Para aproximar migrantes e brasileiros, Migraflix começa pelo estômago

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Aproximar imigrantes e brasileiros por meio de oficinas culturais, quebrando estereótipos e ainda permitir geração de renda para o imigrante. Esses são os objetivos do Migraflix, ação de impacto social que promoveu suas primeiras atividades no último domingo (20), em São Paulo.

A proposta do Migraflix é de promover workshops para dez pessoas em cada aula. A ideia do formato reduzido é permitir uma proximidade e interação maiores com o migrante que está à frente da atividade. Além disso, 80% do lucro de cada curso é revertido para o imigrante, permitindo assim também a geração de renda para ele – os demais 20% ficam com a plataforma, para custeio da divulgação e local do curso.

Com público reduzido, workshops do Migraflix buscam promover uma maior proximidade com o migrante. Crédito: Eva Bella
Com público reduzido, workshops do Migraflix buscam promover uma maior proximidade com o migrante.
Crédito: Eva Bella

O Migraflix é uma das propostas apoiadas pela edição deste ano do Social Good Brasil, um programa de aceleração de iniciativas de impacto social. Ele conta ainda com apoio do MigraMundo e do portal Planeta América Latina, além do Instituto Criar e do Abraço Cultural.

De manhã, Síria; à tarde, Marrocos

Os dois primeiros cursos promovidos pelo Migraflix aconteceram na Laboriosa 89, espaço de uso compartilhado na Vila Madalena. E ambos tiveram gastronomia como tema.

O primeiro deles foi no período da manhã, com o sírio Talal Al-Tinawi e sua mulher, Ghazal. Eles ensinaram como preparar homus e falafel, duas receitas bastante comuns na Síria e outros países árabes, e muito apreciadas no café da manhã.

O casal sírio Talal e Ghazal, que comandaram o primeiro workshop do Migraflix. Crédito: Eva Bella
O casal sírio Talal e Ghazal, que comandaram o primeiro workshop do Migraflix.
Crédito: Eva Bella

Ao longo do curso, Talal divulgou o Talal Comida Síria – serviço de culinária síria por encomenda que mantém junto com a família – e compartilhou curiosidades sobre as receitas, da terra natal e sobre a própria trajetória. Engenheiro mecânico de formação, encontrou dificuldades para exercer sua profissão no Brasil, mas encontrou na culinária síria um novo talento para reconstruir sua vida longe de Damasco, onde vivia.

O público presente mostrava atenção, interagia e registrava o workshop com anotações sobre as receitas e fotos nas redes sociais – hashtags #migraflix e #laboriosa89.

O público ainda pode comprar e levar para casa alguns dos produtos comercializados por Talal e sua família, como kibes, esfihas e outros quitutes.

Já no período da tarde, foi a vez da chef marroquina Bouteina Sakhi mostrar um pouco da cultura e sabores de seu país. Natural de Casablanca, maior cidade do Marrocos, ela ensinou como preparar a Harira, tradicional sopa marroquina e consumida especialmente durante o ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos; e também tayine de frango, que leva cebolas e amêndoas adoçadas.

Tajine de frango e Harira, as duas receitas servidas no workshop da tarde. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Tajine de frango e Harira, as duas receitas servidas no workshop da tarde.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Assim como na parte da manhã, o público do workshop da tarde também interagiu com a chef, que compartilhou curiosidades sobre a culinária marroquina – ainda pouco conhecida no Brasil.

Bouteina também partilhou um pouco da própria trajetória durante o curso. Moradora do bairro do Tatuapé, ela chegou ao país há apenas quatro meses e trabalha em um restaurante libanês na capital paulista. Seu sonho é conseguir juntar dinheiro e abrir um restaurante marroquino.

Bouteina, do Marrocos, foi a responsável pelo workshop da tarde. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Bouteina, do Marrocos, foi a responsável pelo workshop da tarde.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Impressões do público

Participantes dos dois workshops elogiaram o projeto e a proposta de aproximação entre migrantes e brasileiros.

“Achei muito interessante para ter um contato mais próximo com essas culturas, que parecem distantes. Aliei o fato de adorar comida síria e o contato mais próximo com essas pessoas que vêm tentar a vida aqui. Acho o projeto muito interessante e dar essa oportunidade para sentirmos mais próximos da realidade deles. Valeu a pena presenciar essa experiência no domingo de manhã”, opinou a professora Doris Siqueira Tavares, a primeira a chegar para o curso.

A jornalista Mariana Palumbo e o marido, o produtor Simão Simontob, também uniram o interesse pela culinária com a oportunidade de conhecer os migrantes de perto para virem ao workshop. “Na hora que ficamos sabendo procuramos garantir a vaga e conseguimos. Outras pessoas que tentaram depois de nós não conseguiram vaga, tava bem concorrido”, lembrou Simão.

Vem mais por aí

A alta procura pelos cursos levou a equipe do Migraflix a abrir novas datas já para o primeiro fim de semana de outubro. A gastronomia continua como tema, mas outras áreas da cultura vão ganhar espaço em breve. Todas as datas e informações sobre os novos cursos – e outros que estão por vir – estão disponíveis no site do Migraflix: http://www.migraflix.com.br/

Perdeu a primeira rodada de cursos do Migraflix. Novas turmas já estão abertas e outras serão organizadas conforme a demanda. Crédito: Eva Bella
Perdeu a primeira rodada de cursos do Migraflix. Novas turmas já estão abertas e outras serão organizadas conforme a demanda.
Crédito: Eva Bella

No sábado (3), na parte da manhã, acontecerá o workshop “Conhecendo o Oeste da África”, com a camaronesa Melanito Biyouha, que comanda a cozinha do Biyou’z, famoso restaurante de culinária africana do centro de São Paulo. Já à tarde a Síria volta à cena com a professora e cozinheira Muna Darweesh, que também mantém um serviço de culinária por encomenda.

E para quem não conseguiu vaga para os cursos de Talal e Bouteina, novas turmas foram abertas para o dia seguinte, no dia 4. E dependendo da demanda, outras datas ainda podem ser abertas.

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