Organizações que atuam entre imigrantes em SP fomentam rede para ações conjuntas

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Reunião do GT-Migrações e Refúgio da Rede Social do Centro, em outubro de 2017. Crédito: Daniel Checchio

São diversos os benefícios de se trabalhar em rede; novo grupo de trabalho focado em migrações e refúgio na cidade de São Paulo convida outras associações a fazerem parte; próxima reunião é em 16 de novembro

Por Leandro de Carvalho
Da Rede Social do Centro, em São Paulo (SP)
Atualizado em 11/11/17, às 09h44

A cidade de São Paulo conta com diversas experiências de organizações que trabalham em rede. As configurações são as mais variadas: por vezes conjugam organizações sociais e empresas, em outros momentos são reunidas serviços públicos e organizações sociais e há ainda as experiências que reúnem os três setores, trabalhando para discutir e agir frente a algum desafio complexo.

É justamente a complexidade das questões sociais que estimulam o trabalho em rede. A reunião de organizações — sejam públicas, sociais ou empresariais – possibilita que as ações conjuntas tratem mais aspectos dos problemas, o que seria muito difícil quando o trabalho é realizado por apenas uma ou outra organização.

As redes também possibilitam trocas entre os profissionais. Não são raras as vezes que as tarefas do cotidiano impedem que seja conhecido o que outras organizações têm feito, gerando até mesmo uma sensação de estar em um caminho solitário. As redes promovem justamente o contrário desse sentimento: rapidamente são percebidos os trabalhos em comum, as lutas compartilhadas, as inovações e o quanto todos estão trabalhando em prol do mesmo objetivo, apenas sob aspectos diferentes.

Há ainda a possibilidade de reflexão em grupo e a construção de pautas que gerem ações públicas, também em rede, ou a pressão para novas ações governamentais em favor de um grupo ou interesse sempre ignorado. Como o caso das políticas para usuários de drogas, ou para pessoas em situação de rua, ou uma urgente Reforma Urbana para pensar a utilização dos imóveis vazios e que há muitos anos não cumprem sua função social.

Pensando nesses potenciais do trabalho em rede, há sete anos foi iniciada a Rede Social do Centro, na cidade de São Paulo. Organizações sociais, comunidades religiosas, serviços públicos e empresas se reuniram para discutir e agir diante dos problemas crescentes, muito específicos na região central da cidade. Desde as primeiras reuniões, a vocação da Rede Social do Centro tem sido levar para a rua aquelas atividades que já eram feitas pelos grupos, mas que eram feitas individualmente. Nos eventos chamados Rua Cidadã é possível ver essa alquimia em funcionamento: diversas organizações, empresas e serviços públicos nas ruas da cidade oferecendo serviços à população, desde atendimentos mais simples — como testes de glicemia — às atividades mais complexas — como a internação de usuários de crack.

A mesma Rede Social do Centro, percebendo o número crescente de imigrantes nas cenas de uso de drogas (conhecidas como Cracolândias) e percebendo a urgência pela articulação para promover apoio a essas populações das mais diversas nacionalidades, articulou entre seus membros a criação de um novo braço de atuação e em 19 de outubro de 2017 foi iniciado o Grupo de Trabalho para apoiar Imigrantes e Refugiados, que ficou nomeado como GT-Migrações e Refúgio.

Reunião do GT-Migrações e Refúgio da Rede Social do Centro, em outubro de 2017.
Crédito: Daniel Checchio

Essa nova frente de trabalho reuniu diversas organizações sociais que já trabalham há anos entre os imigrantes em alta vulnerabilidade, se somando a outros organizações da Rede que atuam nas mais diversas temáticas para proteção das pessoas alta vulnerabilidade. Desde a primeira reunião foi possível pensar em atividades em conjunto para dar maior visibilidade aos trabalhos realizados. Cada organização atuando em um dos aspectos da complexa reintegração dos(as) migrantes, desde a promoção de saúde promovida pela Cruz Vermelha e pelos projetos da Secretaria de Saúde, passando pelo ensino do idioma oferecido pelo Mafalda e pela Compassiva, além do atendimento psicossocial oferecido pela Preparando o Caminho e pelo Projeto Pontes, até o aspecto da reinserção profissional que tem sido a linha de frente da Aliança Empreendedora. Todas as organizações presentes, somando quinze frentes de trabalho, puderam apresentar seus trabalhos e já imaginar aquela rede atuando para fortalecer os trabalhos promovidos pelos outros membros.

Nesse breve artigo, a intenção foi explicar de forma simples quais os benefícios dos trabalhos em rede e apresentar uma das experiências que está em andamento. Mas mais do que isso, este pode ser também um convite para que sua organização participe da rede que está em formação. O GT-Migrações e Refúgio está convidando as organizações que atuam em São Paulo para compor esse grupo e poder. Os benefícios são inúmeros, como já citado, e será possível constituir um espaço para planejar atividades, organizar solicitações ao poder público, trocar informações relevantes aos grupos, conhecer e animar os trabalhos dos(as) parceiros(as).

Se a sua organização atua entre imigrantes ou é constituída por imigrantes de qualquer nacionalidade, esse convite é também para você. Entre em contato com Leandro de Carvalho (animador da rede) ou com algumas das organizações citadas.

Todos ganham e quando os olhares são somados é possível enxergar mais longe.

A próxima reunião da Rede Social do Centro – GT Migrações e Refugio acontecerá no dia 16 de novembro, as 15h, no 9º andar da Praça Princesa Isabel, 230 – São Paulo (SP).

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