O que fazer quando o erro aparece no meio de uma Expatriação?

A incerteza acompanhará a jornada da Mobilidade Global, e, quando o erro se concretizar, é necessário estudá-lo e criar resoluções para que não se repitam.

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Como a mobilidade global pode se desenvolver em tempos de distanciamento social
(Foto: Free-Photos from Pixabay)

Por Danyel André Margarido

Como todo o processo em que pessoas estão envolvidas, a Mobilidade Global enfrenta erros. Seria inocente pensar que, por maiores que sejam os cuidados, erros não acompanhariam a mudança de vida de uma pessoa, de um país a outro.

Se existem erros, dos simples aos mais complicados, quando mudamos de apartamento, eles aumentam quando mudamos de país. E estar pronto para lidar com eles, a medida em que aparecem – e eles vão aparecer – torna o processo de mobilidade maduro.

Não é uma necessidade errar para aprender, mas é parte da maturidade do processo vem justamente em aprender com os erros quando eles acontecem.

Existem erros e erros.

No percurso de qualquer jornada, o erro poderá acontecer. E é por isso que é necessário aprender com eles quando acontecem.

Isso não é fácil.

Em um dos livros da série “As Crônicas de Nárnia”, o famoso autor C. S. Lewis escreve: “Chorar ajuda por um tempo, mas depois é preciso parar de chorar e tomar uma decisão.”. Lewis fala para as crianças (e adultos), em uma frase simples o que fazer quando percebemos o erro e nos sentimos mal (ou mesmo choramos) por isso: tomar uma decisão. E, não só no mundo corporativo, aprender com isso.

Claro, no mundo dos Migrantes, erros podem ser catastróficos – um documento com a grafia incorreta de um nome pode impossibilitar a emissão de um documento de identificação, o manuseio errado de um item pode atrasar muito uma mudança internacional, a falta de entendimento das necessidades da família co-expatriada pode fazer com que os filhos não sejam matriculados nas escolas e tenham que aguardar o próximo ano letivo.

Resolver os erros é imperativo – mas o que acontece depois desta resolução?

Deveria ser o aprendizado.

Mas como ter tempo de aprender com erros em meio ao mundo de Mobilidade Global? Um mundo que, em meio a pandemia, por exemplo, viu uma elasticidade de fronteiras poucas vezes apresentada ao mundo, onde expatriados ficaram presos em países diferentes de sua família.

Por mais céleres que sejam os cenários em que vivemos, e por mais complexo que seja enviar alguém do Home ao Host Country, o compromisso com a pessoa expatriada não se altera: o melhor atendimento possível.

Toda a história que acompanha as pessoas que fazem Global Mobility ser o que são ajuda na previsão dos próximos passos, é verdade. Por outro lado, justamente por estarmos em cenários cada vez mais rápidos e cada vez mais complexos, detectar o que ocasionou o erro é importante para o amadurecimento da Mobilidade Global dos funcionários de uma empresa.

Dois cenários.

Mesmo em sendo complexo e célere, Global Mobility tem sua base em processos e políticas. E justamente por serem a base, tendem a ser bem definidos e prevêem alto fluxo de expatriados. 

Quando fluxos e processos existem, uma trilha é criada, o caminho das pedras para que o processo tenha o êxito necessário, e o expatriado e sua família possam sair de sua casa no home country e chegar na sua cada no host country no menor tempo possível com a maior qualidade e segurança para que o expatriado inicie seu trabalho.

A base processual que sustenta a Mobilidade Global requer atenção, mas erros acontecem. Treinamentos constantes, acompanhamento de pessoas mais seniores nos processos, e a maior atenção nos passos são os meios comuns e certeiros para a prevenção e para a correção de erros neste cenário.

Sendo ainda um cenário que requer continuidade e atenção, a análise dos erros, com possível revisão de processos, deve acontecer sempre – enquanto os processos são realizados.  

Além do cenário processual, a Mobilidade Global tem um outro cenário que é pouco mapeado em relação a erros: O fator humano.

Em outras palavras, enquanto existe uma base sólida de processos, checklists, prazos e certezas, por cima desta base há a incerteza e os desejos humanos. Ou seja, fala-se da infinidade de coisas que nunca aconteceram antes e, por isso, não possuem meios de prevenção ou mesmo correção, caso resultem em erros.

A incerteza acompanhará a jornada da Mobilidade Global, e, quando o erro se concretizar, é necessário estudá-lo e criar resoluções para que não se repitam. E não é algo ruim. A imprevisibilidade da incerteza é uma oportunidade de trazer maturidade para essa jornada – nenhuma expatriação é igual à anterior.

Ou seja…

Após a ocorrência do erro, existe a opção de culpar alguém e existe a opção de aprender com o erro, para que não se repita. É difícil que haja aprendizado em cenários cada vez mais rápidos e cada vez mais intolerantes ao erro. Entretanto, buscar o aprendizado, treinar pessoas, rever processos, e estar pronto (ou melhor, o mais pronto possível) para a incerteza.

Afinal, o erro é uma possibilidade quando nos propomos a fazer qualquer atividade. Aprender com o erro, é o caminho para a vida – deixar esse aprendizado, por mais doloroso que possa ser, pode acabar levando a experiência como um todo abaixo.

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2.000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.


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