O desastre natural nos países do sudeste africano e seus desdobramentos migratórios

0
93
Crianças andam em lamaçal no distrito de Buzi, em Moçambique, onde os efeitos do ciclone Idai ainda são visíveis. Crédito: De Wet/Unicef

Moçambique, Zimbábue e Malauí precisarão lidar com os deslocamentos populacionais causados pelo ciclone Idai

Por Luana G. Silveira
Equipe de Comunicação do CSEM – link original aqui

Há mais de duas semanas, no dia 14 de março, um forte ciclone tropical atingiu a cidade portuária de Beira, quarta maior de Moçambique, e seguiu para os países fronteiriços Zimbábue e Malauí. O ciclone Idai, como foi denominado, afetou mais de 1,85 milhão de pessoas apenas em Moçambique. O número de centenas de mortes continua crescendo, segundo a ONU já passa de 760 ao total, nos três países, e 1,5 milhão de crianças precisam de ajuda humanitária, de acordo com a UNICEF.

As chuvas e ventos, que chegaram a 170 quilômetros por hora, deixaram um rastro de destruição pela região. As estradas para o local foram reabertas somente na última segunda-feira (25), após onze dias do ocorrido, permitindo o alcance do socorro a pessoas que ainda estavam isoladas. A infraestrutura da região atingida já era precária antes do desastre natural, que causou o deslocamento de 483 mil pessoas, segundo estimativas das Nações Unidas.

A Ir. Carla Luisa Frey, missionária Scalabriniana atuante na Casa de Acolhida em Ressano Garcia, vila moçambicana fronteiriça à África do Sul, alerta para a condição de migração causada pelo ciclone. “Todo o país está se mobilizando e solidarizando com o povo da cidade da Beira e do centro do país. Um fator determinante será a migração de muitos para o interior e regiões Sul e Norte de Moçambique, a maioria das pessoas afetadas pelo ciclone possuem familiares nesses locais, principalmente em Maputo, o que irá requerer uma mobilização para o acolhimento, inserção e auxílio a essas pessoas”, finaliza.

Já a Ir. Marinês Biasibetti, também missionária Scalabriniana em Maputo, capital do país, explica que, após o ciclone, os desafios sociais irão aumentar, e conta que as Irmãs estão oferecendo seu trabalho e missão para a população. “Nós estamos disponíveis para prestar nosso apoio e conforto, porém, a falta de energia elétrica está dificultando o deslocamento para chegar aos locais mais afetados. Assim que houver a possibilidade, estaremos lá prestando nosso auxílio a essas pessoas”.

As Irmãs Scalabrinianas, que possuem a Casa de Acolhida em Ressano Garcia, promovem atividades voltadas para pessoas deportadas da África do Sul, que chegam pela fronteira terrestre de Ressano Garcia, e jovens e crianças migrantes de partes mais pobres de Moçambique, que encontram na vila oportunidade para trabalhar e enviar dinheiro para suas famílias. O trabalho com as crianças e jovens migrantes envolve ativistas e voluntários que fazem o possível para garantir seus direitos básicos. Tanto Maputo, quanto Ressano Garcia não foram afetados pelo ocorrido, o que torna os locais possíveis destinos para a migração interna.

O governo brasileiro anunciou uma doação de cem mil euros (R$ 436 mil) ao país para auxiliar no resgate de vítimas e reconstrução do local. Além disso, a pedido do presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, o Brasil enviou a Força Nacional de Segurança Pública, que desembarca no país na tarde dessa segunda-feira (1) com vinte bombeiros especialistas em busca e salvamento, levando botes e equipamentos adaptados ao tipo de resgate necessário na região da cidade da Beira, e 8,9 toneladas de alimentos. A princípio, a equipe permanecerá por trinta dias no país. Ainda, a organização Médicos Sem Fronteiras e uma Central de Apoio criada por entidades moçambicanas, estão recebendo doações.

Abaixo, mais entidades que estão recebendo doações:

ActionAid

Cáritas Brasileira

Fundação Fernando Leite Couto

Fundação Gonçalo da Silveira (FGS)

Missões Mundiais

Unicef



DEIXE UMA RESPOSTA

Insira seu comentário
Informe seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.