem na luta por melhores condições de vida.

Leia também:

 

Carta da OIM para o Dia Internacional do Imigrante (em inglês)

Missing Migrants Project

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