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sexta-feira, setembro 30, 2022

No FSMM, cultura e gastronomia permitem contato direto com os migrantes e suas experiências

Por Rodrigo Borges Delfim
Com colaboração de Eva Bella (texto e fotos)

Em meio aos debates, reflexões e articulações do 7º Fórum Social Mundial de Migrações, que começou na quinta e vai até domingo em São Paulo (SP), as atrações culturais e gastronômicas merecem destaque à parte.

Para o público presente no Fórum, é uma oportunidade de vivenciar de perto o que pessoas de origens tão diversas podem oferecer. Para os imigrantes e refugiados que oferecem tanto o artesanato como a gastronomia, é também uma forma de afirmação e empoderamento, cultural e social.

Grupo Folklorico Kantuta Bolívia este na Paulista e também foi ao Fórum Crédito: Eva Bella/MigraMundo
Grupo Folklorico Kantuta Bolívia esteve na Paulista e também foi ao Fórum
Crédito: Eva Bella/MigraMundo

O Centro Esportivo Tietê concentra a maior parte dessas atividades, seja no palco principal, seja nos arredores do parque.

Cultura e protesto

Nos intervalos entre os debates as atenções se concentram no palco principal do Fórum, onde se apresentam grupos culturais de diferentes nacionalidades. Um deles é a Santa Mala, composto por três mulheres bolivianas [rapperas, como preferem ser chamadas] e que, a partir da música, lutam pelo empoderamento feminino e denunciam problemas vividos pelas mulheres migrantes.

Responsável por uma das atividades de “esquenta” do Fórum, o Grupo Folklorico Kantuta Bolívia também foi outro a marcar presença durante o evento. Assim como na avenida Paulista, no último dia 3 de julho, atraiu atenção de grande parte do público.

“Este é um espaço muito importante para discutir nossos problemas e nos definirmos como agentes fundamentais nos processos migratórios – construção de leis, políticas públicas, etc. Temos feito o possível para fortalecer a participação migrante dentro do Fórum e depois dele”, explica o português Miguel Dores, integrante do Visto Permanente – coletivo que aborda a migração por meio do audiovisual e também presente na programação cultural e artística do Fórum.

Artesanato no passado e no presente

Em uma área coberta do Centro Esportivo Tietê fica uma pequena feira cultural, com artesanato e roupas típicas de países como Equador, Togo, Paraguai, Peru, Cuba e Síria.

A peruana Maria Anella, que vive no Brasil há 15 anos, está no Fórum junto com o marido, também peruano vendendo artigos de vestuário e souvenirs típicos do país natal. “Quando chegamos aqui, foi dessa forma que nos sustentamos [vendendo artigos peruanos]. E dessa maneira, queremos mostrar para as pessoas que estão vindo ao Brasil hoje há formas de se manter aqui e abrir portas”.

Atualmente o casal atua no Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, o Cami, entidade bastante conhecida entre os imigrantes, especialmente das comunidades latinas.

Feira de artesanato traz um pouco da história e expressão do países representados. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Feira de artesanato traz um pouco da história e expressão do países representados.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Sabores e histórias de todo o mundo

Um dos ginásios do Centro Esportivo Tietê virou a praça de alimentação do Fórum. E por lá é possível satisfazer seu apetite com uma entrada síria, um almoço congolês ou haitiano, saborear uma sobremesa peruana – só para dar um exemplo das diversas combinações e viagens gastronômicas que podem ser feitas. Tudo isso tocado, em sua maioria, por imigrantes. e refugiados que vivem no Brasil.

“Aqui é uma oportunidade de mostrar um pouquinho dos sabores do meu país, e ao mesmo tempo é uma oportunidade de todos os imigrantes se unirem para esquecer um pouco dos conflitos que nos fizeram migrar”, explica o colombiano Jair Rojas, que prepara arepas, patacones e outras iguarias por meio do restaurante Macondo Raízes Colombianas.

Outra pessoa que apostou na gastronomia para se manter no Brasil é a refugiada síria Muna Darweesh, que ao lado do marido iniciou um negócio de comida árabe por encomenda [o Muna Sabores &Memórias Árabes] e é presença constante em eventos culturais migrantes. Professora de literatura inglesa de formação, encontrou na culinária uma forma de se reinventar, recomeçar a vida longe de casa e também de

In WSFM, culture and gastronomy allow a direct touch with the migrants and their experiences

autoafirmação. “Gostaria de dizer para toda mulher que migra de seu país para outro que seja forte e confiante em si para encontrar soluções para sua vida e seus filhos”.

Doces e outros quitutes árabes podem ser encontrados na praça de alimentação do Fórum. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Doces e outros quitutes árabes podem ser encontrados na praça de alimentação do Fórum.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Também da Síria, o guia turístico Ali Jeratli é outro que apostou na culinária do país natal para se manter no Brasil. “Vendemos comida árabe para ajudar nossa família e trazê-la para cá, e gostamos muito de viver do nosso trabalho, mostrar nossa cultura para os brasileiros”, disse.

Já o haitiano Patrick, além de mostrar a culinária do país caribenho, também vê o Fórum como uma grande oportunidade de articulação política e convida outros imigrantes a fazerem o mesmo. “A gente sempre faz muita força para participar de eventos assim. Vamos lutar para mudar aquilo que queremos mudar para garantir nossos direitos, mostrar nossa cultura. Temos de lutar também pelo direito ao voto, afinal de uma maneira ou de outra estamos contribuindo também com o país”.

Exposições

Durante o Fórum é possível ainda rever duas exposições recentes, ambas relacionadas à temática migratória. Uma delas é a mostra Cartas de Chamada de Atenção, que esteve exposta em meados de 2015 no Museu da Imigração, em São Paulo. Ela foi feita a partir das cartas elaboradas por imigrantes e refugiados que participaram do curso de português do Arsenal da Esperança.

E logo ao lado da feira de artesanato está a exposição Somos Todos Imigrantes, que estreou em novembro de 2015 e já passou por diversos locais de São Paulo, como estações de metrô, feiras e instituições públicas.

A sétima edição do Fórum Social Mundial de Migrações vai até domingo (10) em São Paulo.

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