Palanque Migrante convida o migrante a pensar e falar por si

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Por Rodrigo Borges Delfim – @rodrigobdelfim

Convidar o migrante a debater, tomar parte no contexto político, se informar e informar ao próximo, usando tanto a internet como os espaços públicos, e sem depender de canais tradicionais de mediação. Essa é a proposta – ousada e inovadora – do Palanque Imigrante, lançado no começo de setembro na internet e que fez sua primeira ação presencial no sábado (07), em São Paulo.

Cerca de 30 pessoas, entre migrantes, brasileiros que já viveram no exterior e outros envolvidos com a temática tomaram parte na primeira roda de conversa, que começou na Praça da República e terminou na Praça das Artes, perto dali, por conta da chuva. O tema deste – e dos próximos encontros – é a nova Lei de Migração (PL 2516/2015), que atualmente tramita na Câmara dos Deputados.

No meio da Praça da República, Palanque Migrante fez sua estreia presencial. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
No meio da Praça da República, Palanque Migrante fez sua estreia presencial.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

O tema foi escolhido por ser uma pauta histórica dos migrantes no Brasil e por conta dos entraves que gera na vida cotidiana de cada um. Com os debates, a ideia é discutir o tema coletivamente, formar opiniões sobre o processo e levar o migrante a se colocar em relação ao tema. Cópias do texto da Lei, disponíveis em português, francês, espanhol e inglês, ajudam a incluir migrantes de diferentes origens no projeto.

Em meio ao debate, dúvidas sobre representação política, garantias de direitos e o desafio de decifrar a burocracia brasileira eram partilhadas e respondidas, dentro do possível, pelos presentes ao encontro.

 “Os imigrantes ainda não foram ouvidos, isso é inaceitável”

Embora o nome Palanque remeta a um local que pareça uma barraca ou um pequeno palco, o projeto funciona mais como uma roda de conversa – um ambiente informal no qual o verdadeiro palanque é o migrante no momento em que se posiciona.

“A proposta é de tentar sugerir uma forma diferente de luta social, que tem como princípio máximo a própria opinião, ação e intervenção política dos migrantes”. informa a equipe do Palanque em entrevista conjunta ao MigraMundo. Eles lembram ainda que o Palanque é um lugar de fala, mas principalmente de escuta.

Reunião começou na Praça da República, mas terminou na Praça das Artes devido à chuva. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Reunião começou na Praça da República, mas terminou na Praça das Artes devido à chuva.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

A equipe do Palanque é formada por amigos imigrantes e brasileiros que partilham diferentes experiências migratórias e que atual diretamente sobre a questão migrante no Brasil – seja na sociedade civil, na academia, na política ou em projetos culturais. E a ideia do Palanque Migrante surgiu do anseio de levar o migrante a se posicionar sem depender diretamente de canais tradicionais de mediação, como ONGs, figuras públicas e organismos governamentais.

O Palanque Migrante tem relação e divide integrantes com outros dois projetos que atuam diretamente e partir de migrantes: o Visto Permanente e o Microcine Migrante.

Colaboração, desafios e próximos passos

Fazer a ideia do Palanque avançar junto aos migrantes, sem depender de canais e figuras tradicionais de mediação, é um grande desafio diante do projeto. Mas a equipe cita a mobilização em torno das traduções do texto da nova Lei – feitas por voluntários e disponíveis no site do projeto – como um indicativo de avanço.

Texto da Lei de Migração em outros idiomas. Graças a voluntários. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Texto da Lei de Migração em outros idiomas. Graças a voluntários.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

“As pessoas com quem conversamos recebem bem a ideia de que há uma tradução, que elas mesmas podem acessar, ler, reler e opinar. Cada vez mais imigrantes e instituições que conseguem chegar em imigrantes estão nos ajudando na divulgação da ação”.

E o Palanque já tem agendado seu novo encontro, que também terá a Lei de Migração como tema. Será no próximo dia 15 de novembro (domingo), no restaurante africano Obrigado Minha Mãe/Merci Ma Mere –  rua Visconde de Parnaíba, 1191, pertinho do metrô Brás. As atividades iniciam às 13h, com almoço no local (refeições serão vendidas a R$ 10), e os debates estão previstos para começar às 15h.

1 COMENTÁRIO

  1. Caríssimo Rodrigo Borges Delfim,
    Saudações.
    Sou Renato Bicudo, residente em São Paulo e ligado a movimentos e pastorais sociais. Tomei contato com o Palanque Migrante, vendo uma colagem na Praça da República. Confesso que fiquei muito sensibilizado e contente por essa pioneira iniciativa. Pois bem, gostaria muito de receber notícias das suas atividades, bem como ser um parceiro nesse tão maravilhoso e oportuno trabalho. Aguardo notícias.
    Um grande abraço.
    Parabéns e sucesso!
    renato bicudo

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